domingo, 30 de março de 2014

FREI TITO DE ALENCAR, ESCREVEU CARTA COM SEU PRÓPRIO SANGUE. FREI TITO DE ALENCAR? PRESENTE!

30 DE MARÇO DE 2014 - 9H19 

Um homem torturado: Nos passos de frei Tito de Alencar 


A prisão de frei Tito de Alencar Lima, jovem dominicano de 24 anos, em São Paulo, na madrugada de quatro de novembro de 1969, foi realizada no contexto da violenta repressão que se abateu sobre os religiosos que participavam da resistência à ditadura. 

Por Leneide Duarte-Plon*  


Os dominicanos do Convento das Perdizes eram próximos da Ação Libertadora Nacional (ALN), organização de luta armada criada por Carlos Marighella, com a qual colaboravam escondendo perseguidos políticos e organizando a fuga pela fronteira de pessoas procuradas pelos órgãos de segurança. Foi o caso de Franklin Martins e de Joaquim Câmara Ferreira, que saíram do Brasil graças à ajuda do jovem Frei Betto, instalado num seminário do Rio Grande do Sul.

Contar a história de Tito é se debruçar sobre o momento histórico da ditadura civil-militar, instalada em plena Guerra Fria, quando a luta contra o comunismo era a principal preocupação do bloco ocidental lide­rado pelos Estados Unidos. A ditadura, que se instalou com o incrível nome de “revolução”, fechou o Parlamento, governou com os atos institucionais e colocou na prisão os opositores políticos que resistiam com ou sem armas.

Frei Tito foi um dos que não se calaram e preferiram combater a ditadura sem armas, com a força das ideias e dos ideais de justiça social. Na Universidade de São Paulo, onde participava ativamente do movimento estudantil, Tito chegou a ter momentos de dúvida e de incerteza sobre a possibilidade de conciliar Marx e Cristo. Assim como ele, outros frades foram encarcerados: eram considerados “terroristas” por terem feito a “opção preferencial pelos pobres” pregada pelo Concílio Vaticano II.

Tempestade de desinformação

O trecho que segue, do capítulo A prisão, narra o fim da Operação Batina Branca, que levou à tortura diversos dominicanos:

Na madrugada de terça-feira, 4 de novembro de 1969, o provincial da Ordem dominicana, frei Domingos Maia Leite, foi acordado por frei Edson Braga de Souza, prior do Convento das Perdizes, que lhe dizia:

– O delegado Fleury está aqui no convento com policiais. Veio prender frei Tito e quer levar você também ao Deops.

Eram três horas da manhã. O provincial trocou de roupa diante de um policial armado, com a metralhadora apontada. Ao descer as escadas, viu frei Tito descendo já algemado, ao lado do delegado Sérgio Paranhos Fleury. Este cercara o prédio de madrugada, dando início à “Operação Batina Branca”, que consistia na invasão do Convento das Perdizes e na prisão dos dominicanos.

No claustro, o policial fez o provincial aguardar por alguns minutos, encostado na parede, de mãos para trás.

Fleury deu ordem aos policiais para colocarem frei Tito no camburão dos presos. Frei Domingos foi no carro do delegado, juntamente com frei Edson. Receberam ordem de sentar-se no banco traseiro da viatura, entre dois policiais armados de metralhadoras. Fleury foi no banco da frente, ao lado do motorista. Além de Tito, foram levados o dominicano italiano Giorgio Callegari e frei Sérgio Lobo.

(…)

O delegado Fleury levou frei Domingos a uma grande sala. Eufórico, apresentou-lhe três senhores em trajes civis: um oficial do Exército, um da Marinha e outro da Aeronáutica. Fleury se dirigiu a todos:

– A cabamos de prender os dominicanos. Através deles, vamos pegar o Marighella.

(…)

No interrogatório de Tito, Fleury lhe disse:

– Ivo e Fernando foram submetidos ao soro da verdade e já falaram.

Como o frade continuasse impassível durante duas horas, Fleury mandou levarem Tito para a sala de tortura, onde se encontravam umas cinco pessoas que começaram a lhe dar socos, antes de colocá-lo no pau de arara.

No interrogatório de Frei Betto, preso dias depois no Rio Grande do Sul, referindo-se a Marighella, o delegado quis saber como um cristão pode colaborar com um comunista. Frei Betto, que definira Marighella, momentos antes, como “um homem sedento de justiça, que entregou a vida pela causa do povo”, respondeu:

– Para mim, os homens não se dividem entre crentes e ateus, mas sim entre opressores e oprimidos, entre quem quer conservar a sociedade injusta e quem quer lutar pela justiça.

Os serviços de informação já espionavam os dominicanos meses antes da “Operação Batina Branca”. Com a prisão de frei Ivo e frei Fernando, no Rio, o delegado Fleury montou uma armadilha para Marighella, fuzilado na Alameda Casa Branca, em São Paulo, na noite de quatro de novembro.

No mesmo dia, a polícia distribuiu, como um troféu, a foto do revolucionário morto, dentro de um Fusca. E começou uma batalha de desinformação, narrada no livro:

Mal terminada a emboscada que comandara, Fleury começou a bombardear a imprensa com a versão da traição dos dominicanos. Os frades da ALN eram ora “terroristas” ora “Judas”. Todos os jornais aderiram à versão de que os dominicanos haviam traído Marighella.

As manchetes associavam as palavras “frades” e “terror”.

O Globo deu na primeira página a fotografia do convento dos dominicanos com a manchete: “Aqui se escondiam os terroristas”

Começava a campanha da ditadura para desmoralizar os dominicanos, responsabilizando-os pela queda do “inimigo público número 1” (cujo nome os jornais grafavam com um único l). A ditadura tentava dividir a esquerda, ao apresentar os frades como “traidores”.

“Os padres comandam o terror que matou Marighela?” (O Estado de S. Paulo – 5.11.69)

“E os frades o traíram. Foi assim.” (Jornal da Tarde – 5.11.69)

“Como Marighela foi traído pelo terror” (Jornal da Tarde – 5.11.69)

“Marighela encontra seus amigos frades. E depois cai morto” (Jornal da Tarde – 5.11.69)

“O padre fala. É a sentença de morte de Marighela” (Jornal da Tarde – 6.11.69)

Ao comentar como a imprensa aderiu à diabolização dos frades construída pelo regime ditatorial, o ex-frade Roberto Romano observa:

“Eles não agiram como jornalistas. Agiram como carrascos e torturadores.”

Nesse quadro, o Jornal do Brasil foi quem deu a manchete mais sóbria:

“Morte de Marighella inicia desarticulação terrorista” (5.12.69).

No meio da tempestade de desinformação desencadeada pela execução de Marighella, o editorial “O beijo de Judas”, publicado no dia seis de novembro, no jornal carioca O Globo, foi um caso à parte. Poderia ter sido escrito pelos carrascos.

A lógica do sistema

É sabido que a censura controlava todos os órgãos de imprensa e os jornalistas se curvavam às imposições do poder. Naquele contexto, os jornais foram obrigados a assimilar a língua moldada pelo regime na qual os revolucionários eram “terroristas”. Quando um guerrilheiro morria fuzilado ou sob tortura, a imprensa anunciava a “morte de terrorista em troca de tiros com a polícia ao reagir à prisão”. Mesmo que conhecesse a informação verdadeira, era a versão policial que a mídia publicava.

Assim como os nazistas e com os mesmos fins de propaganda, a ditadura brasileira também tentou reconstruir a língua. Nesse projeto de tortura semântica, o golpe de Estado vira “revolução”, os verdadeiros revolucionários se tornam “terroristas”, os golpistas são chamados de “revolucionários” e os que fazem passeatas e manifestações, “baderneiros”. Na Alemanha, a “novilíngua”, criada pelo nazismo e utilizada como meio de propaganda, foi brilhantemente decriptada na obra do filólogo Victor Klemperer, Lingua Tertii Imperii.

Incluído a contragosto no grupo de 70 presos políticos trocados pelo embaixador suíço, que havia sido sequestrado por um grupo de guerrilheiros, Tito de Alencar embarcou em janeiro de 1971 para Santiago do Chile. Mas não encontrou a serenidade fora das grades. Destruído psicologicamente na tortura, banido pela lei de seu país, não pôde recobrar seu equilíbrio. Como o filósofo Jean Améry, codinome do resistente e escritor austríaco Hans Mayer, Tito “não tinha mais seu lugar no mundo”. E como Améry, que se tornou amigo de Primo Lévi em Auschwitz, buscou na morte a liberdade.

Naquele agosto de 1974, o militante político e revolucionário não tinha mais forças para lutar. O jovem poeta e místico, que pensou um dia se tornar eremita, percebeu que não conseguia viver sozinho, em meditação e oração. Levara do Brasil seus carrascos, que lhe invadiam os sonhos e lhe infernizavam os momentos de vigília. Ele, como seus confrades, sabia que não havia traído nem Jesus nem Marighella. Mas, nos seus pesadelos, os carrascos teimavam em repetir a mesma mentira.

“Quem provocou a morte de Tito foi aquele que morava nele, no seu íntimo e que representa, na pessoa de Fleury, um sistema que desde o Brasil se expande para toda a América Latina, fazendo-nos lembrar o que conhecemos na Europa durante o nazismo. As torturas não nascem casualmente, são produto de um sistema e se desenvolvem dentro da lógica desse sistema”, afirmou frère Paul Blanquart, no dia 22 de outubro de 1974, em Roma.

Marca indelével

Para seguir os passos de Tito de Alencar Lima desde o dia em que foi preso até o dia de sua morte, aos 28 anos, num dia de verão, na França, foi preciso ouvir o testemunho dos frades e dos militantes que estiveram presos com ele em São Paulo, mas também de alguns dos 70 prisioneiros políticos que saíram no voo para Santiago, trocados pela libertação do embaixador suíço Giovanni Enrico Bücher. Os frades que o conheceram no Convento de La Tourette, perto de Lyon, eram apenas cinco, em 2012. Em Paris, muitos dos dominicanos que conviveram com ele no Convento Saint-Jacques ainda estão ativos e também puderam testemunhar de sua incapacidade de continuar a viver.

A bibliografia consultada e os refugiados políticos da diáspora brasileira entrevistados permitiram a reconstituição da vida no exílio dos refugiados políticos de diferentes gerações e origens.

O testemunho da irmã de Tito, Nildes, foi fundamental para a reconstituição da vida e do sofrimento do frade no convento francês Sainte-Marie de la Tourette.

O depoimento mais contundente, mais detalhado dos últimos meses de vida de Frei Tito, foi do dominicano Xavier Plassat. O ideal revolucionário, além de uma concepção semelhante do cristianismo, aproximou-os. Antes de conhecer Tito, Plassat já possuía um pôster de Marighella na parede de seu quarto de estudante de Ciências Políticas, em Paris. Depois de acompanhar o corpo de Tito a São Paulo e Fortaleza, em 1983, Plassat emigrou no final dos anos 1980 para prosseguir no Brasil seu engajamento político, a partir de então, na Comissão Pastoral contra o trabalho escravo.

O encontro com o psiquiatra e psicanalista Jean-Claude Rolland, dia 18 de junho de 2011, no V Colóquio da Associação Primo Levi, em Paris, cujo tema era “Linguagem e Violência”, foi determinante para a existência deste livro. Em sua conferência intitulada “Soigner, témoigner” (Cuidar, testemunhar), Rolland analisou o caso Tito de Alencar. Depois da conferência e da projeção do filme Batismo de sangue, baseado no livro homônimo de Frei Betto, houve um debate com o psicanalista e com o realizador do filme, Helvécio Ratton.

Foi ali que Um homem torturado – Nos passos de Frei Tito de Alencar começou a nascer. O título do livro é inspirado num texto que Jean-Claude Rolland escreveu sobre Tito, publicado na Nouvelle Revue de Psychanalyse, em 1986. Nele, o psicanalista escreveu: “Não há nenhuma dúvida de que Tito de Alencar morreu durante suas torturas”.

Tito, um homem torturado, com um traumatismo à flor da pele e um sofrimento incomensurável, marcou para sempre Jean-Claude Rolland, que não se cansa de participar de colóquios no mundo inteiro para testemunhar como a tortura pode deixar marcas indeléveis.

Serviço:
Um homem torturado: nos passos de frei Tito de Alencar, de Leneide Duarte-Plon, Clarisse Meireles, 420 pp., Editora Civilização Brasileira, Rio de Janeiro, 2014; lançamento em 17/4, às 19 horas, na Livraria Travessa do Leblon (Rio)

*É jornalista em Paris


sábado, 29 de março de 2014

Pastor se converte à Igreja Católica após 20 anos em igrejas evangélicas

Pastor, evangélico desde 1994, Adenilton Turquete se converte à Igreja Católica após 20 anos em igrejas evangélicas
Compartilhando a Graça
Hoje faz exatamente 20 anos do meu batismo na Igreja
Assembleia de Deus. Foi em 27 de Março de 1994,
domingo, na igreja sede da Assembleia de Deus no
 Brás (Ministério em Madureira, hoje mais conhecida
como AD Brás).

Foi um momento marcante em minha vida, eu estava
vivendo uma linda experiência de conversão e aquele
 ato batismal era o cumprimento de uma decisão
 tomada poucos meses antes, quando aceitei a
Jesus como meu Salvador. Sempre fui apaixonado
pelo Evangelho desde criança, quando ganhei
minha primeira Bíblia aos sete anos, poderia até
ver isso como uma vocação sacerdotal.

Passados estes vinte anos eu vivo novamente
 a experiência da conversão, mas desta vez
 minha fé me trouxe de volta à Igreja Católica
Apostólica Romana.

No período em que estive na Assembleia de Deus
 participei de grupos de mocidade, fui professor
de Escola Bíblica Dominical e cursei Teologia
(Básico) pela EETAD, curso que deixei pela
metade para viver o meu sonho de trabalhar
em uma emissora de rádio.

Por um período de sete anos eu apresentei
um programa chamado "Jovens Para Cristo",
que era patrocinado pelos membros da igreja.
 Neste período eu trabalhei como funcionário
desta emissora até o seu fechamento pela
Anatel em 2002. Após o fechamento da
 emissora de rádio, passei por um período de
depressão e me afastei da igreja.

Meses depois eu, por conta própria, decidi
procurar uma igreja diferente para frequentar,
um misto de vergonha e orgulho me impediu
de retornar à minha antiga congregação.
Deste tempo, até aqui, fui membro de três
 igrejas diferentes, passei por altos e baixos
na minha fé. Apesar de sucessivas decepções,
aconteceu a maior dádiva da minha vida,
conheci a moça que hoje é minha esposa
e mãe de meu filho. Deus me abençoou
com uma família maravilhosa.

Nestes últimos anos desenvolvi diversas
atividades ministeriais, especialmente
 voltadas para a evangelização de jovens,
também ministrei cursos para formação de
 lideres e obreiros. Até que cheguei ao pastorado,
 fui pastor auxiliar pelo período de um ano e
pastor titular por outro período de um ano em
 uma congregação que inaugurei junto ao
ministério do qual fazia parte.

Pouco depois do nascimento de nosso filho,
por motivos alheios à minha vontade, renunciei
 à direção da igreja que pastoreava e meses
depois entendi que deveria abrir mão do
ministério pastoral. Era dia 12 de Outubro de
 2012 eu preguei o meu último sermão na
 igreja sede da igreja que congregava e
sabia que não retornaria mais a um
púlpito na condição de pastor.

Tudo que eu sempre almejei e alcancei,
deixei pra trás, somente restou em meu
coração a ardente paixão pelo Evangelho
 e minha vida consagrada a Cristo. Ao
 longo desta experiência muita dor, angústia
 e lágrimas derramadas.

Talvez, nesse ponto, você esteja se perguntando
 o motivo de atitudes tão drásticas, tão radicais.
 Tais motivos, claro existem, mas decidi não
falar sobre tais assuntos no momento.

Reencontro com o catolicismo

Fui criado católico, fui batizado, fiz a primeira
comunhão, mas aos 18 anos, nenhum destes
fundamentos fazia o menor sentido pra mim.
Na adolescência fiz parte de movimentos ligados
 à "Teologia da libertação" e com o passar
 do tempo fui me afastando da igreja. Aos 18
 anos aceitei ao convite de um amigo e fui
com sua família a um culto da Assembleia de
Deus, fiquei maravilhado com aquela atmosfera.
Nunca havia sentido uma sensação tão boa,
eu me senti tocado por Deus e aceitei seguir
aquele caminho.

De modo algum eu quero invalidar este processo
de conversão. Foi uma experiência real,

verdadeira e produziu frutos em minha vida.

Porém, não é segredo para ninguém que a
 expansão do Protestantismo no Brasil,
especialmente o ramo pentecostal, se deu
 por conta de uma visão anti-católica que,
baseada em textos bíblicos, proclamava a
verdadeira salvação por meio apenas de
igrejas pertencentes a este seguimento.
Igreja Católica era sinônimo de idolatria e
o Papa, o próprio Anti-cristo.
Passei a ver o catolicismo como uma religião
 idólatra e anti-bíblica. Por anos tive esta visão
 e convicção.
No auge da rede social Orkut, entrei em uma
comunidade de debates entre católicos e evangélicos
. A comunidade "Debate Católicos e Evangélicos"
carinhosamente chamada de "DC&E" congregava
um número interessante de pessoas tanto católicos
quanto evangélicos, ali tínhamos debates
teológicos de grandeza magistral, mas também
 exemplos extremistas de fundamentalismo
religioso, de ambas as partes.

Logo em minha primeira participação na
comunidade entrei em um tópico que debatia
 algo sobre as Escrituras, fui logo confrontando
 e declarando de que adiantava debater sobre
a Bíblia e não acreditar, nem fazer o que ela
mandava.

Naquele dia eu levei a maior surra de interpretação
bíblica, apanhei até cansar de um católico chamado
 Paulo, mais conhecido como Confrade. Eu não
tinha argumentos, mesmo sendo um leitor ativo da
 Bíblia, me considerando apto a debater as
Escrituras, eu fui calado pela sabedoria e
conhecimento daquele rapaz. Derrotado, pedi
perdão pelo equívoco...

Passei e estudar com mais afinco o catolicismo, seus costumes, o Magistério, a Tradição, os dogmas, especialmente os ligados a Maria, mãe do Mestre.

O efeito disso foi a anulação do sentimento
anti-catolicismo adquirido e o início de uma
 fase de fraternidade e aprendizado. Porém,
 nunca concebi a ideia de me tornar católico
novamente. Deste período de debates
surgiram amizades, encontros, como o
da foto abaixo.

Esta imagem é um registro histórico de um dos orkontros realizados pelos membros da comunidade. Este foi o primeiro em São Paulo, havendo outros no Rio de Janeiro e algumas outras cidades do Brasil.











comunidade foi fundamental para renovar
 a minha mente. Passei a enxergar a Igreja
 Católica com a Igreja de Cristo, todo protestante
 deve entender que, sem ela, o Evangelho não
 nos alcançaria.

No entanto foram necessários alguns anos para
 que eu entendesse que deveria regressar à
 Igreja mãe. Foram necessárias várias decepções,
muitas frustrações, para poder abrir o meu coração
 e conceber que meu lugar é na Igreja Católica.

Após renunciar ao pastorado e à direção de uma
 igreja, eu me desintegrei. Não queria mais saber
de templos e religião institucionalizada.

Decidi romper com a religião. Eu tinha a minha fé,
acreditava em Deus e viveria para fazer o bem e
por minha família. Não queria mais vínculo com
denominação alguma, minha religião era Cristo,
e pronto.

Iniciei o projeto deste blog [Compartilhando a Graça],
compartilhando textos com amigos do Facebook.
Comecei a escrever sobre a fé cristã, postar
reportagens e notícias sobre os cristianismo,
inclusive algumas polêmicas e escândalos.

Até que um belo dia escrevi o texto Castel Gandolfo:
Onde o Papa passa as férias. Isso foi no dia 11 de
 Janeiro de 2013, no início da noite.

Foi uma noite mal dormida, pois sonhei com o
Papa Bento XVI e a ideia de ser novamente um
católico. Cheguei a comentar com minha esposa: "...
 e se eu voltasse para Igreja Católica?"

A ideia se transformou em desejo, e o desejo,
decisão. Eu comecei a compartilhar isso com
 meu amigo Marcio Araújo, mais um remanescente
 da "DC&E", e desde então ele tem me ajudado.
 Márcio é dono da página Beleza da Igreja Católica
 e tem sido um grande incentivador da minha jornada.
Pouco tempo depois criei a página Francisco, o 
Papa da humildade, fiquei maravilhado com a mensagem cristocêntrica do Papa, só faltava conferir se a Igreja
correspondia a tamanho entusiasmo.

Comecei a participar da Missa, mas mantive a
 discrição. No início ia para observar, mas, com
o passar do tempo, eu já estava envolvido de
corpo e alma. Um determinado dia marquei uma
 reunião com o padre Douglas, pároco da nossa
 região. O recebi em minha casa para um café da
 manhã e conversamos bastante.

Foi muito especial, contei a ele minha história e
tenho recebido o seu apoio e instrução, iniciei
 o curso de Crisma a pouco dias em uma classe
 de Catequese voltada para os adultos. Estou
 vivendo intensamente este processo de conversão,
aprendendo a viver esta fé milenar em sua plenitude.

Se alguém tiver alguma pergunta a me fazer ou
comentário específico, por favor envie email paraatusturquete@hotmail.com ou me adicione no Facebook: https://www.facebook.com/atusturquete

Não responderei a anônimos e nem tenho a
 intenção de fazer comentário agressivos à fé
de quaisquer.

(Compartilhando a Graça)

sexta-feira, 28 de março de 2014

papa Francisco surpreendeu seu próprio mestre de cerimônias 
nesta sexta-feira ao confessar seus pecados a um sacerdote na 
Basílica de São Pedro.
Obama ao papa Francisco em visita ao Vaticano: 
AP
Papa Francisco confessa na Basílica de São Pedro, Vaticano
O papa presidia uma missa para mostrar a importância que ele atribui 
ao sacramento da reconciliação, comumente conhecido como confissão.
Depois de ler um sermão, ele deveria ter ido a um confessionário vazio
 para ouvir confissões dos fiéis comuns, enquanto cerca de 60 sacerdotes
 espalhados ao redor da enorme igreja faziam o mesmo.
Seu mestre de cerimônias, monsenhor Guido Marini, apontou a cabine
 vazia ao papa, mas Francisco foi direto para outra, ajoelhou-se diante
de um sacerdote surpreso e confessou a ele por alguns minutos.
O papa, então, voltou para a cabine vazia e ouviu as confissões de
 um número de fiéis. Francisco se confessa regularmente, mas em 
privado.

Cáritas: um milhão e meio de lares espanhóis sofre exclusão social severa

Documento "Análise e Perspectivas 2014" evidencia cenário social de pobreza crescente
Por Ivan de Vargas
MADRI, 28 de Março de 2014 (Zenit.org) - Pelo menos um milhão e meio de lares espanhóis sofrem uma situação de exclusão social severa: o número é 69,8% maior que em 2007, conforme destacado pela Cáritas Espanhola no estudo “Análise e Perspectivas 2014”, da Fundação FOESSA, apresentado nesta quinta-feira em Madri.
"É urgente uma aposta firme na coesão social", declarou Francisco Lorenzo, coordenador da equipe de estudos da Cáritas, que também alertou: "Se não agirmos agora, as consequências serão mais graves dentro de poucos anos".
Lorenzo, que se mostrou otimista com a superação desta situação mediante "políticas redistributivas que favoreçam os mais afetados", propôs ainda uma possível solução para eliminar por completo a exclusão severa no país.
"Com 2,6 bilhões de euros, a exclusão severa poderia ser eliminada na Espanha. É menos que o valor necessário para a recuperação das rodovias", comparou o especialista.
Guillermo Fernández, técnico da equipe de estudos da Cáritas, convidou as principais forças políticas a "lançar um pacto de Estado contra a pobreza".
A exclusão social severa afeta mais de cinco milhões de pessoas na Espanha, um aumento de 82,6% em comparação com 2007. O informe também indica que 11,7 milhões de pessoas no país são afetadas atualmente por diversos processos de exclusão social. São 4,4 milhões a mais que em 2007, um aumento de 60,6%, qualificado como "enorme" pela organização social e caritativa da Igreja e causado pela deterioração de três pilares do bem-estar social: o emprego, a moradia e a saúde.
Apesar de a crise econômica ter provocado um aumento da exclusão social e da precariedade, os especialistas observam que o estudo também reflete a melhoria de alguns aspectos sociais, como "o fortalecimento das relações familiares e a redução do isolamento".

Com que roupa eu vou? Com aquela que eu quiser!


cinthia3Na última quinta-feira (27), o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) publicou um estudo que revela o conservadorismo da população brasileira em relação às mulheres e o desconhecimento de seus direitos.
Do universo pesquisado, 42,7% da população concorda totalmente que “mulheres que usam roupas que mostram o corpo merecem ser atacadas'' e 22,4% concordam parcialmente com a afirmação. Já 35,3% concordam totalmente que “se as mulheres soubessem como se comportar, haveria menos estupros. ’’
Os dados são preocupantes, porque evidenciam um comportamento doentio e sexista, de uma parcela significativa da sociedade que estimula a violência contra as mulheres.
Entretanto, quem se espanta com esse estudo não conhece, ou finge não ver, a realidade onde homens e mulheres imbuídos de ideias conservadoras, machistas e retrógradas, colocam no banco dos réus a mulher, pelo simples fato de ser mulher e ser dona de seu corpo, de sua vida.
Num momento em que encoxadores e molestadores de transporte público ocupam os noticiários e as páginas da grande imprensa, o estudo do Ipea comprova o cenário, que há anos o movimento feminista denuncia e tenta mudar, construído pelas mentes machistas e patriarcais da sociedade brasileira que vê as mulheres como culpadas pela violência cotidiana que enfrentam.
Por que Marchas das Vadias se proliferam mundo afora? Porque a mulher convive com o assédio em seu cotidiano: no ambiente de trabalho, no transporte público, em casa, ou seja, em todos os lugares. As mulheres sempre são colocadas à prova para provar o seu valor e defender seus direitos.
A mudança desse quadro requer o combate à violência contra a mulher com a punição dos agressores e a implantação de políticas públicas articuladas que fortaleçam o papel da mulher e promovam a igualdade de direitos.
Mulheres são donas de seu corpo, estejam nuas ou não, estejam onde e como estiverem. Assim como devem ter direito ao aborto, outro tema que abala e causa efervescência na sociedade.
Portanto, é inadmissível que, em pleno século XI, sejamos queimadas na fogueira pelo tipo de roupa que vestimos ou como nos comportamos.
Somos mulheres que arregaçam as mangas para lutar, trabalhar e conquistar vitórias. E vamos continuar lutando, com unhas e dentes para defender esse direito.

Cinthia Ribas é jornalista do Portal CTB

quinta-feira, 27 de março de 2014

Egito: o bispo de Assiut se mostra contrário à execução de 529 muçulmanos

Muitos dos condenados à morte possivelmente atacaram cristãos coptas e as suas igrejas
Por Ivan de Vargas
 27 de Março de 2014 (Zenit.org) - O Supremo Tribunal do Egito ordenou nesta segunda-feira (24) a morte mais massiva da história moderna do país. Um total de 529 pessoas foram condenadas à pena de morte capital pelo ataque a uma delegacia de polícia na província do sul de Minya, em meados de agosto, no qual morreu um coronel da polícia. Mais de 300 dos acusados ​​foram julgados à revelia , em julgamento que levantou muita controvérsia por sua falta de garantias processuais.
"É duvidoso que esta sentença seja aplicada. Quase certo que será anulada. Mas é muito preocupante o fato de que tenha sido declarada”, tuitou o analista político H.A. Heller, de Brookings Institution.
Além disso, diferentes organizações responsáveis ​​pela defesa dos direitos humanos coincidiram em destacar que o judiciário egípcio está altamente politizado e não é realmente independente do poder executivo, protegido pelos militares.
"Mesmo que sejam julgados à revelia não se pode condenar à morte 529 réus em três dias", disse Al Ahram Gamal Eid, diretor da Rede Árabe para a Informação dos Direitos Humanos. Em sua opinião, o veredicto é "um desastre" e "um escândalo" para o Egito.
Enquanto isso, Nasser Amin, membro do Conselho Nacional para os Direitos Humanos, disse em sua conta do Twitter que esta decisão judicial será "cancelada" quando os recorrentes solicitarem um novo julgamento.
Espera-se que os advogados de defesa recorram ao veredicto nos próximos dias. Segundo a lei egípcia, toda pena de morte firme deve contar com a ratificação do Grande Muftí da República, uma autoridade religiosa, antes de ser executada.
O referido ataque foi realizado horas depois de que o desmantelamento dos acampamentos em Raba el Adawiya pelo Exército acabou em um massacre de seguidores dos Irmãos Muçulmanos. Morreram centenas de islamistas que já estavam a um mês e meio concentrados no protesto pela derrubada do presidente Mohamed Morsi. Como retaliação, os seguidores de Morsi atacaram várias delegacias e igrejas, principalmente nas áreas de Minya , Assiut e Sohag.
Apesar de que, provavelmente, muitos desses condenados à morte estiveram implicados em vários atos de violência dos Irmãos Muçulmanos contra os cristãos, o bispo copto-católico de Assiut, monsenhor Kyrillos William se manifestou contra a sua execução e contra a pena de morte em geral, em declarações recolhidas por Fides.
"A situação é complicada. Por um lado, está a dureza deste julgamento, que não é definitivo, e é preciso esperar. De qualquer forma, a Igreja é contra a pena de morte. Desde o ponto de vista da consciência cristã, a condenação capital não pode representar nunca um caminho para resolver os problemas de forma justa”, explicou.
"Muitos duvidam que o Grande Muftí confirme as condenações. Já em outras ocasiões os juízes que emitiram a sentença se distinguiram por terem aplicados penas duríssimas. Muitos pedem que seja aplicada penas exemplares contra a violência sectária. Mas a pena de morte não pode representar uma solução”, insistiu o bispo de Assiut.
São João Eudes (1601-1680), presbítero, pregador, fundador de institutos religiosos
O Reino de Jesus, 3-4 (trad. Breviário)
«O Reino de Deus já chegou até vós»
Devemos continuar a completar em nós os estados e mistérios da vida de Cristo e pedir-Lhe continuamente que Se digne consumá-los perfeitamente em nós e em toda a sua Igreja. Os mistérios de Jesus não chegaram ainda à sua total perfeição e plenitude. Chegaram certamente à sua perfeição e plenitude na pessoa de Jesus, mas não em nós, que somos seus membros, nem na Igreja, que é o seu corpo místico (Ef 5,30). Na verdade, o Filho de Deus deseja […] prolongar em certo modo os seus mistérios em nós e em toda a Igreja […]; quer completá-los em nós. Por isso diz São Paulo que Cristo realiza a sua plenitude na Igreja e que todos nós contribuímos para a sua edificação e para a idade da sua plenitude (Ef 4,13) […]. Também noutro lugar diz o mesmo apóstolo que completa na sua carne o que falta à Paixão de Cristo (Col 1,24).
Deste modo, o Filho de Deus determinou consumar e completar em nós todos os estados e mistérios da sua vida. Quer levar à plenitude em nós o mistério da sua encarnação, do seu nascimento, da sua vida oculta, e realiza-o formando-Se em nós e renascendo em nossas almas pelos santos sacramentos do baptismo e da sagrada eucaristia, e fazendo-nos viver uma vida espiritual e interior escondida com Ele em Deus. Quer completar em nós o mistério da sua Paixão, morte e ressurreição, fazendo-nos padecer, morrer e ressuscitar com Ele. Finalmente, quer realizar em nós o estado da sua vida gloriosa e mortal, quando nos fizer viver com Ele e nele uma vida gloriosa e imortal nos céus. […]
Neste sentido, os mistérios de Cristo não chegarão à sua plenitude senão no fim dos tempos, por Ele determinado para a realização plena dos seus mistérios em nós e na Igreja, isto é, no fim do mundo.
"Sabia que a religião é uma linguagem? Um jeito de falar sobre o mundo... Em tudo, a presença da esperança e do sentido... Religião é tapeçaria que a esperança constrói com palavras. E sobre estas redes as pessoas se deitam. É. Deitam-se sobre palavras amarradas umas nas outras. Como é que as palavras se amarram?"
Rubem Alves in O Suspiro dos Oprimidos

Estudo do Ipea aponta que para 42,7% dos brasileiros "mulheres que usam roupas que mostram o corpo merecem ser atacadas"


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Mulheres são consideradas responsáveis por violência sofrida, mostra pesquisa
A maioria dos brasileiros ainda considera a mulher como responsável pela violência sexual, de acordo com estudo divulgado nesta quinta-feira (27) pelo Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea). Para a pesquisa, foram entrevistadas 3.810 pessoas entre maio e junho do ano passado. 
Para 35,3% dos entrevistados, "se as mulheres soubessem se comportar, haveria menos estupros" e para 42,7%, "mulheres que usam roupas que mostram o corpo merecem ser atacadas". Esta é a parcela que concordou totalmente com as afirmações. Jovens e moradores das regiões sul e sudeste têm menos chances de culpar o comportamento feminino pela violência sexual. A chance também é menor à medida em que aumenta o nivel educacional do entrevistado. Católicos têm chances 1,4 maior de concordar total ou parcialmente com a afirmação. Entre evangélicos, a chance é 1,5 vez maior.
Mais:
O estudo aponta ambiguidade no discurso do brasileiro. Enquanto 91% dos entrevistados concordam total ou parcialmente que "homem que bate na esposa tem que ir para a cadeia", 66,6% acreditam que roupa suja se lava em casa", 47,2% consideram que "em briga de marido e mulher, ninguém mete a colher" e outros 58,3% atestam que "o que acontece com o casal em casa não interessa aos outros". Ao mesmo tempo em que se considera que desavenças familiares devem ser resolvidas de forma privada, a punição de maridos agressores com prisão tem grande aceitação.
Para 40,9%, a concordância é total com a afirmação "os homens devem ser a cabeça do lar". O mesmo acontece com os 50,9% que consideram que "toda mulher sonha em se casar" e com os 28,6% que acreditam que "uma mulher só se sente realizada quando tem filhos".
De acordo com o estudo, 56,9% dos brasileiros discordam totalmente que "a questão da violência contra as mulheres recebe mais importância do que merece" e outros 54% contestam a afirmação "mulher casada deve satisfazer o marido na cama, mesmo quando não tem vontade". Além disso, 89% discordaram totalmente com a frase "um homem pode xingar e gritar com sua própria mulher”.

quarta-feira, 26 de março de 2014

Lobos e cordeiros nos ataques especulativos à Petrobras


26 DE MARÇO DE 2014 - 20H27 

Já que não há no horizonte fatores capazes de provocar a chamada 'tempestade perfeita', resta à oposição fazer tempestade em copo d'água com a refinaria de Pasadena


Por Helena Sthephanowitz*


Mesmo com um noticiário político adverso, explorando ou especulando sobre a participação de Dilma Rousseff no episódio da compra da refinaria de Pasadena, no Texas, as ações da Petrobras registram alta nas bolsas de valores, resultado de uma procura maior pelo papel.

Alguns lobos do mercado espalharam o boato de que as ações haviam subido porque uma pesquisa do Ibope sobre a corrida presidencial iria mostrar queda na diferença entre as intenções de votos de Dilma e dos candidatos da oposição. Uma versão dizia que Aécio Neves teria subido 8 pontos, outra versão dizia que a presidenta teria caído alguma coisa, enquanto os dois candidatos de oposição teriam subido, sem especificar números.

Provocou desconfiança essa versão de que profissionais de mercado experientes fariam um movimento brusco no mercado por um boato de uma pesquisa que nem sequer traria resultados tão favoráveis assim à oposição. Era até possível que os cordeiros do mercado (ou seja, os mais ingênuos e menos experientes) se impressionassem com os boatos. Mas até isso gerou desconfiança.

Quando as bolsas não estão aquecidas, como é o momento atual, é raro haver um efeito de "estouro de manada", quando todos saem comprando ações. É mais comum haver esse efeito ao contrário, quando os cordeiros saem vendendo apressadamente diante de um boato de que as ações vão cair.

Na noite de quinta-feira (20), após o fim do pregão, a pesquisa Ibope foi divulgada mostrando todos os candidatos estáveis em relação à pesquisa anterior, persistindo o amplo favoritismo da atual presidenta. Boatos frustrados.

Agora pensemos. Se de fato as cotações tivessem subido por conta desses boatos, deveriam ter caído no dia seguinte, com os números da pesquisa eleitoral já conhecidos, e estabilizar em patamares menores logo em seguida.

De fato, o pregão de sexta-feira abriu com as ações caindo quase o tanto que subiram na véspera. Mas logo em seguida o pregão virou para recuperar a queda e fechar em alta de 0,21%.

Moral da história: muito provavelmente os cordeiros que haviam acreditado no boato saíram vendendo atabalhoadamente, assim que abriu o pregão, fazendo a cotação cair logo cedo. E muito provavelmente os lobos – que espalharam os boatos e já tinham planos de comprar mais ações na sexta-feira, como vinham fazendo durante a semana inteira –, aproveitaram-se do susto dos cordeiros para comprar mais barato.

Pausa para uma questão. Afinal, o que o senador Aécio Neves (PSDB-MG) andou prometendo ao mercado financeiro para que eles fiquem "lambendo os beiços" com as estatais federais? Seria fazer alguma cortesia com o chapéu do patrimônio público do povo, como ocorreu com a privatização da Vale a preço de banana?

Se não for isso, não há motivo de excitação com o tucano. Afinal, analistas de investimentos são praticamente unânimes em prever um futuro brilhante para a Petrobras nos próximos anos em função das reservas de petróleo invejáveis que tem e do cronograma de investimentos que está em curso para mais do que dobrar a produção até 2020.

Para quem tem planos de obter retorno do investimento a médio prazo, as ações da Petrobras atualmente estão sendo consideradas baratas. Só que requer paciência para esperar os próximos anos para realizar um lucro significativo, justamente por a empresa estar investindo muito agora e pagando menos dividendos no curto prazo. Especuladores que giram os investimentos no curto prazo não têm esse perfil, e deixam para investir em ações da Petrobras mais adiante, quando os investimentos estiverem mais próximos de produzir resultados polpudos.

Voltando aos lobos e cordeiros, convenhamos que, se as pesquisas eleitorais fossem tão determinantes assim nas cotações, os institutos seriam contratados diariamente pelos profissionais do mercado financeiro para tomarem suas decisões.

Outro aspecto especulativo já não é mais no mercado financeiro e sim político. Já que não há no horizonte fatores capazes de provocar a chamada "tempestade perfeita" na economia do país para desestabilizar a popularidade da presidenta, resta à oposição fazer tempestade em copo d'água com a refinaria de Pasadena.

Apesar de boa parte das informações sobre a compra ser bastante conhecida, há um enorme esforço na mídia oposicionista para desinformar em vez de esclarecer. O Jornal Nacional omitiu informações da entrevista dada pelo ex-presidente da empresa Sérgio Gabrielli, preferindo fazer intrigas.

Há poucas dúvidas quanto ao valor justo da compra em 2006 e da decisão do investimento ser acertada para a realidade da época, inclusive com o testemunho de megaempresários do setor privado que faziam parte do Conselho de Administração da empresa e aprovaram por unanimidade.

Se restam dúvidas é sobre falha na análise de risco de cláusulas que não foram advertidas ao conselho e vieram a trazer custos maiores do que o previsto, decorrentes da ação judicial posterior. E há dúvidas também se houve dolo por parte de algum diretor ou funcionário. Para isso já há uma auditoria aberta no Tribunal de Contas da União e um procedimento investigativo no Ministério Público Federal desde 2013.

O resto é ataque especulativo, mais uma vez apostando no desconhecimento do público sobre o tema, sobretudo naquela parcela da população sempre disposta a reproduzir as mensagens da chamada grande mídia.

*Colunista do Rede Brasil Atual

Eletropaulo é condenada a pagar R$ 2 milhões por falta de energia

26 DE MARÇO DE 2014 - 10H37 

A AES Eletropaulo, concessionária que atende a Grande São Paulo, foi condenada pela Justiça Federal em São Paulo a pagar R$ 2 milhões por danos morais coletivos. O juiz Djalma Moreira Gomes, titular da 25ª Vara Federal Cível, determinou a indenização, devida ao Fundo de Defesa de Direitos Difusos, por causa dos repetidos blecautes ocorridos em 2009, 2010 e 2011.


Segundo o juiz, as provas apresentadas pelo Procon e pelo estado de São Paulo, autores da ação, comprovam que os consumidores foram afetados diversas vezes pela falta de energia. “Os autos de infração, documentos e reportagens que instruem a exordial [petição inicial] comprovam que a população atendida pela AES Eletropaulo sofreu, especialmente nos anos de 2009, 2010 e 2011, com reiteradas interrupções no fornecimento de energia elétrica”, ressalta o texto da decisão.

O magistrado não aceitou os argumentos da empresa, que culpou as fortes chuvas pelos transtornos. “A requerida demonstrou que no lapso susomencionado [período citado] houve um considerável aumento na quantidade de chuvas, fato este que não é suficiente para eximí-la do dever de reparar [os prejuízos causados]”, acrescentou Gomes. Ele lembrou que houve casos de consumidores que ficaram 77 horas sem luz.

Na decisão, o juiz enfatizou os prejuízos que a falta de energia elétrica causa à população.“É notório que a interrupção do fornecimento de energia elétrica por longo período e reiteradas vezes, acarreta inúmeros prejuízos à população, especialmente pelo reflexo ocasionado na prestação de serviços públicos considerados essenciais”, destacou.

A Eletropaulo disse que vai recorrer da decisão.

Fonte: Agência Brasil

Oposição quer transformar caso da Petrobras em luta eleitoral

26 DE MARÇO DE 2014 - 7H18 

O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo (PT), afirmou nesta terça-feira (25), que a representação protocolada pela oposição na Procuradoria-Geral da República (PGR) para investigar a responsabilidade da presidenta Dilma Rousseff (PT) na compra da refinaria Pasadena pela Petrobras, em 2006, tem "clara intenção" de transformar o caso em "embate político-eleitoral".


"Tenho o dever de informar que nesta representação nenhum fato novo foi apresentado. Nada além daquilo que já havia sido noticiado pela imprensa, nada além do que já está sendo investigado foi acrescentado nesse pedido à PGR e, portanto, nos parece a clara intenção desta representação se projetar na perspectiva de transformar em embate político-eleitoral uma investigação que deve ser feita de maneira absolutamente séria, rigorosa e correta", disse.

"De fato a Astra Oil comprou a empresa Pasadena por US$ 42,5 milhões. Porém a representação omite que US$ 84 milhões foram investidos na empresa pela Astra Oil. Em segundo lugar, há uma imprecisão, ou uma inverdade, como queiram. Se diz que a Petrobras pagou US$ 360 milhões pela empresa. A Petrobras pagou US$ 190 milhões, porque US$ 170 milhões não se referiam propriamente à aquisição da empresa, mas à aquisição de 50% do estoque da empresa", complementou Cardozo.

O ministro ressaltou que "chama atenção que a representação é dirigida exclusivamente à presidenta, quando na verdade os fatos narrados dizem respeito à decisão tomada por um órgão colegiado e que decidiu, solidariamente, por unanimidade". "Não podemos deixar politizar com inverdades como omissões", completou.

CPI


Líderes do PSB na Câmara e no Senado Federal, Beto Albuquerque e Rodrigo Rollemberg, assinaram, nesta terça (25), requerimento para a instalação da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) destinada a investigar a compra da refinaria da Petrobras em Pasadena; com isso, os líderes liberaram suas bancadas para também assinarem o documento; assim, o PSB reforça sua condição de partido de oposição ao governo. 

O PSB passou a fazer sobre as relações entre o governo e a Petrobras as mesmas acusações provenientes do PSDB e do DEM. O partido diz que o “uso político” da empresa é apontado por especialistas como a principal causa das perdas, que tiveram como consequência o afastamento dos investidores. 

Beto Albuquerque (RS) enfatizou a posição do PSB de defender a investigação de todos os fatos que envolvam a estatal brasileira para evitar o "sangramento da empresa”. 

No Senado, o PSB aprovou convite à presidenta da Petrobras, Graça Foster, e ao ministro das Minas e Energia, Edison Lobão, para prestar esclarecimentos sobre a compra da refinaria em Pasadena. Os requerimentos, apresentados pelo senador Rollemberg, foram aprovados na Comissão de Meio Ambiente, Defesa do Consumidor e Fiscalização e Controle (CMA) e também na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE).

O senador Rollemberg e outros parlamentares também levaram pessoalmente ao procurador-geral da República, Rodrigo Janot, uma representação para que o processo de compra da refinaria seja investigado. "Essa é uma questão extremamente grave e envolve uma instituição que é patrimônio de todos os brasileiros. A melhor forma de proteger a Petrobras é colocar luzes em todo esse processo", acredita o senador.

Apuração

No momento em que a oposição no Senado se articula para aprovar uma CPI sobre a Petrobras, a presidente da estatal informa que abriu uma comissão para apurar a compra da refinaria Pasadena, no Texas, e o envolvimento no negócio do ex-diretor Paulo Roberto Costa, preso na Operação Lava Jato da Policia Federal; “É muito importante que se saiba que a Petrobras tem um comando. É uma empresa que tem 85 mil funcionários e tem uma presidente. Sou eu. Eu respondo pela Petrobras. E o que precisa ser investigado é investigado. Eu preciso de uma comissão para me sentir respaldada a discutir Pasadena”, disse.

Em entrevista ao O Globo, Graça confirmou as declarações da presidenta Dilma Rousseff sobre a compra em 2006, de que no resumo executivo não consta a cláusula Marlim, que trata da rentabilidade e garantia o retorno de 6,9% ao ano ao grupo belga Astra, sócio da Petrobras; e não consta o put option, que trata da saída da outra parte da companhia e forçou a estatal a comprar a fatia dos belgas.

Com Brasil 247


terça-feira, 25 de março de 2014

Quênia: pelo menos 5 mortos e 20 feridos em ataque de extremistas islâmicos

Um missionário fala do atentado cometido contra um templo evangélico durante a celebração dominical
Por Redacao
25 de Março de 2014 (Zenit.org) - Um atentado perpetrado ontem no Quênia contra a igreja evangélica de Likoni, durante a celebração de domingo, deixou um saldo de ao menos cinco mortos e vinte feridos.
“Não sabemos quem cometeu o atentado contra a igreja evangélica, mas o mais provável é que se trate de um grupo de fundamentalistas”, declarou a Fides o bispo católico de Malindi e administrador apostólico de Mombasa, dom Emanuel Barbara, que ressaltou que "esses grupos ameaçam inclusive os imãs da região, acusados de ser ‘moderados demais’". Barbara acrescentou que "houve também vários incidentes, ameaças e intimidações contra líderes religiosos muçulmanos locais, na tentativa de forçá-los a pregar uma doutrina radical”.
Um missionário que trabalha em Likoni, ao sul de Mombasa, contou à agência de notícias MISNA sobre o ataque realizado contra a igreja evangélica. “Pouco depois das nove da manhã, ouvimos os primeiros disparos. Houve gritos e muita gente tentando fugir para todos os lados. A nossa comunidade está chocada”, afirmou o padre Joseph Waithaka à MISNA.
O atentado, cometido por homens armados, aconteceu durante o culto dominical. As vítimas são fiéis que estavam em oração. “As últimas informações que circularam ontem falam de cinco pessoas mortas e cerca de vinte feridos”, complementa o interlocutor da MISNA. O centro missionário em que ele trabalha se localiza a apenas 200 metros do alvo do ataque.
“Esta é uma localidade pequena”, explicou o missionário, “nos arredores de uma grande cidade, mas aqui as pessoas vivem em paz, apesar de que, nos últimos anos, não faltam tensões por causa da polêmica intervenção militar do Quênia na Somália”.
Desde que deu início a uma intervenção militar no sul da Somália, em outubro do 2011, o Quênia é alvo de grupos extremistas islâmicos, dos quais o mais conhecido é o Al-Shabaab. O objetivo queniano, com a intervenção, é apoiar o governo central de Mogadíscio diante dos insurgentes somalis.
“Este ataque ainda não foi reivindicado, mas os indícios apontam para o Al-Shabaab. De qualquer modo, as testemunhas afirmam que os jovens que cometeram o massacre eram da Somália”, agrega o religioso.
Foi imediata a condenação do ato “terrorista” por parte das instituições e das autoridades religiosas cristãs e muçulmanas. “Mais uma vez, precisamos destacar que o islã é uma religião de diálogo e de tolerância”, declararam em comunicado os responsáveis pela comunidade muçulmana, “e não tem nada a ver com esses atos de ódio contra os nossos irmãos”. 

A França, após a Ucrânia, será o próximo país europeu a ser governado por fascistas?


Extrema-direita com resultados históricos nas autárquicas francesas
Daniel Ribeiro, correspondente em Paris
21:18 dom, 23 Mar 2014
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A Frente Nacional, de Marine le Pen, atinge votações surpreendentes na primeira volta das eleições municipais. Direita marca pontos e socialistas foram derrotados.
A França está esta noite em estado de choque. O movimento populista, Frente Nacional (FN), dirigido por Marine le Pen, surge em primeiro lugar, na primeira volta das eleições autárquicas, em diversas cidades francesas.
É a primeira vez na história política francesa que a FN alcança resultados tão importantes em eleições municipais, que lhe são tradicionalmente desfavoráveis devido ao sistema eleitoral maioritário a duas voltas e à fraca implantação local do partido nacionalista, que apenas concorreu em 570 dos mais de 36 mil municípios franceses.
Os primeiros resultados da primeira volta destas eleições, cuja segunda volta decorre no próximo domingo, são claramente desfavoráveis aos socialistas, que parecem ter sido vítimas de um importante voto-sanção, devido ao descrédito do Governo e do Presidente François Hollande. As estimativas apontam para uma derrota dos socialistas e para uma vitória da direita da UMP (sarkozysta), que surge em posição de força em diversas cidades.
Devido aos resultados da primeira volta, a FN pode conquistar, no próximo domingo, pela primeira vez na história francesa, uma dezena de câmaras, entre elas Perpignan e Avignon. A direita, apesar dos recentes escândalos que envolveram o ex-Presidente da República, Nicolas Sarkozy, alcançou, em termos nacionais, resultados muito superiores aos socialistas.
No entanto, a FN, porque atingiu mais de 10 por cento dos votos em centenas de localidades, pode manter-se na corrida para o escrutínio decisivo do próximo domingo provocando "triangulares" (com candidatos PS/UMP/FN) de desfecho imprevisível.
Os bons resultados da FN - "estas eleições são uma colheita excecional, os franceses acabam de dizer que conquistaram a sua liberdade", disse esta noite Mairne le Pen - confirmam as tendências para que apontavam algumas sondagens para este escrutínio e para as eleições europeias do próximo mês de maio.
Com efeito, alguns estudos indicam que os nacionalistas podem ser o partido mais votado nas europeias, que decorrem com o sistema proporcional a uma volta, que lhes é muito mais favorável do que o que rege as eleições autárquicas.
Nas maiores cidades francesas, como Paris e Lyon, bastiões dos socialistas, estes parecem estar à frente na primeira volta, segundo estimativas provisórias. No entanto, em Marselha, segunda maior cidade francesa, a FN terá alcançado um resultado inesperado, com o seu candidato a figurar em segundo lugar, atrás do da UMP, relegando o do PS para o terceiro lugar.
Comentando os resultados provisórios, o primeiro-ministro, Jean-Marc Ayrault, reconheceu "uma progressão da FN" e apelou a uma "união dos republicanos" para impedir os nacionalistas de conquistar a presidência de algumas câmaras. Mas Ayrault surgiu esta noite destroçado nas televisões francesas - o seu partido perdeu claramente as autárquicas e ele pode perder o seu lugar numa próxima remodelação, em abril.
Em termos nacionais, a abstenção foi de cerca de 38 por cento e a UMP venceu a primeira volta com 47 por cento dos votos, contra apenas 41 por cento do PS.
A FN obteve sete por cento dos votos - resultado que deve ser relativizado por apenas ter apresentado candidatos em algumas centenas dos municípios. Para as europeias de maio, algumas sondagens dão a FN à frente com 23 por cento, contra 21 por cento para a UMP e 18 por cento para o PS.