terça-feira, 28 de abril de 2015

Os amigos do Amém

Há dois tipos de amizades que denomino por AMIZADE DO AMÉM.
Uma refere-se `aquelas pessoas que se congregam em uma mesma igreja ou paróquia, como quiserem chamar, e possuem fé semelhante, mas com projetos de vida diferentes, os quais as partes não têm o mínimo interesse em conhecer.
Estas amizades adotam uma irmandade que passa por cima das diferenças de visões do mundo, em prol de uma fé comum.
São amigos porque estão na Igreja, mas não se confrontam em suas leituras de projetos de vida, se estão mais de acordo ou em desacordo com a sua fé.
A fé destas pessoas é desvinculada da vida social, é mais intimista, e desconsidera o tecido social, a política e a História.
São amizades parciais, sem liga, baseadas em crenças desvinculadas de uma compreensão libertadora.
Existem enquanto não existirem crises em suas vidas.
Caso venham, mostrarão suas inconsistências.
Há outro tipo de AMIZADE DE AMÉM.
A amizade da concordância a todo custo.
Uma amizade baseada num aprisionamento da crença a algum pastor ou padre, que a manterá enjaulada em sua igreja ou paróquia.
Não é uma amizade que leve ao discipulado, `a libertação do fiel, `a transformação do fiel em discípulo que sairá pelo mundo transformando-o.
Amizade escravista, que subordina a crença do fiel a um sem número de normas e preceitos muito particulares daquela localidade, até torná-lo subserviente.

domingo, 26 de abril de 2015

Memória

O que sobrou
daquele encantamento
que prendia os olhos,
e o galho de árvore
que servia de balança
quando caminhava
para a escola?

O que ficou 
daquela juventude,
das peladas,
a família reunida?

E os sonhos
onde estão
com suas
mágicas
de transformar
a vida,
vocês tem notícia?

Pedaços de vida
despregam-se
sem gravidade.
despedindo-se
distraidamente
em rotas
transcendentais.

Os amigos
foram descendo
em várias estações:
a ideológica
a profissional
familiar,
etária
tantas quantas
separações existirem.

Nunca mais foram 
encontrados,
senão por um deslise
do tempo.

Talvez colidam-se
em alguma
derradeira
realização, 
a realização
das realizações.

Talvez se percam
mesmo
e tudo não seria mais
do que vapor
e matéria
em mutação
indefinível.

Alguém
lança
uma pergunta
aqui e acolá,
mas a maioria
sequer se 
da conta
disto
que já esqueci.

Até este poema
está por terminar...

João Paulo Naves Fernandes - 26/04/2015

sábado, 25 de abril de 2015

Abel Ferreira - Chorando baixinho (chorinho)

Canhoto da Paraíba - Tua imagem (choro - 1977)

Guardando o dia


Hoje faço 
um luto interior,
de ausência de vida
e questionamentos
ao mundo.

Um luto
inquisidor
e impotente,
como a lua
que banha 
o mar.

Há revoltas
programadas,
reconciliações
suspensas,
convívios
perscrutados.

Tudo numa dimensão
fotográfica,
suspensa.

Quisera
a loucura
dos instantes
e os olhares
derramados
nos vales...

Mas não...
encerra-se
em mim
um pórtico.

Um Alferes
cala-se.

João Paulo Naves Fernandes (em memória de José Luiz Naves Fernandes)

quinta-feira, 9 de abril de 2015

Sindicatos e movimentos sociais vão às ruas dia 15 por direitos trabalhistas

CONTRA TERCEIRIZAÇÃO

por Redação da RBA publicado 08/04/2015 18:36, última modificação 08/04/2015 18:37

LUCIO BERNARDO JR./ CÂMARA DOS DEPUTADOS
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Em dezembro de 2013, os trabalhadores terceirizados recebiam 24,7% a menos do que os contratados diretos
São Paulo – Uma associação de 21 movimentos sociais, partidos políticos, pastorais sociais e centrais sindicais – entre eles o MTST, a CUT, o MST – organizarão um ato no próxima quarta-feira (15) contra o projeto de lei das terceirizações (PL 4.330) e a redução da maioridade penal e em defesa da reforma política, do fim do financiamento privado de campanhas e pela taxação de grandes fortunas. Em São Paulo, a concentração será às 17h, no Largo da Batata, na zona oeste da capital.
Ocorrerão mobilizações também no Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Fortaleza e Curitiba. A CUT propõe que seja um dia nacional de paralisações contra o PL das terceirizações. De acordo com a entidade, o projeto não melhora as condições de trabalho dos 12,7 milhões de terceirizados (26,8% dos trabalhadores) e ainda amplia a possibilidade de estender esse modelo de contratação para a atividade-fim da empresa, o que hoje é proibido no Brasil. "Fragmenta também a representação sindical e legaliza a diferença de tratamento e direitos entre contratados diretos e terceirizados", aponta, em nota.
"De um lado uma contraofensiva conservadora, com manifestações que tentam canalizar essa insatisfação para uma agenda de retrocesso. Elas tiveram eco no Congresso Nacional – que tornou-se um reduto do atraso político, sob o comando de (Eduardo) Cunha e Renan Calheiros (ambos do PMDB) – e pautou propostas como: a redução da maioridade penal, a PL 4330 da terceirização, a lei antiterrorismo, a autonomia do BC (Banco Central) e a PEC da Corrupção, que legaliza as doações empresariais para as eleições", afirmam as entidades em nota.
"De outro lado, o ajuste fiscal e as medidas propostas pelo ministro Joaquim Levy reduzem direitos dos trabalhadores, dificultam o acesso a políticas e direitos sociais, corta investimentos para educação e moradia. Associado ao aumento de tarifas, que vem sendo seguido por vários governos estaduais, só agrava a situação do mais pobres. Sem falar na crise da água em São Paulo que é de responsabilidade do governo tucano no estado", segue a nota. "A direita tenta impor a sua agenda política semeando a intolerância e o ódio, propondo políticas que incentivam o racismo, o machismo e a LGBTfobia."
As entidades defendem que o ajuste fiscal proposto pelo governo para conter os efeitos da crise econômica mundial não reduzam os direitos sociais e trabalhistas, nem o corte de investimentos em educação e moradia. "O ajuste deve sim ser feito, mas taxando aqueles que sempre lucraram com as crises. É preciso taxar as grandes fortunas, os lucros e os ganhos com a especulação financeira e na bolsa de valores, limitar a remessa de lucros para o exterior, reduzir drasticamente os juros básicos da economia e uma auditoria da dívida pública", defendem.
Os movimentos reivindicam ainda um programa de reformas estruturais, que inclua alterações na política tributária, reforma agrária e urbana, segurança alimentar e a democratização dos meios de comunicação. Eles pedem o fortalecimento de iniciativas como o projeto da Coalizão Pela Reforma Política Democrática, a campanha por uma constituinte do sistema político e a campanha Devolve Gilmar, que exige a retomada imediata do julgamento do projeto que propõe o fim do financiamento privado de campanhas políticas, que está há um ano parado nas mãos do ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes.
O presidente nacional da CUT, Vagner Freitas, apontou que a luta contra o PL 4.330 é o combate mais importante da atual conjuntura política, porque assola os direitos dos trabalhadores. “Mesmo após o enfrentamento ao Congresso conservador e a truculência da polícia que agrediu nossos militantes, nossa luta vai se intensificar. Vamos cruzar os braços e faremos questão de ir de estado em estado para denunciar os deputados que votarem a favor do projeto para que o povo brasileiro não reeleja os traidores da classe trabalhadora.”

presidente da CTB, Adilson Araújo, ressaltou que ao institucionalizar o trabalho precário no Brasil, o projeto pode levar a economia a um colapso. “Quando você permite que mais de 40 milhões de trabalhadores migrem para um contrato precarizado, você afeta a contribuição ao Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), à Previdência Social e impacta o Sistema Único de Saúde (SUS), já que os terceirizados são as maiores vítimas das doenças ocupacionais e de óbitos no ambiente de trabalho.”

Para o secretário-geral da Intersindical, Edson Carneiro, o Índio, o PL 4.330 irá enfraquecer a capacidade de articulação dos trabalhadores. “Com a generalização da terceirização para todas as atividades, não melhoraremos a vida de quem já é afetado e ainda atacaremos as conquistas das convenções e acordos coletivos. Não temos dúvida do significado desse ataque por parte do Congresso e da importância da unidade contra a fragmentação das organizações trabalhistas e dos fundos essenciais para as políticas públicas.”

Terceirização em números

Como parte da estratégia de luta contra a ampliação da terceirização, a CUT lançou em março deste ano o dossiê “Terceirização e Desenvolvimento: uma conta que não fecha” que comprova: esse modelo de contratação só é bom para quem vê na degradação das condições de trabalho uma forma de lucro.

Segundo o documento, em dezembro de 2013, os trabalhadores terceirizados recebiam 24,7% a menos do que os contratados diretos, realizavam uma jornada semanal de três horas a mais e eram as maiores vítimas de acidentes de trabalho: no setor elétrico, segundo levantamento da Fundação Comitê de Gestão Empresarial (Coge), morreram 3,4 vezes mais terceirizados do que os efetivos nas distribuidoras, geradoras e transmissoras da área de energia elétrica.

Segundo o pesquisador do Centro de Estudos Sindicais e Economia do Trabalho (Cesit), da Unicamp Vitor Filgueiras, “dos dez maiores resgates de trabalhadores em condições análogas à de escravos no Brasil, entre 2010 e 2013, em 90% dos flagrantes, os trabalhadores vitimados eram terceirizados”.