terça-feira, 30 de junho de 2015

Delação Premiada

As mãos
escondidas
no reverso
da vida,
o bolso

Os olhos
mirando
baixo
escondendo-se
da verdade,
envergonhados.

A boca
agora 
calada,
sem
explicações.

Por cima do povo
por cima do contribuinte
roubou
e roubou.

Descoberto,
como num
passe de mágica,
volta a ser
santo
 novamente.
com a delação
premiada.

Agora
de corruptor
é herói,
de ladrão
torna-se
cidadão,
retomando
as regalias
da impunidade
que tinha.

Como confiar
na infidelidade,
tomar uma palavra
que mentiu
e mentiu
como verdadeira?

Qual justiça
se debruça
tendo
o criminoso
como
paladino
da moralidade?

E querem
que eu respeite
aquele
que desrespeitou
que aceite
a palavra do ladrão
como referência 
de justiça?

Perdoem,
não posso!

Está além de mim.

Se fosse
 a passagem
do Evangelho,
a voz de um
Estadista
reconhecido...
mas não
é um ladrão
arrependido
que diz contar
a verdade,
e que verdade.

Este é o padrão
da investigação 
de nossa Justiça
hoje?







domingo, 28 de junho de 2015

Me dêem um tempo.

Nada.

Não diga nada

Chega de tantas
palavras
soltas
que não levam
a lugar
algum.

Não quero ouvir nada.

Se me permite
um pouco de silêncio,
um pouco 
só para
descansar
das inutilidades
que invadem
o cotidiano
e deixam
a impressão
que a vida
 é assim mesmo
sem eira
nem beira...

Vou calar
minhas opiniões
por um pouco?
só para
me refazer
destas vulgaridades?

Quem sabe
o sexo
quem sabe
a cor,
quem sabe
o trabalho
ou a ausência
de trabalho.

Nada acontece.

Tenho bibliotecas
em cobranças
constantes

Tenho um tempo
caçoando
do desperdício

Tenho um mulher
que não julga
 me acompanha
não sei se acordo
ou durmo?

Tenho uma aposta
 nunca ganha.
e uma perda
constante
de algo 
que falta
 e um restante
que sobra

Um algo
que não sei
o que é,
talvez seja
o fundamental,
não sei

quem sabe...

Não importa...
preciso deste tempo
mas não tenho
a quem pedir.

São anônimos
 invadem
sem licença
e estão
por todo
lado,
sem lado
só interesses
que adernam
à direita
à esquerda
eu no meio
eu também
adernando
cá e lá.


quinta-feira, 25 de junho de 2015

Para Verissímo, ódio "está no DNA da classe dominante"

5 de junho de 2015 - 10h09 


Em sua coluna no jornal O Globo, o escritor Fernando Verissimo criticou a onda de ódio revelada com os ataques contra a entrevista do apresentador Jô Soares com a presidente Dilma Rousseff.


Escritor Fernando Verissimo comentou a entrevista da presidenta Dilma ao Programa do JôEscritor Fernando Verissimo comentou a entrevista da presidenta Dilma ao Programa do Jô
Segundo ele, o "sentimento está no DNA da classe dominante brasileira, que historicamente derruba, pelas armas se for preciso, toda ameaça ao seu domínio, seja qual for a sigla".

Para Verissimo, a entrevista de Jô com a Dilma, foi uma matéria jornalística, mas salientou que a "reação furiosa que causou pelo simples fato de ter sido feita" também não foi uma surpresa diante do clima instaurado.

"É inútil tentar debater com o ódio exemplificado pela reação à entrevista do Jô e argumentar que, em alguns aspectos, o PT justificou-se no poder. Distribuiu renda, tirou gente da miséria e diminuiu um pouco a desigualdade social – feito que, pelo menos pra mim, entra como crédito na contabilidade moral de qualquer governo. O argumento seria inútil porque são justamente estas conquistas que revoltam o conservadorismo raivoso, para o qual “justiça social” virou uma senha do inimigo", destacou.
 

Jihadistas crucificam duas crianças por não jejuarem no Ramadã e divulgam vídeo de execuções por afogamento e explosões

Estado islâmico provoca mais mortes na Síria e no Iraque
Jihadistas crucificam duas crianças por não jejuarem no Ramadã e divulgam vídeo de execuções por afogamento e explosões
Por Redação
Roma, 24 de Junho de 2015 (ZENIT.org)
O autoproclamado estado islâmico (EI) crucificou duas crianças nesta segunda-feira no nordeste da Síria, acusados de não praticarem o jejum durante o Ramadã. As vítimas foram penduradas na cerca do quartel de "hisbah", corpo parapolicial do Estado Islâmico, na cidade de Al Mayadeen, um de seus redutos na província de Deir al-Zur.
Os extremistas penduraram no pescoço das crianças um cartaz escrito "não jejuar no Ramadã", informa o Observatório Sírio para os Direitos Humanos. Crucificações, decapitações e apedrejamentos são usados como um meio de propaganda, e também para aterrorizar a população.
O grupo terrorista ainda divulgou um novo vídeo, que mostra diferentes técnicas usadas para executar seus prisioneiros. Ao que tudo indica, uma das cenas mostra um grupo jovens iraquianos amarrados com uma corda com explosivos que depois foram acionados. Outra parte do vídeo mostra quatro homens presos em uma jaula e afogados em uma piscina.
A gravação foi divulgada pela divisão do Califado em Nínive, província do Iraque, cuja capital é Mossul, e mostra a execução de mais de doze supostos espiões, que os jihadista acusam ​​de terem facilitado as metas para os bombardeios da coalizão liderada pelos Estados Unidos.
O vídeo, que já foi retirado do YouTube, dura sete minutos e foi realizado por uma produtora da região de Nínive e não por qualquer uma das principais plataformas utilizadas pelo grupo liderado por Abu Bakr al-Baghdadi para difundir sua propaganda terrorista, principalmente Al Hayat Media Center e Al Furqan Media Foundation.

domingo, 21 de junho de 2015

Bancada evangélica é ovo do nazismo, afirma frei Betto

Bancada evangélica é ovo do nazismo, afirma frei Betto

Sérgio Moro, um juiz a serviço da TV Globo e do PSDB - Portal Vermelho

Sérgio Moro, um juiz a serviço da TV Globo e do PSDB - Portal Vermelho

Fascistas incentivados pelas loucuras de Aécio Neves fazem arruaças na porta do Consulado Venezuelano em Sampa

(Foto: Pedro Marin / Revista Opera)
Depois de um ato contra o governo venezuelano realizado na tarde
 deste sábado (20) ter deixado um rastro de lixo no Consulado da
 Venezuela, em São Paulo, um grupo de militantes de esquerda,
 solidários ao governo do país, limpou o prédio e realizou um ato
 de intervenção, pintando por cima de frases deixadas por 
manifestantes ligados ao Movimento Brasil Livre (MBL).
"Viva Chávez", "Viva o Socialismo" e "Al Carajo, Pendejo Imperialista" foram algumas das frases deixadas. (Foto: Pedro Marin / Revista Opera)
“Viva Chávez”, “Viva o Socialismo” e “Al Carajo, 
Pendejo Imperialista” foram algumas das
 frases deixadas. (Foto: Pedro Marin / Revista Opera)

Atos contra Maduro

O ato deste sábado ocorreu como resposta aos últimos 
acontecimentos na Venezuela, onde senadores brasileiros 
foram hostilizados por manifestantes ao fazerem uma viagem
 de solidariedade a presos políticos como Leopoldo López, que
 cumpre pena por instigar protestos violentos no país no ano
 passado.
De acordo com o Movimento Brasil Livre, que conseguiu mobilizar
 cerca de 30 pessoas para a manifestação, o ato tinha como pauta
a “liberdade para presos políticos venezuelanos” e era “contra o
 Foro de São Paulo”. Os manifestantes ali presentes jogaram
 rolos de papel higiênico e prenderam cadeados aos portões
 do Consulado.
Outros atos contra Maduro estavam programados na Venezuela.
 No Brasil, atos semelhantes foram convocados em cidades 
como Manaus, Recife e Rio de Janeiro.

sábado, 20 de junho de 2015

AGORA OS TRANGÊNICOS SERÃO CONSUMIDOS SEM QUE SAIBAMOS

Para as Senadoras e Senadores em exercício.: Rejeitar o PL 34/2015 (denominado de PL 4.148/08, no Congresso)

Para as Senadoras e Senadores em exercício.: Rejeitar o PL  34/2015 (denominado de PL 4.148/08, no Congresso)
20.000
16.811
16.811 assinaturas. Vamos chegar a 20.000

Por que isto é importante

O PL 34/2015, que prevê a necessidade de rotulagem dos
alimentos que contenham ou sejam produzidos com mais de 1% de ingredientes
transgênicos somente mediante ANÁLISE ESPECÍFICA, entrou na pauta da Câmara do
Deputados no dia 28 de abril e foi APROVADO, sendo encaminhado agora ao Senado.


Este PL, de autoria
do Deputado Heinze: (1) não torna obrigatória a informação sobre a presença de
transgênico no rótulo se não for possível sua detecção pelos métodos
laboratoriais, o que exclui a maioria dos alimentos (como papinhas de bebês,
óleos, bolachas, margarinas); (2)  não
especifica a quem compete fazer a detecção nem a fiscalização da presença de
ingredientes transgênicos; (3)  deixa de
lado a necessidade do consumidor ser informado sobre a espécie doadora do gene
no local reservado para a identificação dos ingredientes.


Com a aprovação da lei, os
símbolos que identificam hoje produtos com OGMs poderão não estar mais
presentes nos rótulos, sendo que, para o consumidor final, não será mais
possível ter certeza sobre a presença de transgênicos em alimentos por meio da
rotulagem, exceto em caso de teste laboratorial específico.






Diversos representantes da
comunidade científica advertem que os transgênicos podem ser nocivos para a
saúde. Atualmente, cerca de 92,4% da soja e 81,4% do milho do País são de
origem transgênica. É essa produção crescente e acelerada que leva para a mesa
do consumidor um alimento disfarçado ou camuflado que não informa sua real
procedência.



Na prática, isso significa que a maior parte
dos produtos que hoje são rotulados, garantindo aos consumidores brasileiros o
direito à informação e escolha, não precisam mais exibir essa informação no
rótulo, mesmo que tenham sido fabricados com matéria-prima 100% transgênica.


“O óleo de soja, por exemplo, amplamente usado
pela população brasileira, não tem como ser testado para presença de
transgênicos porque seu processo de fabricação destrói o DNA. Ou seja, você
pode usar só grãos transgênicos na fabricação e ainda assim o teste não irá
detectar”, explica Gabriela Vuolo, coordenadora da campanha de Alimentação e
Agricultura do Greenpeace. O mesmo vale para margarinas, produtos contendo
lecitina de soja (como chocolates e outros produtos industrializados), fubá,
amido de milho e cervejas que contenham milho em sua composição - todos esses
produtos têm o DNA destruído durante seu processamento sendo impossível,
portanto, detectar a transgenia na composição final do produto.



A proposta aprovada no Congresso também
extingue a exigência de rotulagem para produtos de origem animal e rações, e
abre uma brecha para que produtos que não apresentem DNA transgênico em sua
composição final sejam rotulados como “livres de transgênicos” - mesmo que
tenham sido fabricados com matéria-prima 100% transgênica. Basta, para isso,
que o teste realizado no produto final não apresente o DNA transgênico.


Nós, consumidores, temos o
direito à informação (artigo 6º do CDC) sobre o que estamos adquirindo ao
comprarmos e consumirmos um produto.




O PL 34/2015 deve ser rejeitado, porque:


1) Fere o direito à escolha e à informação
assegurados pelo Código de Defesa do Consumidor, nos artigos 6º, II e III e
31. 



2) Anula a decisão do Tribunal Regional Federal
da Primeira Região que em agosto de 2012 decidiu que independentemente do
percentual e de qualquer outra condicionante, deve-se assegurar que todo e
qualquer produto geneticamente modificado ou contendo ingrediente geneticamente
modificado seja devidamente informado (Apelação nº 2001.34.00.022280-6 - link
da decisão http://bit.ly/SkFTIw).


3) Prejudica o controle adequado dos
transgênicos, já que a rotulagem de transgênicos é medida de saúde pública
relevante para permitir o monitoramento pós-introdução no mercado e pesquisas
sobre os impactos na saúde.




4) Viola o direito dos agricultores e das
empresas alimentícias que optam por produzir alimentos isentos de ingredientes
transgênicos. E pode impactar fortemente as exportações, na medida em que a
rejeição às espécies transgênicas em vários países que importam alimentos do
Brasil é grande.



5) Revoga o Decreto 4.680/03 que respeita o
direito dos consumidores à informação e impõe a rastreabilidade da cadeia de
produção como meio de garantir a informação e a qualidade do produto. (Vale
lembrar que a identificação da transgenia já é feita para a cobrança de
royalties).


6) Descumpre compromissos internacionais
assumidos pelo Brasil no âmbito do Protocolo de Cartagena sobre Biossegurança
que demanda que os países membros adotem medidas para assegurar a identificação
de organismos vivos modificados nas importações/exportações, destinados à
alimentação humana e animal (artigo 18. 2. a) para tornar obrigatória a
adequada identificação das cargas a partir de 2012 (decisão BSIII/10, item 7).

quinta-feira, 18 de junho de 2015

BALA PERDIDA


BALA PERDIDA
Era rápida...
Não sabiam

de onde havia partido
se de policiais
ou traficantes.

Sabe-se apenas
que seu destino
era alguém
inocente.

Alguém
que acorda cedo
e trabalha,
alguém
que sustenta
uma casa,
ou serve
de sustentação
da casa,
e brinca
na calçada
em frente.

Seu impacto
não tem alma
não tem nada.

Uma família
despede-se
de si mesma,
inocentemente.

Agora
não existem
culpados,
mas vítimas.

Os jornais 
farão manchetes
venderão.

Os leitores
se escandalizarão
fechados em
seus rancores
cada vez mais
violentos,
capazes 
de matar,
ou justificar
a morte.

E eu
perplexo
atônito
me desculpo
diante de todos
pela impotência
que nos acomete.

Também ando vagando
por este mundo
em busca
de não sei o quê,
no caminho 
de não sei onde,
num tempo
de não sei
quando.
João Paulo Naves Fernandes..
de hoje, 18/06/2015

terça-feira, 16 de junho de 2015

Intolerância religiosa leva menina a ser apedrejada na cabeça

Garota de 11 anos iniciada no Candomblé 

foi a vítima. Parentes dizem ter sido 

xingados por grupo evangélico

FLAVIO ARAÚJO

Antes da agressão, a menina já defendia o direito de usar as cores de sua religião de forma pacífica
Foto:  Reprodução

Rio - Com apenas 11 anos de idade, K. conheceu a intolerância
 religiosa na noite de domingo de forma dolorosa. A menina,
 iniciada no Candomblé há quatro meses, seguia com parentes
 e irmãos de santo para um centro espiritualista na Vila da Penha,
 quando foi atingida na cabeça por uma pedra, atirada, segundo
 testemunhas, por um grupo de evangélicos. Ainda segundo os
 relatos, momentos antes, eles xingaram os adeptos da religião
de matriz africana.
“Eles gritaram: ‘Sai Satanás, queima! Vocês vão para o inferno’.
 Mas nós não demos importância. Logo depois, o pedregulho
atingiu minha neta e, enquanto fomos socorrê-la, eles fugiram
em um ônibus”, contou a avó da menina, Kathia Coelho Maria
Eduardo, de 53 anos, conhecida na religião como Vó Kathi
O caso foi registrado ontem na 38ª DP (Brás de Pina) como
lesão corporal e no artigo 20 da lei 7.716 (praticar, induzir ou
 incitar a discriminação ou preconceito de religião). A polícia
 tenta identificar os agressores através de câmeras dos
 ônibus da região.
K. chegou a desmaiar e, segundo seus parentes, teve
dificuldade para lembrar de fatos recentes. “Ela está bem,
pois foi socorrida para o hospital e até foi à escola, pois é
muito estudiosa. Mas na hora chegou a perder a memória.
Que mundo é esse que estamos vivendo? Não se respeita
 nem criança?”, questionou, ainda indignada, Yara Jambeiro,
 49, também integrante do Barracão Inzo Ria Lembáum e
uma das responsáveis pela educação religiosa de K.
O caso ganhou repercussão na Comissão de Combate à
 Intolerância Religiosa do Rio de Janeiro. Ivanir dos Santos,
que preside a comissão, defende a importância da punição
 aos responsáveis.
“Não se trata de um fato isolado. É assustador uma pedrada
 em uma criança. Vivemos um momento delicado na questão
da intolerância. As investigações precisam chegar aos
agressores para que o exemplo não seja de impunidade e
 que a liberdade religiosa seja reafirmada como está
na lei”, avaliou.
Responsável por uma rede social com 50 mil adeptos e que
defende a cultura afro-brasileira, Marcelo Dias, o Yangoo,
 divulgou o caso: “É assombroso”, criticou.

Parentes dizem que ferimento na cabeça fez K. perder a memória
Foto:  Reprodução






























Ialorixá de 90 anos enfartou com ofensas
A denúncia de que uma pedra feriu a menina K., de 11 anos,
 na noite de domingo, chegou à Comissão de Combate à
 Intolerância do Rio em meio a reunião na Universidade
 do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) em protesto pela morte,
no dia 1º , de uma uma ialorixá, de 90 anos de idade,
 em Camaçari, na Bahia.
Segundo seus parentes e filhos de santo, a religiosa
enfartou depois da instalação de um igreja evangélica
 em frente ao seu terreiro.
Conhecida como Mãe Dede de Iansã, Mildreles Dias
Ferreira teria morrido após seguidores da igreja, terem
 passado uma madrugada inteira em vigília proferindo
 ofensas em direção à casa de santo.
“A polícia recebeu queixas contra as manifestações em
 frente ao terreiro antes da morte dela. Fizeram cerimônias
 em frente à casa de forma acintosa e, em outros casos,
há quem macule terreiros, além de outras práticas
sistemáticas”, enumerou Ivanir dos Santos,
presidente da comissão.

sexta-feira, 12 de junho de 2015

Paquistão: católico inocente é enforcado

LUTOLUTOLUTOLUTOLUTOLUTOLUTOLUTOLUTOLUTOLUTOLUTOLUTOLUTO
Ele tinha 15 anos de idade quando foi condenado, em 1992, por um assassinato múltiplo que não cometeu. Em sua última carta, ele escreve: "Eu sou inocente, mas não sei se isso vai fazer alguma diferença".
Por Redação
Roma, 11 de Junho de 2015 
Mais sangue inocente foi derramado no Paquistão. Às 4h30 desta madrugada, no presídio de Kot Lakhpat, em Lahore, foi enforcado o católico Aftab Bahadur Masih, condenado à morte quando tinha 15 anos de idade, em 1992, pelo assassinato de três pessoas: ele não cometeu o crime, mas o confessou, segundo os advogados, porque foi torturado.

Os apelos lançados pela Igreja católica e pelos ativistas de direitos humanos foram inúteis. Dom Joseph Coutts, bispo de Karachi e presidente da Conferência Episcopal do Paquistão, tinha escrito ao presidente Himari Hussain pedindo que suspendesse a execução e ordenasse um novo inquérito.

Segundo a agência AsiaNews, Aftab foi condenado à morte em 5 de setembro de 1992 pelo assassinato de Sabiha Bari e seus dois filhos. No dia seguinte, Ghulam Mustafa, encanador de quem Aftab era aprendiz, foi preso por cumplicidade e torturado pela polícia para envolver Aftab no assassinato. Só recentemente é que Mustafa admitiu que o aprendiz não tivera relação alguma com o crime, do qual tinha sido apenas uma testemunha ocular. O homem também entregou um testemunho oficial a um líder religioso, declarando que havia mentido.

Aftab sempre se disse inocente. Ele contou que, quando foi preso, a polícia lhe pediu 50.000 rúpias (5.000 dólares) para liberá-lo. Como era apenas um jovem aprendiz, ele não podia pagar a quantia.

Pouco antes da execução, Aftab Bahadur Masih escreveu uma última carta para compartilhar seus sentimentos:

"Acabo de receber a minha sentença de morte. Ela diz que serei ‘pendurado pelo pescoço até a consumação da morte’ nesta quarta-feira, 10 de junho. Eu sou inocente, mas não sei se isso vai fazer alguma diferença. Durante os últimos 22 anos da minha prisão, recebi ordens de execução muitas vezes. É estranho, mas nem sei dizer quantas vezes já fui avisado de que estava prestes a morrer. É claro que dói cada vez. Eu começo a contar os dias de trás para frente, coisa dolorosa em si mesma, e descubro que os meus nervos estão acorrentados como o meu corpo.

Na verdade, já fui morto muitas vezes antes da minha morte. Suponho que a minha experiência de vida seja diferente da da maioria das pessoas, mas duvido que haja alguma coisa mais assustadora do que ouvir o aviso da própria morte e depois ficar sentado em uma cela esperando aquele momento.

Durante muitos anos – eu só tinha 15 – fiquei preso entre a vida e a morte. Foi um limbo absoluto, uma incerteza total do futuro. Eu sou cristão, e isto, às vezes, é difícil aqui. Infelizmente, há um preso em particular que tentou tornar a nossa vida ainda mais difícil. Eu não sei por que ele faz isso.

Andei muito triste com os ataques anticristãos em Peshawar. Eles me machucaram profundamente e eu gostaria que o povo paquistanês tivesse um senso de unidade nacional capaz de vencer o seu ódio religioso. Há um pequeno grupo, aqui, de cristãos, apenas quatro ou cinco, e agora estamos todos juntos na mesma cela. Isso melhorou a minha vida.

Faço tudo o que posso para escapar da minha miséria. Eu sou um amante da arte. Eu era artista – apenas ordinário – desde a infância, quando ainda não sabia nada. Mesmo assim, eu tinha uma inclinação à pintura e à poesia. Não tive nenhuma preparação; era apenas um dom de Deus. Mas, depois de ser levado para a prisão, eu não tive nenhuma outra forma de expressar os meus sentimentos, porque estava em completo isolamento e solidão.

Algum tempo atrás, comecei a pintar todos os cartazes da prisão de Kot Lakhpat, onde estou preso. Depois, me pediram para fazer também os cartazes dos outros presídios. Nada no mundo me dá mais alegria do que a sensação que eu tenho quando pinto alguma ideia ou sentimento sobre a tela. É a minha vida; sou feliz em fazer isso. A carga de trabalho é grande e eu fico exausto no final do dia, mas sou feliz, porque isso deixa a minha mente distante das outras coisas.

Eu não tenho família que venha me visitar; quando vem alguém, é uma experiência maravilhosa. Consigo recolher ideias do mundo exterior que, depois, posso colocar na tela. Ser questionado sobre o que senti quando fui torturado pela polícia me trouxe de volta lembranças terríveis, que traduzi em imagens. Talvez tivesse sido melhor não pensar no que os oficiais me fizeram para obter uma confissão falsa daquele crime.

Quando ouvimos a notícia do fim da moratória da pena de morte, em dezembro de 2014, o medo tomou conta de todas as celas da prisão. Houve um sentimento predominante de horror. A atmosfera estava pesada, escura, sobre todos nós. Depois, começaram as execuções aqui em Kot Lakhpat e todos passaram a sofrer a tortura mental. Os enforcados tinham sido nossos companheiros durante muitos anos, ao longo desta estrada rumo à morte, e é natural que a morte deles nos deixasse em estado de angústia.

Quando a moratória da pena de morte foi revogada com o pretexto de matar os terroristas, a maioria das pessoas aqui em Kot Lakhpat foi condenada por crimes comuns. De que maneira a morte vai acabar com a violência sectária no país eu não sei dizer. Espero não morrer nesta quarta-feira, mas não tenho nenhuma fonte de renda e, por isto, só posso me confiar a Deus e aos meus advogados voluntários. Eu não renunciei à esperança, apesar de que a noite seja tão escura".

quinta-feira, 11 de junho de 2015

POEMA TEIMOSO

Antes que morra
quem sabe ainda
publique um livro
falando de todas
as minhas despedidas.

As caminhadas pelas ruas
despercebido das moças...
(elas sempre passam
olhando para baixo),
e as pessoas,
voltadas a seus projetos
pessoais
formando uma multidão
perdida.

Todos...
aos próximos e os distantes,
nas concordâncias
muitas vezes fáceis
e tolerantes,
e nas divergências
verdadeiras provas
da amizade.

Antes que a morte
interrompa
este vil poeta
de suas constantes
iniquidades,
quem sabe sobre
o amor provado
no convívio,
pacientíssimo,
possa eu 
dizer que realizei-me
plenamente,
para que acreditem
nesta mentira.

Farei,
sem dúvida,
um balanço
geral,
descartando
crenças envelhecidas
fatos inconsequentes
esforçando-me,
em perdões
incontáveis
dos erros cometidos,
meus...
a maioria 
deles.

Permanecerão 
os que souberam
compreender
meus desatinos,
e ainda assim
gostaram de mim.

Não importa,
a terra come 
a todos
igualmente.

Do céu azul
não precisarei dizer,
muito menos
dos amores
de meu grande amor...
não cabem em letras
suplantam-nas.

Antes de fazer
minha última 
despedida
(e espero que 
esteja longe),
quero agradecer
a Deus
sem a jocosidade
dos beatos
(eu que sou
um desses),
mas considerando
tudo o que sou
e fui.

Sei de sua 
presença oculta
em todos 
os acontecimentos,
dos menores 
e particulares,
aos estruturais. 
Importa aqui 
o nascimento
casamento
filhos,
a vida
conforme
caminha.
Sei que me assombras
em sonhos,
e transpareces
nos rostos
e nos gestos
do povo simples.

Não esperem
grandes
despedidas.
De fato,
nunca se despede
porque não
há hora certa,
pertence ao 
imponderável.

Por isso 
tomo
estes
versos
crônicos
presente,
para que todos
saibam
deste Pó
esquecido
na margem
das estradas,
que apenas 
levanta-se
quando alguém
passa



quarta-feira, 10 de junho de 2015

Blogueiro Badawi: Arábia Saudita confirma pena de 10 anos de prisão e mil chicotadas


Corte confirma punição contra jovem pai de família, apesar da represália internacional. Ele deverá pagar 266 mil dólares e não poderá deixar o país por 10 anos
Por Redação
Roma, 09 de Junho de 2015 (ZENIT.org)
A Suprema Corte da Arábia Saudita confirmou a sentença de 10 anos de prisão e mil chicotadas para o blogueiro Raif Badawi. Além disso, o ativista deve pagar uma multa de um milhão de riais sauditas (cerca de 266.000 dólares), fechar a página e destruir seu computador. Badawi não poderá viajar para fora do reino wahabita por mais dez anos, uma vez fora da cadeia. O parecer deste tribunal não permite fase posterior e só pode ser modificado por um perdão concedido pelo rei Salman bin Abdelaziz Al Saud.
A Anistia Internacional, organização que liderou a campanha a favor da liberdade do blogueiro saudita, criticou a decisão de manter esta condenação "cruel e injusta” e definiu o incidente como "um dia negro para a liberdade de expressão", conforme comunicado divulgado neste domingo.
Badawi, um jovem de 31 anos, pai de três crianças, está na prisão desde meados de 2012. Há um ano ele foi condenado por "insultar o islã por meios eletrônicos", por ter suas ideias difundidas através da Rede Liberal Saudita, um site que convida ao debate sobre questões políticas e religiosas.
O jovem recebeu as primeiras 50 chicotadas dia 9 de janeiro, em uma praça pública em Jeddah, a segunda maior cidade da Arábia Saudita. A sessão seguinte foi suspensa por "recomendação médica" e desde então, as sessões foram adiadas sem explicação oficial.
A condenação internacional das Nações Unidas e da União Europeia, entre outros, ante a punição foi reforçada depois da divulgação de um vídeo com imagens da flagelação, gravado por celular. As imagens mostram como um membro das forças de segurança chicoteia o blogueiro. Desde então, toda sexta-feira há uma concentração de pessoas em frente a embaixadas sauditas em várias capitais europeias, bem como nos Estados Unidos e Canadá.
Autoridades do reino wahhabi rejeitaram as críticas. Em março, o Ministério das Relações Exteriores emitiu uma nota alegando ingerência em assuntos internos.

terça-feira, 9 de junho de 2015

LIBERDADE PARA ASIA BIBI no Paquistão





ASSINE ESTA PETIÇÃO AGORA!

CitizenGO protegerá sua privacidade e lhe manterá informado/a sobre esta e outras campanhas.
Suprema Corte do Paquistão
Peço que a Suprema Corte do Paquistão reconheça os fragmentos do documentário Liberdade para Asia Bibi como evidências no caso de Asia Bibi.
O filme inclui afirmações de dois dos princiáis acusadores de Asia Bibi: Mohammed Idris (o proprietário da planatação onde Asia supostamente cometeu o crime de blasfêmia) e Mohammed Salim (o imã local). Ambos admitem que não ouviram Asia Bibi as palavras blasfematórias das quais ela é acusada.
Essa nova evidência faz com que o caso tenha de ser analisado novamente. Creio que, à luz da nova evidência, a sentença injusta dada a Asia Bibi pode ser revogada. 
Atenciosamente,
[Seu nome]