segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Presença modesta do Brasil no cenário internacional

Uma das características, entre outras, de mudança na orientação do Governo Dilma, se dá na participação do Itamaraty no cenário internacional.

Diferenciando-se significativamente do governo Lula, o governo Dilma busca novos horizontes, que se confirmam com a vinda de Obama ao Brasil, antes da ida de Dilma aos EUA, que até já foi suspensa.

Seguindo o figurino da nova estratégia dos EUA, de "reconhecer uma multipolaridade consentida", onde nos resta influir sobre a América do Sul, o governo brasileiro está abdicando de manter a forte influência que tinha durante o governo Lula no mundo, e consequentemente, abrindo novos e importantes mercados.

A ausência de posições claras quanto aos conflitos no Oriente Médio, mais algumas declarações gratúitas, como a de Dilma sobre Cuba nos jornais de hoje 31/01/2011, onde afirma que "falhas de Cuba devem ser criticadas", mostram bem a mudança de orientação em política internacional, não sem depois elogiar a "abertura" que está em curso por lá.

O caso Battisti também é emblemático, ao ela lembrar que a questão é do STF, em resposta ao pedófilofascista governo italiano de Berlusconi, que precisa de um assunto para voltar à tona, de suas orgias com brasileiras menores. Não era o caso de se defender as meninas brasileiras que são prostituídas na Europa, servindo de refeição aos apetites dos milionários e políticos de lá?

Embora seja um pouco cedo para afirmar categoricamente estas mudanças, pelos menos ficam apreensões.

Some-se a isto, o fato de não ter participado de reuniões com as centrais sindicais; mas ter criticado em público suas pretenções.  Foi no mínimo, deselegante.

Sua ausência em grande parte do tempo, como se estivesse numa redoma de vidro imposta pelo seu marqueteiro, um rasputin brasileiro, também é preocupante.

Quem é presidente ela ou o seu marqueteiro? O primeiro turno das eleições mostrou o que provoca este distanciamento do povo.

Notamos uma guinada peemedebística mais à direita do seu governo no início do seu mandato.

O Partido dos trabalhadores não se tornou maioria dentro do governo Dilma...

Trabalhadores, ma non troppo.

domingo, 30 de janeiro de 2011

É possível existir a homossexualfobia?

Tanto quanto a homofobia, creio que seja possível existir sim, e penso que seja possível também localizar onde esta homossexualfobia se realiza.

É importante, antes de mais nada afirmar que reconheço o direito à homosexualidade das pessoas.

Não concordo mas reconheço, tendo amigos tanto homossexuais quanto lésbicas, com os quais mantive e mantenho relações de amizade naturais, como as que tenho com heterossexuais.

As relações não devem ser necessariamente medidas pela questão sexual, mas pela integridade completa da pessoa humana, que ultrapassa esta questão.

O Catecismo da Igreja Católica ensina aos seus fiéis que, em relação aos homossexuais, estes "devem ser acolhidos com respeito, compaixão e delicadeza. Evitar-se-á para com eles todo sinal de discriminação injusta", embora considerando ser a hossexualidade "uma inclinação desordenada, contrária à lei natural".

Mas o mundo de hoje tem mudado muito, e todos devem ter seu espaço e seu direito.

Isto não significa que devo concordar com aquele modo de vida, mas defendendo o claro reconhecimento deste direito, como democrata.

Como o movimento dos homossexuais de maneira geral tem crescido e atingido um nível de influência bastante significativo, onde alguns direitos já começam a ser reconhecidos, este reconhecimento tem acontecido, aparentemente, em cima de uma certa "resistência" dos heterossexuais, o que é uma meia verdade.

Porque muitos heterossexuais são à favor da organização e da conquista de direitos dos homossexuais, embora não sendo.

São os chamados "simpatizantes".

Às vezes, entretanto, quando se busca atingir direitos, acaba-se por recriminar os outros pelos direitos não conquistados, e daí vem a  discriminação que se, inicialmente existia contra os homossexuais, agora se volta por provocar o seu contrário, dos homossexuais sobre os héteros.

Tenho visto novelas, ainda que confessando não ser noveleiro, onde o heterossexual é visto como alguém desequilibrado, adúltero, assassino, dominador, imoral, enquanto o homossexual é aquele que tem a paz, a tranquilidade, a inteligência e o equilíbrio.

Neste momento começa a inversão dos papéis, perigosa, que reflete preferências de quem está na direção, ou no papel de autor da novela.

E neste instante o hétero passa a ser discriminado também, e injustamente.

A sociedade democrática brasileira ao começar dar direitos aos homossexuais por uma vida livre, não deve, ao mesmo tempo restringir os direitos dos heterossexuais, que representam a maioria.

O heterossexual deve ter o direito também, como o homossexual, de expressar as suas discordâncias das outras opções sexuais, como qualquer cidadão em uma sociedade democrática,  e fazer as suas justas críticas às discriminações que porventura venham a ocorrer com eles também.

Senão ficaremos com a imagem de que os héteros são os causadores de todos os problemas, o que não é verdade.

Vivemos sim uma sociedade patriarcal, cada vez menor, mas patriarcal ainda, resultado de aspectos culturais e étnicos que se miscigenaram nas várias raças que compõem o povo brasileiro.

Particularmente vejo a família como célula da sociedade, ainda que muitos não acreditem nela, e a família tem o seu maior fundamento na heterossexualidade, até a ciência provar o contrário.

Na sociedade brasileira, a família está cada vez menos patriarcal e mais igualitária, com as mulheres conquistando direitos, mas não nos iludamos, o patriarcalismo permanece, e é milenar se não for ontológico.

Para encerrar, quero deixar a opinião de que há espaço para todos na democracia.

O que não se pode é deixar de ser discriminado para tornar-se um discriminador.

O heterossexual tem o direito de se recusar a manter relações homossexuais, e ser respeitado pela sua posição.

Fico por aqui neste vespeiro.


sábado, 29 de janeiro de 2011

Ditadura egípcia assassina. Posição Dilma!

O ditador Moubarak tem sangue escorrendo de suas mãos. Agora as consequências de sua repressão não ficarão sem resposta.

Enquanto isto o Itamarati não dá nenhuma declaração?

Dilma, solidariedade com as democracias no mundo!

Se os EUA não desejam democracia no Egito, é hora do Brasil se posicionar favoravelmente.

Como em Angola.

Declaração de apoio à democracia no Egito rápido!

Onde está a Dilma?

Estes dias Dilma deu duas bolas fora:

A primeira foi responder às Centrais Sindicais, de que não aumentará o salário mínimo além daquele que o Mânteiga decidiu.  Primeiro que ela não compareceu às reuniões com os sindicalistas, e depois vem a público criticá-los

No governo Lula, o presidente sempre cortava as azinhas do ministro Mânteiga. Agora não, ele é um reizinho.

O segundo, foi responder ao ministro italiano dizendo que o problema da extradição de Césare Battisti é jurídica, num flagrante recuo em relação à decisão de Lula de que o mesmo permaneça no Brasil.

É de conhecimento geral que a acusação de Battisti foi feita com base numa espécie de delação premiada de lá, onde o acusador aponta o outro para se safar ele mesmo de ser incriminado.

E depois vem o governo italiano dizer que é decisão da justiça.

Uma condenação à prisão perpétua nestas condições já é, por si, suspeita.

Battisti é bode espiatório das safadezas de Berlusconi

A permanecer este quadro, se tem a impressão de um golpe por dentro, com o governo Dilma dando uma guinada para a centro-direita, rasgando compromissos de campanha.

Ainda é tempo da presidente sair do ostracismo em que se deixou colocar, numa certa timidez de gestão, e lembrar-se de seus compromissos, como o de erradicar a miséria, e por que não, lembrar-se de que ele também foi presa política e presa por anos.

Nãos se pode esquecer seu passado e deixar outros serem condenados por um governo italiano de característica pedófilofascista.

O governo italiano precisa de um mote para sair do centro das críticas gerais, e este mote é fazer barulho com o caso Césare Battisti.

Acorda Dilma!

Ditador Egípcio se nega a sair

As notícias dão conta de perto de 90 mortos e aproximadamente 1000 feridos.

O ditador Egípcio Hosni Mubarak, há 3 décadas no poder se recusa a sair.

Faz uma arranjo de substituição geral, menos a dele, exatamente a que todos egípcios desejam que saia.

A polícia saiu das ruas e entrou o exército, que à primeira vista está aceitando o movimento.

O movimento não perdeu intensidade, e este é o único fator que garantirá a queda do ditador Mubarak.

Os EUA ficam numa saia justa, porque apoiam o ditador há décadas, e agora vão passar como apoiadores de ditadores.

A juventude egípcia está na frente deste movimento, justamente eles que não tem apoio, nem emprego, nem sequer oportunidades temporárias.

O ditador parece incrustrado no poder, mas a onda insurreicional é muito forte, e a continuar assim, certamente o egípcio terá logo um governo provisório.

É ver para crer.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Obama apoia ditadura de Moubarak, do Egito

Quer dizer que aquele discurso de defender as democracias e atacar o estado islâmico do Irã era tudo falso?

Agora vem o governo de Barak Obama defendendo o ditador do Egito Moubarak, contra a oposição que foi despertada pelas facilidades da internet, criada pela CIA para espionar o mundo.

Os levantes sociais, que começaram na Tunísia, e estão incendiando o Oriente médio, atingiu em cheio o Egito, e outras nações, mudando rapidamente o xadrês político da região e apontando para um confronto de grande escala para os próximos 5 anos, senão menos.

Neste novo quadro, islamismo se fortalece no oriente médio, onde o ocidente cristão,protegia ditadores.

O imperialismo é uma ave de rapina que não enxerga quem o apoia, desde que o apoie. 

Agora aquela conversa de democracia cai por terra, e Israel ficará ilhada.

O Brasil tem um papel fundamental neste processo de convivência mundial, se continuar com a política internacional aplicada durante o governo Lula, e infelizmente silenciada até aqui.



Fazer frente não é abdicar da luta

Vamos aprendendo no decorrer do processo político que várias forças agem dentro do governo. 

Isto pode nos deixar atônitos, mas não imóveis.

É preciso garantir as conquistas sociais que foram alcançadas, e não é justo vê-las serem alteradas por dentro do governo.

Come-se sapo numa frente?

Muitas vezes, sim.

Mas, para tudo tem hora, e é preciso garantir conquistas básicas como o salário mínimo de R$ 580,00.

O senhor Guido Mântega parece que governa separado da presidência, e já está assumindo o lugar deixado por Meireles, mandando na Presidenta.

Estamos em uma nova fase de governabilidade, que não nos agrada este desaparecimento de Dilma.

Isto já tinha acontecido nas eleições, quando colocaram espinheiros em sua volta.

Como o isolamento não foi bom, pois a levou ao segundo turno, por má orientação, ela abriu-se.

Agora, entretanto, não está sendo bom este novo desaparecimento  de junto dos setores populares.

Penso até que é uma certa timidez de gestão de Dilma, muito dolorida para quem gosta de mandar.

Mas as centrais não estão dormindo não.

É esperar para ver.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Enquanto Carol fica mais apaixonada por André...

, na novela "Insensato Coração"(melhor seria "Insanidade Geral"), eles tentam disfarçar as dificuldades do povo, introduzindo neuroses e mais neuroses.

O povo troca suas dificuldades, pelas neuroses das elites globais.

Quanta porcaria junta!

Que capacidade de conseguir fazer um mal maior.

Como se o mal fosse tão atrativo e embriagante....

Mas, não se preocupem, depois de 150 capítulos de desgraças, no último,o bem triunfará sobre o mal.

Me perdoem os telenovelistas.

O exemplo deve vir de cima, e não exigido de baixo

Não dá para se regatear o salário mínimo de R$580,00, se os deputados e todos os órgãos públicos dão reajustes além da inflação do período, para eles mesmos.

Cortam verbas das Forças Armadas, mas não a deles próprios.

E onde está a Presidenta? Pôde receber a Marta do futebol, mas não deu nenhuma passadinha na reunião com os sindicalistas?

As Centrais Sindicais acabam ficando com o osso pra roer.

E que negócio é este de colocar o reajuste do imposto de renda para calar os sindicalistas?

Como dizia sabiamente Vicente Mateus, "uma coisa é uma coisa, e outra coisa é outra coisa"

Querem fazer economia? Dêem o primeiro exemplo!

Aliança existe quando o representante representa o representado, e não quando diz que representa, mas na hora H faz o contrário.

Depois vem pedir apoio nas eleições, não é?

Deu para entender?

Geraldo Alckimin dá aula inaugural no Dante Alighieri

Não, não foi em nenhum Colégio  público do Estado de São Paulo.

Foi no Colégio Dante Alighieri, uma baita escola particular, o lugar onde o Governador do Estado, de formação católica tradicional, escolheu para dar a aula inaugural do ano de 2011.

Ele deve ter se espelhado na palavra de Jesus, "mas ai de vós, ricos, porque já tendes a vossa consolação".

Provavelmente ele, Governador, é a consolação destes ricos, a quem serve em primeiro lugar.

Senão estaria dando a aula inaugural em qualquer um dos muitos colégios estaduais do próprio governo.

Se há algum consolo nisto, é o fato dos alunos mais pobres não terem que ouvi-lo.

É mais real. 

É preciso criar um Tribunal de contas dos Tribunais de Contas

É muita conta para ser averiguada, não acham?

Os Tribunais de Contas são órgãos que foram criados devido a ineficiência dos parlamentares em examinar, eles mesmos, as contas do executivo e deles.

Devido a esta ineficiência, criaram o quarto poder da República brasileira, os Tribunais de Contas, que, de instituições serviçais, provedoras de análises das contas dos poderes executivo e legislativo (sim, porque o Judiciário a execra, por ser competitiva), passaram a usar do poder de investigar, para se assenhorearem como novo poder.

Mas, se não me engano, houve bastante debate no período da Constituição de 88, questionando esse "quarto poder".

Infelizmente, não aconteceu nada, e virou um depósito de guarda-chuva, onde se colocam os apadrinhados, e se usa deste poder para prestígio, enriquecimento, e pressão de grupos.

É o caso recentíssimo do Presidente do Tribunal de Contas da União, senhor Benjamin Zymler, que arrecadou R$ 228.000,00 em palestras e cursos ministrados me órgãos públicos fiscalizados pelo próprio TCU, em flagrante contradição com a ética de seu cargo.

Não é um pequeno servidor, que faz falcatrua, é o maior deles, se utilizando de seu cargo para benefício pessoal.

Sob pressão, este "Presidente" recebeu apoio de conselheiros de tribunais de contas estaduais e municipais. Todos se sentiram lesados com ele, que dó.

A farra é grande e a sensação de impunidade maior, a ponto dele avaliar não ser necessário renunciar ao cargo.

O peão que mal consegue comprar carne para sua família, o abandonado nas ruas que não tem oportunidade, o recém formado à procura de emprego, as empresas de treinamento que necessitam dar cursos de maneira ilibada, e muitos outros que não é preciso citar, para não perpetuar o artigo, esperam atitude dos congressistas em extirpar estes órgãos, os tribunais de contas da união, estaduais e municipais, acéfalos da República brasileira.

É muita gente mamando no erário público, para nada.

E o povo vai acumulando a raiva.

Depois vão dizer que o povo é irracional.

Em face desta vergonha deslavada, a revolta é um sentimento puro.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

A internet e os movimentos sociais não organizados

A internet, de instrumento da CIA para espionar o mundo da comunicação, papel que exerce até hoje e continuará, tem o seu contraponto localizado na generalização da comunicação entre amplas camadas da população.

Às vezes estes movimentos vão a favor dos interesses do império, às vezes contra. De qualquer forma, representam um repúdio a forma de vida política em seus países.

Isto se deu no Irã, na "eleição", de cartas marcadas de Ahmadinejad, onde irrompeu vigoroso movimento urbano com sinais insurrecionais, reprimido violentamente e com penas de morte executadas no silêncio da noite.

Na Tunísia este movimento estalou na imolação de um pequeno comerciante informal que viu sua única oportunidade fechada.

Agora o Egito repete o mesmo figurino.

Por incrível que pareça, o movimento contra o aumento do preço do ônibus em São Paulo, está dentro do mesmo figurino.

E qual é este figurino?

Posso dizer que ele tem uma característica comum.

Nenhum dos movimentos sociais organizados tem ascendência sobre eles.

É como se estes movimentos sociais organizados estivessem acostumados com a ordem reinante, seja no papel de governo, seja no papel de oposição consolidada e estacionada.

Nenhum dos movimentos sociais que existe galvanizou estes estalos de revolta social.

Outro fator é o da denúncia da impossibilidade de participação política, que está fechada num universo infinitamente menor, expresso pela democracia formal, de eleições gerais, e depois recolhimento.

Quanto às ditaduras nem há o que se falar. Neste caso não há nenhum canal de participação política

Para estes movimentos, a maneira informal como agem, longe de ser anárquica, expressa uma insatisfação pela inexistência de canais flúidos de expressão da participação política.

O pano de fundo é a expectativa, ainda inconsciente, por uma democracia popular, como forma de inserção destes movimentos num quadro mais articulado; entretanto não é este o cenário que se avizinha.

De maneira geral, estes movimentos estão pipocando, aqui e ali, no Oriente médio, e lá, longe de se encontrar uma alternativa socialista de vida política e social, há o estado teocrático como único caminho.

E o Estado Teocrático insere o cidadão numa camisa de força ainda maior que os sistemas ditatoriais que eles estão combatendo. Será, entretanto, esta a direção que estes movimentos acabarão tomando.

Esta talvez seja a grande contradição destes movimentos: orientados para uma busca de participação social mais democratizada, acabarão enredados pelos Estados Teocráticos.

E o Estado Teocrático, em seu fundamentalismo, acorrenta o movimento social e político a uma religião, estabelecendo assim uma cristalização do sistema político ainda maior de ser extirpada.

O movimento social organizado, acostumado ao poder seja de situação, seja de oposição, está ficando cada vez mais de fora deste contexto.

Movimento social não se compra.

Não se adquire fatias de poder no lugar da verdade que está à vista da população.

São situações como estas que vão fazendo descolar o movimento social, e burocratizá-lo.

Percebe-se nestes movimentos características de setores médios da população excluídos progressivamente da vida econômica, capitaneando grandes camadas de população pobre. A imolação na Tunísia foi de um pequeno comerciante.

No horizonte busca-se uma democracia com participação popular que ainda não existe.

Mesmo no Brasil, a democracia que vivemos não deu esta abertura ainda, apesar de estarmos no terceiro governo do PT.

E não há sinais de que venha a ocorrer.

O movimento social internético esté escapando entre os dedos.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

O que São Paulo tem a comemorar?

Sua multidão de mendigos abandonados à sua própria sorte? (Um morreu afogado anteontem).


Suas enchentes cada vez mais volumosas? Inundações com prejuízos humanos e materiais?

Seu transporte público? Suas maravilhosas vans, ônibus, Metrô, e trens da CPTM lotados e superados?

Sua limpeza pública, com sujeira espalhada pelas ruas e calçadas? Sua falta de educação e de higiene públicas?

Seus rios poluídos e mortos, transformados em esgotos a céu aberto?

Seus congestionamentos insuperáveis?

Seus assaltos e sequestros a pessoas, residências e edifícios?

Seus parques abandonados à própria sorte?

Nos seus governantes corruptos envolvidos em tramas nunca reveladas?

Nas suas inúmeras penitenciárias em plena grande São Paulo, só para pensarmos que o Carandirú não existe mais? É só ir de carro para o aeroporto de Cumbica, e conferir.

Nas cracolândias que destroem crianças, jovens, adultos e idosos?

Nas periferias abandonadas?

Na sua poluição constante que mata seus idosos?

Nas meninas que se engravidam antes de se tornarem moças?

Na falta de solidariedade aos necessitados de seu bairro e no individualismo gritante?

Na busca frenética por bens materiais, e no abandono dos valores humanos?

No seus egoismos e preconceitos?

Na violência ampla, geral e irrestrita, acontecendo em toda parte com todos?

Na falta de tempo para realizar o que precisa ser feito?

Nas cobranças imensas de impostos de toda ordem, sufocando as iniciativas das pessoas?

Quantas situações São Paulo tem a comemorar...

Vamos bater palmas e assoprar velinhas!

Vamos convidar o prefeito, o governador, todos para esta festa etérea que paira sobre a cidade, nunca resolvida; sempre explicada, mas progressivamente insolúvel.

Ah..padre Anchieta, padre Manoel da Nòbrega, quem vela pelas tuas ausências?

Cidade seca e dominadora.

Cidade sem princípios.

Cidade de deuses egoístas e particulares, a disputar as dores gerais

Cidade Cinza.

São Paulo não tem nada a comemorar.

São Paulo deve aguardar um dia para fazer sua comemoração.

Quem vive em São Paulo será capaz de viver em qualquer parte do mundo, porque venceu muitos desafios.






















segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

E como ficam as Forças armadas?

Acabo de ter notícias de que se adiarão as compras dos jatos de defesa do território brasileiro. O adiamento será até 2012. Adiarão também a compra de navios de guerra.

A idéia que a defesa nacional não é necessária, é um dos maiores perigos que corremos.

Não sou defensor de corrida armamentista, mas penso que estamos sim, é com equipamentos ultrapassados e antiquados no exército, na marinha e na aeronáutica.

Vemos que na hora de se eliminar o tráfico de drogas nos morros do Rio de Janeiro, chamam as Forças Armadas.

Na hora de se recuperar e ajudar o povo que mora na região serrana do Rio de Janeiro, igualmente as Forças Armadas são requisitadas.

Entretanto, na modernização delas não há o mesmo ímpeto.

O Brasil está dormindo no ponto, deixando riquezas à descoberto, como o pré-sal, por exemplo.

E tem gigantes por aí de olho nestas riquezas.

Os EUA não reconhecem o nosso mar territorial, onde encontramos e exploraremos o pré-sal.

Fazer economia em cima da segurança nacional, não!

Se disserem que todos têm que apresentar sua contribuição em reduzir despesas, haverá uma concordância plena, o que não é o que está acontecendo.

A redução de despesas deve ser uma responsabilidade compartilhada, principalmente na máquina estatal, com cada ministério fazendo a sua parte.

Concordam? 

Transferência gratúita?

TRANSFERÊNCIA GRATÚITA, sim este é o termo usado pelos senhores do Metrô de São Paulo para quem sai da linha da linha verde, que vem do Ipiranga até a Vila Madalena, para pegar conexão da linha amarela, PARTICULAR, uma PPP, que vai da Estação Consolação até Vila Sônia.

O Termo transferência gratúita existe para se dizer que provavelmente existirá uma transferência paga, em algum momento, afinal o Metrô está ficando híbrido, entre público e privado.

Afinal sempre se falou em trasnferência, ou conexão apenas, não?

É o rodoanelmetroviário agora?

Vai dormir com esta, isto é, com um termo deste.

domingo, 23 de janeiro de 2011

Dilúvio em São Paulo

Noite de domingo, 23/01/2011

Estou ilhado em meu prédio.

O prédio ao lado, a água está entrando pela garagem.

Trovão estourando para todo lado.

Carros parados esperando para entrar em seu prédio.

Isto somente em frente ao meu apartamento.

São Paulo afogou-se, e precisa de um operação boca a boca

São Paulo debaixo d'água

Pelo segundo dia consecutivo, depois de um belo dia de sol, parece que toda a chuva tropical da floresta amazônica desaba aqui mesmo em Sampa.

Pior para o povo de rua, que não tem onde se esconder, naqueles papelões e pedaços de madeira para construírem suas "moradas".

Depois vem a história de se erradicar a miséria.

Esta tragédia está passando sem se fazer o barulho que foi feito na região serrana do Rio.

Deus me perdoe, mas não é este o problema que foi levantado este tempo todo?  Esta é a urgência?

Os trovões fazem o maior barulho do lado de fora de casa, mas o silêncio que não vê escândalo nestas vidas destroçadas....

Não vou falar mais senão fico revoltado.

A alegria é gratúita

Sempre pensei que a alegria e a tristeza fossem sentimentos dependentes de nossas condições materiais.

Lógico, não com uma subordinação primária e condicional, mas com uma dependência de alguma forma vinculada, ainda que de uma maneira mais complexa.

Uma experiência singular, no entanto, colocou todo este edifício teórico por terra.

Foi na primeira semana de janeiro de 2011.

Como consultor de empresas, passo sempre um período mais ativo, administrando vários projetos, e outros, nem tanto, mais magros, onde o esforço por abrir novos serviços se torna uma urgência.

Pois bem, foi num tempo magro destes que fiz esta experiência que passo a lhes contar.

Buscava aqui e ali uma oportunidade abrir-se e nada.

Minha esposa segurava um serviço, além aposentadoria, de sorte que o estrago não era maior por isso.

Obrigou-nos no entanto, a fazer um redesenho do cardápio, adaptando-o aos novos tempos.

Isto lembrava-me Charles Chaplin no filme, se não me engano, "Em busca do ouro", quando ele fez parte de uma expedição que buscava ouro no polo norte, e acabaram, depois de algum tempo, sem recursos, e sem encontrar o ouro.

A uma certa altura, a fome era tanta, que Chaplin sacrificou sua bota, imaginando-a um apetitoso prato.

Cozida, foi comida como se fosse um galinácio.

Transformando a sola num filé e os pregos nos ossinhos que são chupados para se retirar os restos de carne, assim a bota foi sendo comida parte por parte.

Mas o seu companheiro não conseguiu fazer a mesma mentalização, e projetou, isto sim em Chaplin um galinácio, saindo em perseguição antropófaga ao cômico.

A lembrança deste filme era muito engraçada, e me fazia rir bastante.

Estava eu e Meg como Chaplin, fazendo das sobras das refeições passadas um "Restô d'ontê" francês, ou "Roscovo" russo, ou ainda o "Soborô" oriental.

Um encorajando o outro na ausência. E muita água, para hidratar.

Foi quando minha companheira leu na caixa de recados de seu celular, que ela era ganhadora de um Eco Sporte mais 25 mil reais, do programa do Gugu, do "Ano Novo Vida Nova", e deixava um telefone. Ela ligou-me do serviço, para que eu verificasse para ver o que era.

Liguei desconfiado, confesso, diante de tantos golpes que acontecem por aí.

Do outro lado atendeu um tal Sr. Luiz Carlos, Gerente de premiação da Record, que pediu o número de uma senha que tinha vindo no recado do celular.

Ao informar a senha, o Sr. Luiz confirmou que realmente eu , ou melhor minha esposa, havia ganho o prêmio, e disse:

Pode comemorar!

E passou a programar a entrega dos prêmios, informando que à partir daquele instante os auditores estavam ouvindo a conversa para confirmar a premiação, e a veracidade do contato.

Falou que providenciaria uma transportadora, ou se receberia diretamente na Record, Barra Funda, se quizesse, etc...a conversa foi de desenrolando cada vez mais efusiva, e alegre.

O carro poderia ser trocado por dinheiro, se quisesse, mas tinha que  ser decidido ali, na hora, com a escuta dos auditores.

Passei a acreditar, diante da extrema criatividade do tal Gerente Luiz Carlos.

Por fim, informou-me que deveria comparecer à televisão munido de um produto Nestlê, e dois cartões de telefones, sendo um de R$100,00, da Tim e outro a Oi, de mesmo valor.

Estes três produtos seriam dos patrocinadores da premiação, que deveriam estar presentes na hora da entrega.

Aí a estória foi ficando desencontrada.

Percebi logo golpe, ainda meio atordoado com a abordagem montada com tanta perfeição.

Notei que eles queriam o número dos cartões, que não deveriam ser usados, para que pudessem dar o golpe em outros trouxas como eu.

Desliguei o telefone entre a revolta com a jogada, e a vergonha de ter caído nisto, agora tão óbvio era o golpe para mim.

O interessante é que a armação toda durou aproximadamente uma meia hora, tempo em que ligava para minha esposa, em seu serviço, para combinarmos a cor do carro, e outras providências, até a descoberta funesta.

Farsa desmontada, fui buscar Meg no serviço, no final da tarde.

Quando nos encontramos, demos muitas gargalhadas a respeito de nossa burrice, nossa ignorância, nossa ingenuidade, nosso primarismo, e assim por diante.

Um fato, entretanto, ressaltou-se nisto tudo, o de que estivemos muito alegres nesta meia hora, imaginando o que faríamos com o dinheiro, para pagar dívidas, prestações, ajudar pessoas, etc.

Alegria gratúita, pois ainda não havia a premiação.

Como era um golpe, a alegria era inclusive infundada.

 Percebemos, no entanto, que podemos ficar alegres mesmo nas dificuldades, e até diante de uma armação daquelas.

Prefiro, assim, olhar o lado bom, e agradecer de todo o meu coração a este bandido, pela sua criatividade aparentando ser um grande gerente de vendas, que de fato poderia ser, tornando-se uma pessoa rica, sem ter de fazer o mal a outros.

Sim, este bandido golpista mostrou-nos como deixamos de ser felizes nas dificuldades, e como podemos ser felizes, mesmo sem nada.

No julgamento eterno, onde nada escapará de ser lembrado, para quem acredita, lógico, quero interceder com o meu perdão a este bandido, por me ter proporcionado momentos de alegria, que não percebia ter perdido.

Foi preciso um golpe destes, para revelar um lado bom de mim, esquecido nos acontecimentos difíceis da vida.

É, a alegria pode ser gratúita, despertada por sonhos, desde que se deixe sonhar, mas sem tanta ingenuidade, da próxima vez.


sábado, 22 de janeiro de 2011

Chove forte de novo em São Paulo. Até quando?

50 árvores arrancadas pelo forte vento, com tempestade, e muitos raios caiu no final da tarde na cidade.

Não se pode elogiar. As autoridades......nada. Aqui onde moro, na Bara Funda, acabou a energia elétrica.

Vários pontos de alagamento.

É mole?


São Paulo volta a ser São Paulo

Ah, que bom o sol voltar em São Paulo, e as chuvas diminuírem um pouco, ao menos no final de semana.

Hoje, sábado, 22 de janeiro de 2011, São Paulo está radiante.

As famílias saem às ruas, os jovens vão em grupos brincando, os idosos buscam os raios solares para tirar os corpos prisioneiros dos apartamentos, fechados, moças bonitas passeiam sorridentes, crianças correm junto aos cães .

Para completar estamos na véspera do aniversário da cidade, 25 de janeiro, e boa parte da população viajou para o litoral ou interior, deixando nossa metrópole mais tranquila.

É possível ver a paz estampada nos rostos das pessoas.

Não nos iludamos, ao abandonados continuam abandonados, os discriminados idem, mas é visível esta tranquilidade paulistana, de quem dá um refresco às batalhas e vai aos parques se divertir.

Ah, como queria que minha cidade fosse sempre como um  feriado.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Pesquisa de convivência familiar

Os ingleses, que gostam de fazer pesquisas esdrúxulas acabam de divulgar estudo sobre as brigas de casais. Um varejista on line de produtos de banheiros encomendou a pesquisa e a BBC acabou divulgando.

A pesquisa realizada com 3 mil pessoas, descobriu que os casais brigam 312 vezes por ano, em média, às quintas, por volta das 20 hs, não costumando ser longas, 10 minutos aproximadamente.

O que mais irrita as mulheres é: pêlos na pia, privada suja, "surf" entre canais de TV, rolo de papel higiênico vazio, tampa da privada levantada, luzes acesas, xícaras sujas pela casa, toalhas molhadas no chão ou na cama, pertences acumulados e falta de descarga.

O que mais irrita os homens é: demora para ficar pronta, reclamações de que ele não faz nada, luzes acesas, ralo do chuveiro entupido com cabelo, pertences acumulados, lata de lixo cheia além da capacidade, lenços de papel pela casa, xícaras sujas pela casa, e "surf" entre canais de TV, e novelas.

A pesquisa é engraçada mas revela que está em disputa quem faz os serviços da casa. Note-se que a limpeza da casa não é mais uma reivindicação apenas feminina, de que o homem não mantém a limpeza.

Estamos vendo o fim da família patriarcal.

Pequena pesquisa, interessantes resultados. 

São brigas pela higiêne pessoal, que é uma questão de aprendizado cultural, de limpeza de ambiente, não há uma questão de fundo, mas de convivência.

Faz lembrar Fernando Pessoa: "Amar é conviver"




Insatisfação da população com o transporte em SP

O serviço de transporte prestado em São Paulo foi reprovado por 70% dos usuários, segundo pesquisa realizada pela Rede Nossa São Paulo, junto a 1500 pessoas.

80% reprovaram o valor da tarifa do ônibus, antes mesmo do reajuste para R$3,00.

68% estão insatisfeitos com a restrição dos fretados, medida tomada para reduzir os congestionamentos.

Calçadas e ciclovias também foram reprovadas.

Informação obtida do Metrojornal, art. de Davi.Frason.

Devemos lembrar que estes dias o governo do estado desceu o cacetete democrático em cima de estudantes que reclamavam do aumento do ônibus.

Kassab corta meta de urbanização de favelas

Mais uma em cima do povo pobre.

A maravilhosa administração Kassab por achar que as suas metas estavam "superestimadas", decidiu reduzir de 120 mil para 85 mil as famílias que serão beneficiadas pelo programa de urbanização de favelas na cidade de São Paulo.

Estas informações só foram divulgadas porque o governo é obrigado a divulgar o seu plano de metas para o final do mandato, por exigência legal, devido a um projeto da sociedade civil que obriga a isto, sob o risco do governo responder por impobridade administrativa.

Mais uma vez sobra para o pequeno.

É por essas e outras que a gente vai identificando quem está ao lado do povo e quem está do outro lado.

Isto representa um corte de 35 mil famílias do programa.

São Paulo precisa de um governo popular, voltado para o mais pobre.

Favela do Real Parque: de incêndio à discriminação

O Real Parque é uma área "chique" de São Paulo, localizada entre o Palácio dos Bandeirantes e a Marginal Pinheiros.

Podemos dizer que é um bairro "nobre" apertado, pois tem ruas bem estreitas e os edifícios ficam juntos uns aos outros. Como se localiza ao lado do Panamby, região ultra chique, e do Morumbi, o Parque Real têm status de primeira grandeza.

Ocorre que, em toda esta região, existe um verdadeiro contraste.

Prédios de apartamentos grandes, com todo o conforto, de um lado e favelas do outro. 

Não é como a Barra Funda, por exemplo, que é um bairro tipicamente "misturado", onde se encontra de tudo, desde o abandonado na rua até a nova classe média.

Não, no Real Parque e em toda a região do Morumbi encontra-se a elite de um lado e o povo favelado do outro.

Talvez seja o maior contraste da cidade de São Paulo.

Pois bem, a favela do Real Parque teve um incêndio violento, creio que no ano passado, que acabou com muitos barracos deixando várias famílias ao relento, no meio da rua.

O povo da favela, na ocasião botou fogo em pneus e móveis que se estragaram e fecharam a marginal pinheiros, não só para denunciar suas dificuldades, mas para exigir solução das autoridades.

Resultado, conseguiram da Prefeitura a construção de prédios que entraram num projeto de reurbanização da favela, como têm a favela Paraisópolis.

Agora o dinheiro está falando mais alto.

Os moradores da região rica do Parque está reclamando da Prefeitura, que expandiu a área da favela, na construção dos conjuntos habitacionais, e acionaram o ministério público para que a construção seja paralizada, segundo artigo de Afonso Benites e Nancy Dutra para a Folha.

Se vocês pesquisarem os artigos que escrevi no ano passado, encontrarão artigo sobre o incêndio que aconteceu.

Agora, pior que o incêndio, é a falta de humanidade, e o medo de desvalorização dos seus imóveis, por parte da elite local. É o dindin falando mais alto.

O incêndio pelo menos é uma tragédia anônima, não se culpa ninguém, mas esta discriminação dos empolados, dos tais, chiques do úrtimo, esta é dura de roer.

Como dizia Geraldo Vandré, nós precisamos é  da "volta do cipó de aroeira no lombo de quem mandou dar", pois "fica mau com Deus quem não sabe dar".

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Globo se irrita porque Chaves proibiu novela.

O chaves pegou no calcanhar de aquiles da Globo, rainha da formação dos sonhos frustrados, via novelas.

Mostrando famílias destruídas, golpes em empresas, assassinatos sem punição, a Rede Globo saiu em defesa de uma porcaria feita na Colômbia, que passava na TV da Venezuela, com o nítido objetivo de fazer troça do país e do seu presidente.

Chaves criticou e não demorou muito e o judiciário de lá foi rápido, diferentemente do nosso Ahhhhhhhhhh que sono, e tirou em seguida aquela coisa fedorenta.

Espelho, espelho meu, será que proibir uma novela feia assim servirá de exemplo, para acabar com estas novelas falsas por aqui também?

Mas e esta dopagem midiática, como ficará?

O povo deixará de ficar amortecido pela droga televisiva.

O telespectador será confrontado com ele mesmo?

Que perigo!

Cristãos e muçulmanos discutem fanatismo religioso no Catar


Matéria que retirei do Zenit, fala do interesse entre cristãos e muçulmanos em romper com o fanatismo religiosos, decorrência do fundamentalismo existente nestes dois grandes ramos religiosos. Há problemas legais no Paquistão, com cristãos presos, Iraque, onde a minoria cristã está sendo dizimada, pois acabou sendo identificada  com o invasor, sendo que é uma comunidade milenar, o Egito, e outros estados. Na África está um entroncamento das duas religiões, que tem uma boa convivência ainda, e pode ser exemplo para outras nações  do oriente..

Mas vejam o artigo.
"Patriarca latino de Jerusalém indica necessidade de construir a convivência juntos

JERUSALÉM, quinta-feira, 20 de janeiro de 2011 (ZENIT.org) - A Liga Árabe convocou líderes cristãos e muçulmanos para participar de um encontro inter-religioso sobre Jerusalém e o fanatismo religioso, que será realizado nos dias 2 e 3 de fevereiro, em Doha, capital do Catar.

O patriarca latino de Jerusalém, Dom Fouad Twal, que vai participar da reunião, disse à agência SIR que a iniciativa "nasceu provavelmente a partir da onda de terror e condenação surgida após os massacres em Bagdá e Alexandria, no Egito".

Segundo o patriarca, "dos massacres no Iraque e no Egito, nasceu, ou melhor, despertou-se uma consciência por parte dos líderes muçulmanos sobre os perigos do radicalismo".

"O bom que nasceu do atentado de Alexandria é que hoje existe uma maior conscientização entre os políticos, entre líderes árabes, muçulmanos e cristãos, a partir do fato de que o fanatismo cego não é bom para ninguém", disse o bispo Twal à Rádio Vaticano.

"Estão tão conscientes, que nos convocaram para uma reunião de dois dias no Catar, em Doha, que incluirá representantes da Liga Árabe e líderes religiosos - muçulmanos e cristãos - para discutir sobre Jerusalém e esse fanatismo. Esperemos que dê tudo certo."

Dom Twal destacou uma série de reações positivas surgidas no mundo muçulmano depois dos atentados.

"Esses dias, li em vários jornais árabes comentários belíssimos de intelectuais muçulmanos que advertiam sobre os riscos do fanatismo religioso", explicou.

Outro gesto que o patriarca sublinhou foi o de muitos muçulmanos que, após o ataque em Alexandria, dirigiram-se ao hospital para doar sangue aos cristãos feridos.

"Nesses eventos dramáticos - concluiu Dom Twal -, emerge todo sentido de humanidade dos crentes e é sobre este fundamento que podemos construir juntos a coexistência e a tolerância."

Aumento da taxa de juros, mínimo no mínimo...

Vou dizer o que penso.

O modelo de gestão deve mudar, de um formato liberal, onde o trauma é dos setores populares, para uma gestão de fato desenvolvimentista, com valorização da distribuição de renda, se necessário, com controle dos preços.

Ou será que ninguém está vendo que uma parte desta inflação é a ganância do empresariado que está puxando os preços para cima? Quem paga por isso?

Mas pelo visto, o governo não mudará o formato de gestão.

Pensei que se daria um avanço neste sentido, inclusive buscando apoio popular.

Como a conjuntura é outra, é hora de se ficar alerta.

Lembrando que este começo não está sendo bom, sendo preciso sair mais do gabinete e ir conversar com o povo nas ruas, para não se dar mal depois.

Dilma não se isole, principalmente do povo que te escolheu.

Você verá que na hora H, os que seguram a tua barra não serão estes carrapatos de gabinetes, mas os pequenos que estão espalhados por este Brasilzão afora.

Confie no povão!

O Lula fez isso, quando começaram a querer cassá-lo. E calou a oposição.

Mas Dilma está se fechando e se tornando inacessível.

Mal sinal.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Marina busca sobreviver com base no fundamentalismo

Percebendo que seu mandato de Senadora expira no dia 31 de Janeiro de 2011, Marina Silva vai lançar, antes disso uma Ong com ações voltadas a educação ambiental e formação política.

O detalhe desta Ong está no fato de buscar ter foco no público evangélico, segundo reportagem de Bernardo Mello da Folha.

O objetivo é o de "politizar" os fiéis e manter-se em evidência no segmento evangélico que representa 25% dos brasileiros. Segundo ela, pretende dar um cunho "progressista".

Bem, ela tem uma refrega com o vociferante pastor Silas Malafaia, que para ela, representa o pensamento conservador neste meio.

Feita esta constatação levantam-se duas questões, ou seja, quais são as características do fundamentalismo político, e o que ele representa para o Estado laico, hoje, no Brasil.

A resposta a estas duas questões nos dirão se Marina joga lenha dentro do fundamentalismo, contra o Estado Laico ou não.

O fundamentalismo religioso, de base chamada evangélica pentecostal, se caracteriza pelo seguimento literal e de análise livre, dos textos contidos na Bíblia. Este fundamentalismo faz uma transposição radical(literal) destas leituras para a vida particular e pública, sem considerar os contextos, tanto da época em que foram escritos, quanto de hoje..

Como há uma relação de dependência muito grande dos fiéis aos pastores, basicamente fica ao encargo destes o posicionamento político que , segundo eles, melhor se adeque aos seus interesses.

É muito difícil haver discussões politicas neste meio, uma subserviência religiosa às questões políticas, que acaba por apoiar incondicionalmente seus representantes.

Isto é tão certo, que muitas vezes os pastores assumem eles próprios a representação política, pois possuem aceitação incondicional dos fiéis.

Este isolamento dos fiéis "evangélicos" da política, e a assinatura em branco aos seus pastores, que se tornam vereadores, deputados e senadores, acabou por formar um grupo seleto no Congresso Nacional, chamado de "bancada evangélica", segundo os mesmos, para defender os valores cristãos.

Ao criar esta bancada, descaracterizam todos os outros deputados como igualmente "evangélicos", num preconceito sem precedentes na religiosidade brasileira.

Porquê este exclusivismo, e purismo religioso?

Porque há uma intencionalidade de ocupar o Estado, um dia.

A cunha do Estado religioso, teocrático, está posta, questionando o Estado Laico.

Vai se formando dentro deste setor, uma compreenção de que é preciso tornar o Brasil uma pátria de Cristo, fato que para eles ainda não é (como se o cristianismo estivesse surgindo agora) ou é de forma errada.

Estaremos, desta forma retrocedendo ao Estado Teocrático, de imposição de uma só doutrina, de uma só religião, fato que o país superou no passado e que volta a ter esta sombra.

Engraçado é que estas mesmas igrejas não se consideram "religiosas", mas na hora de ocupar o Estado, se fazem religiosas. Como dia um ditado popular, "macaco não olha pr'o rabo".

O fundamentalimo religioso pode ter características "progressistas" e "conservadoras" , o que é uma variação de maquiagem por fora, dos mesmos elementos interiores. Por dentro é uma união de segmentos de mesma crença para alcançar o poder.

Neste aspecto, Marina joga lenha dentro da fogueira do fundamentalismo, contra o Estado Laico, ainda que aparente o contrário. É preciso que ela explicite isto aos demais eleitores dela, para que tuda adquira transparência.

Desejamos um Estado Laico onde todas as crenças possam exercer livremente suas crenças e suas opiniões políticas, sem discriminação das outras e sem tentar exercer uma imposição de "sua verdade".

Por isso,  defendo a exclusão de padres e pastores e bispos de toda ordem, das representações políticas, deixando para os seus respectivos fiéis esta representação.

É mais democrático e respeita mais os fiéis.

Não se deve confundir política e religião neste caso.

É o que penso.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Bispos Católicos dos EUA apoiam abertura com Cuba

Passo documento do Zenit de Roma, sobre a posição da Igreja nos EUA em relação às novas medidas de Obama em direção a uma nova relação com Cuba

"EUA: bispos elogiam novas políticas para Cuba


Expressam esperança na abertura do governo Obama

WASHINGTON, terça-feira, 18 de janeiro de 2011 (ZENIT.org). A Conferência Episcopal dos EUA expressou sua satisfação com a ordem executiva do presidente Obama que amplia as possibilidades de viagens de negócios e ajuda a Cuba e permite o envio de remessas não familiares à ilha.

Segundo o bispo Howard J. Hubbard, de Albany, Nueva York, presidente da Comissão Episcopal Justiça e Paz, “estas novas políticas são modestas, mas são passos importantes para a realização de nossa esperança de uma melhor relação entre nosso povo e o povo de Cuba, uma relação que porta uma grande promessa de fomento positivo e uma mudança real em Cuba”, acrescenta o prelado norte-americano.

Os comentários do bispo Hubbard se deram após o anúncio da Casa Branca de que as novas medidas permitirão apoiar uma sociedade civil mais vibrante e ajudar o povo cubano, em um momento em que as mudanças na economia da ilha se anteciparam.

A Igreja Católica, tanto em Cuba como nos EUA, fez repetidos apelos em favor do fim do embargo de 50 anos, que tem impedido os compromissos entre os cubanos e os norte-americanos.

“A Igreja vê as mudanças como úteis, positivas e como importantes passos rumo ao objetivo de um maior compromisso comum”, disse o bispo.

“Temos esperança e oramos para que estas medidas para eliminar restrições desnecessárias sobre as viagens e para oferecer maior assistência serão outro passo no apoio ao povo cubano em sua conquista de maior liberdade, direitos humanos e liberdade religiosa”, afirmou.

Comentando Paul Singer e a Erradicação da miséria

O professor Paul Singer apresentou nesta terça, 18/01/2011, um artigo no jornal a Folha de São Paulo , sobre a "Erradicação da miséria, proposição ousada" .


De maneira geral ressalta que foi a única candidatura a propor a erradiação da miséria em seus 4 anos de mandato.

A matéria tem o mérito de reunir e condensar o que já se tem discutido e creio que é de conhecimento de muitos, mas não afirma enfaticamente que este objetivo não será atingido, mas de que é uma proposta ousada, seguindo na linha de muitos apoiadores do governo que não tem uma opinião mais balisada, e ficam no dito pelo não dito.

Faz uma localização do que é miséria, situando suas características, como sendo uma "pobreza tão extrema que suas vítimas frequentemente não sabem quando e nem de onde virá sua próxima refeição, moram ao relento, pois não tem trabalho nem renda regular".

Faz a constatação óbvia de que uma parte deste contingente de miseráveis não tem intenção de mudar de vida, mas em seguir exatamente como está, seja devido à dependência de drogas legais ou ilegais, seja por outras razões (idade, mutilações, etc). E aqui está o ponto principal, porque muitos dos moradores de rua embora não sejam drogados (e a maioria não é), passa pelas mesmas limitações, e dificuldades para mudar de vida.

Volto a dizer, que estiveram iludindo a presidenta a dizer que eliminaria em 4 anos a miséria no país.

É possível fazer uma revisão ousada desta proposta, mantendo metas ousadas, mas que não frustre os eleitores ao final de seu mandato.

Repito que uma das razões de ter votado na candidata foi esta sua proposta única, que sempre calava os outros candidatos, que permaneciam sem saber o que dizer. Mas é preciso ser realista e agir dentro do realismo e não do idealismo. Desejar erradicar todos desejamos. Erradicar será um trabalho maior do que quatro anos.

Para quem mais preciso gritar para ser ouvido?

Caso sejam mantidas as metas de crescimento, o país crescendo, inevitavelmente ocorrerão novos segmentos da sociedade em ascenção, atingindo novos níveis de vida social típicas da classe média.

Mas a miséria é outro contexto muito diferente. Estes dias veio uma reportagem que mostra que os EUA têm aproximadamente 50 milhões de pessoas que vivem nas ruas, na chamada condição de míséria. A Rússia, a China, e outros países têm também seus contingentes de moradores de rua.

Mesmo quando o socialismo dito real estava no seu apogeu, a miséria tinha sida erradicada nestes países? Apenas para lembrar.

Lembrei, em artigo anterior que esta população é um lumpen, no sentido clássico, e não especificamente um exército industrial de reserva, que é bem diferente.

Solução existe, mas de longo prazo, e não imposta, mas via convencimento e adesão voluntária, pois o reerguimento da auto estima deste povo é algo que não pode ser implantado de cima para baixo, mas de baixo para cima.

Propuz, e continuo propondo a construção das chamadas CASAS DO POVO, onde esta população tenha conforto para se recuperar por algum tempo, com oportunidades de aprendizagem de algumas ocupações, debates, palestras, coexistindo com sua vida de rua, até atingir o ponto de sair, quando quiser.

Estou disposto a discutir esta questão para quebrar paradigmas e ilusões.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Reflexões sobre a humildade

De fato, a humildade pode ser aprendida.

Não especificamente por uma qualidade do estudo, embora o estudo e o conhecimento nos façam entender quando a adotamos.

Muito raramente a humildade nasce com a pessoa.

O instinto mais primitivo desde o nascimento é o da possessividade. É o que vem primeiro, e deverá ir sendo controlado, conforme a pessoa for se desenvolvendo.

A aprendizagem da humildade se dá, principalmente através da prática da vida, no decorrer da vida.

Como uma longa escola em desenvolvimento

E com práticas muitas vezes não vitoriosas.

Pode-se perguntar:

Mas a humildade pode ser aprendida nas situações vitoriosas, quando atinjo os resultados que procuro?

Acredito que sim, e este estágio de aprendizagem está no nível mais elevado, pois significa que aquela pessoa já vivenciou várias situações, a ponto de não se decidir baseado na experiência imediata, mas com base no conjunto de experiências vividas.

O ponto de partida da humildade está, via de regra, na derrota.

Poderíamos mesmo afirmar que a derrota é a mãe da humildade.

A derrota ensina a perceber os limites e a incapacidade do indivíduo, de alterar certas situações, o que é real.

Por isso a humildade não é individual ela abre a suposição de que o indivíduo precisa do outro(a) indivíduo.

É a consciência da insuficiência individual.

Isto nos retira dos castelos mais elevados em que nos encontramos, e apresenta o estábulo, o chiqueiro, onde a lama se mistura com a ração.

A enfermidade também é outra fonte de humildade (ou diria humanidade?).

Ao caírmos enfermos, e vermos enfermeiras nos dando banho, trocando nossa roupa, ou colocando por baixo do lençol a chamada comadre, para fazermos nossas necessidades, como a humildade desabrocha fácil.

A humildade poucas vezes vem conscientemente.

Isto é já para os virtuosos.

De maneira geral, a humildade vem inconscientemente.

Não nos apercebemos que estamos nos tornando humildes.

Ela modela, em meio ao despertar de uma sensibilidade para o outro, não egoísta.

Não há humildade sem sensibilidade.

Não há humildade racional.

Há sim, domínio da razão sobre nossa vaidade, quando ainda não temos humildade suficiente, para não fazermos coisas erradas.

Mas ainda não se tem humildade. Se tem consciência da soberba, vergonha da soberba.

A humildade coexiste com o amor, pois está no sentimento de querer o outro, mais do que o querer a si próprio.

Por isso quem é humildade ama com facilidade.

Existem diversas dimensões de humildade, para cada dimensão de nossa vida.

Podemos ser humildes numa área da vida e sermos egoístas em outra área.

Isto é muito comum.

Não é de bom alvitre dizer que somos humildes, porque será negar a própria humildade, que não gosta de ser exaltada por si mesma.

O que também não é real, pois geralmente somos humildes aqui e vaidosos ali, nas diversas áreas de nossa vida (seja sentimental, intelectual, moral, profissional, relacional, familiar, partidaria, religiosa),  nas diversas áreas  de nossa personalidade multifacial, buscando  identidade.

Existem milhares, repito, milhares de falsos humildes, manipulando a humildade para obter benefícios particulares, que não obteria de outro modo, através de sua competência.

São os paralíticos espirituais, com bengalas mentais, macas profissionais, soros artificiais.

Os humildes que conheci tem face limpa, brincam, falam palavrões sem maldade, de forma engraçada, não temem ser rejeitados pelas suas opiniões, mas se enfurecem se não aceitam aquilo que acham justo.

Fazem o bem com naturalidade, sem ser por obrigação, como parte de si.

Os humildes que conheço, uma parte está fora da Igreja, e não se fazem de rogados; aliás, não rogam.

Estão na simplicidade de fazer as coisa do dia a dia, sem aparecer; mas aparecem e brincam contigo, achando graça de qualquer besteira, porque rir não precisa de lei para se definir.

Os anos trazem a humildade para dentro de nós.

São os filhos que crescem e de educados, de repente, nos vêem como ignorantes em tudo.

De nossa parte, nos pomos a aprender de novo o que já sabemos e o que não sabemos, só para deixar afirmar a identidado do outro, ainda incompleta, precisando se sobrepor.

Fazemos primeiro a educação, depois recebemos uma inducação, para terminar numa desesducação.

Quero ser humilde para ser esquecido, por ajudar alguém a fazer uma descoberta, e exultar de alegria com ele, como se fosse eu.

Quero ser humilde, mas não quero sofrer; mas se sofrer, quero ser humilde sem que os outros  me vejam sofrendo.

Mas se os outros pensarem que sou vaidoso ao esconder o sofrimento, então quero ser humilde com todos vendo meu sofrimento.

Chega de humildade!

Arre! Onde há gente no mundo?

Lembro-me de uma daquelas ocasiões em que andava em uma pindaíba danada, não dava nem para pegar o ônibus.

A mulher trabalhava, de sorte que o chamado basicão ia dando conta do recado. É uma heroína até hoje. Por isso que a família é de fato o esteio de tudo.

No mais, procurava manter o silêncio, evitar ficar reclamando da vida, procurar alternativas, para não deixar o ânimo cair, enfim tentar tocar a vida com o que tinha.

Era muito engraçado também perceber como os amigos desapareciam nestas ocasiões.

Todos ficavam tão ocupados com tantas coisas, que o leitor há de compreender, não se conseguia uma ajuda maior.

São períodos especiais, onde aprendemos algumas grandes virtudes.

Uma delas é a de distinguir as amizades circunstanciais, que são muitas, das amizades reais, que minguam, quase não existem. Se as conto não enchem a palma de uma mão.

Outra virtude é a da espera, de saber esperar, de ver que há sempre uma profundidade maior para se cair, e que ao cair, não foi assim aquele desastre que se imaginava. É possível recuperar, e retomar a subida, novamente.

O lado mais bonito da dificuldade, é o de se manter a alegria, malgrado todas a desgraças que desabam. Como é forte ver que temos alegria nestes momentos, que o ser humano é capaz de viver alegremente, apesar de tudo.

O malabarismo é o ponto mais criativo do desesperado brasileiro. Ele aprende de uma hora para a outra várias ocupações, profissões, atividades, e têm uma iniciativa que jamais teve em qualquer outra ocasião.

Ah..., importante, as pessoas tenderão cada vez mais a se mostrarem a você como elas realmente são, e isso é tão bom. Não existe coisa melhor do que saber  o que as pessoas são verdadeiramente. E, não se entristeça pelo que irá ver.

Por isso, se você tiver diante do grande impasse da vida, de ter de se decidir, entre ter uma vida cheia de riqueza e opulência, com todos os serviços e bens e pessoas à sua disposição; e outra vida, sem nada que possa preencher suas necessidades, que deverão ser obtidas pelo teu suor, a cada instante, sem segurança de continuidade, sua escolha será.....

Sabe qual?

Aposto 10 contra um, que você escolherá a primeira opção.

Nem preciso pensar muito para chegar a esta conclusão.

Simples.

O medo domina o nosso ser, que não sabe atingir, por si só, estágios avançados de compreenção da vida, de sua verdade.

Nem eu, que vos escrevo, me arrisco a dizer que serei diferente.

Não, eu também faço parte dos iludidos, dos fracos, dos egoístas, que viram o rosto para os mais necessitados, e que talvez, por desencargo de consciência, faz uma coleta aqui e outra acolá, ou outra ajuda, para satisfazer minha própria ilusão.

Para reflexão.

domingo, 16 de janeiro de 2011

"Passione", "Insensato coração". Chega de destempero!

A globo acabou atingindo mais de 40% dos índices de audiência neste final da novela Passione, com algumas "boas" mensagens.

Bandido incompetente se dá mal, mas bandida competente, ah... estas sempre se dão bem.

Portanto, mulheres, vamos à vitória sem critérios. Vale tudo. Palavra do autor.

Aí eles vem com esta discussão: o que vem primeiro, o ovo ou a galinha(?),  para justificar que esta é um realidade já existente, somente descrita em personagens que refletem este cenário.

A quem querem enganar? Ao hipnoexpectador?

Depois a TV vem com o telejornalismo denunciando bandidos, que a novela mesma divulgou como virtuosos.

É que ser normal não leva a nada, a lugar nenhum, não é mesmo? Sempre aquela mesmice de fazer as coisas certas...

É preciso transformar aqueles velhinhos, já bem caidinhos, em jovens românticos inconsequentes, sem a maturidade da idade, mas com leviandade transviada.

E a bigamia solidária, perfeitamente possível, e com aceitação do domínio patriarcal sobre as mulheres, "desde que dê conta do recado".

Porque existem aquelas mulheres que "só pensam naquilo", o tempo inteiro. É a sexolândia.

Deveria ter sido chamado de "Impacienssione", pois não terminavam a novela , e espicha de cá, espicha de lá, só pr'a dar Ibope, não importando o que se passava.

É o índice de audiência, ou índice hipnodiência?

E  o outro que foi abusado por uma mulher, quando era criança, e ficou todo abalado a novela inteira, e curioso na internet. Tá cheio de crianças abusadas no país por homens, principalmente, e não por mulheres...que assumem suas vidas e deixam pr'a lá as neuras.

Até tenho a impressão de que esta novela deixou um certo asco contra as mulheres. Autor...cuidado com a presidentA, heim

O mordomo gay foi o mais honesto e sereno em toda a novela. "Exemplo" a ser seguido. Mas os heterosexuais, os heterosexuais....são a raça maldita sobre a face da terra.

Um marido que era uma besta fera, casado com uma adúltera, que se apaixona de um garoto. Bem, talvez este seja o caso mais comum e tipológico da realidade social, mas os demais...podem ser geradores de uma tipologia nova.

Como se não bastasse o destempero, agora vem um "Insensato coração".

Mas, desde a antiga mitologia grega há uma clara separação entre "coração"(Eros) e razão(logos).

Ambos convivem no ser humano, sempre com a razão controlando, pois não somos como os demais animais, que não possuem razão.

Correto seria dizer "insensata razão", porque do coração não vem a sensatez, mas biofilia e necrofilia, como diria schopenhauer.

O pior é esta escravidão moderna às novelas, hipnospectadores atávicos ao supérfluo, demônio destruidor das mentes, e da vida produtiva. Grande prisão, Babilônia global.

Vai tirar alguém da frente da TV na hora da novela, pr'a ver se consegue?

Nem reza brava resolve.

Notas Picantes

- Estão fazendo do Código Florestal um saco de pancada, para fazer rir. Aceito pelos representantes agricultores pequenos, médios e grandes, e analisado sob a luz dos interesses nacionais, o Código Florestal foi criticado por aqueles que querem faturar sendo "progressistas". Agora a Folha vê também indícios de que o Código vai legalizar áreas de risco e ampliar novas possibilidades de tragédias. Apesar das negativas de Aldo Rebelo, relator dizer que o código é FLORESTAL, diferentemente do uso de solo urbano, vinculado a outra lei.

- Dilma caminha para o lado mais tecnocrático de gestão, e de menos orientação política aos ministros, conforme informações recolhidas de participantes da reunião ministerial.  Deu a impressão que alguns foram mais para ouvir, sem terem apresentado dados. Agora surgem as comparações com Lula, que segundo dizem alguns dos ministros antigos, orientava caso a caso as relações com o Congresso, e outros assuntos.

- Geraldo Alkmin parece ter-se reciclado, e surge como novo perfil de gestão com aparência mais democrática que seu antecessor, e dele mesmo em gestões anteriores. O fato de ter chamado as centrais sindicais para conversar sobre o mínimo regional foi sintomático. Se continuar assim, ele vai acabar saindo do PSDB. Dizem que as duas derrotas eleitorais que sofreu, mexeram bastante com seu intelecto.

- Mas a Polícia Militar desceu o cacetete democrático nos estudantes que reclamaram do aumento da passagem de ônibus, em São Paulo. Parece aquela tácnica de negociaçao chamada "Bom sujeito, mal sujeito", quando você agrada de um lado e bate, do outro".

- Aliás a tragédia do Rio de Janeiro fez a mídia esquecer-se das enchentes de São Paulo, e Minas Gerais, que também foram catastróficas, para alívio de Geraldo, Kassab e Anastasia.

- Nota destoante é o Mântega estabelecer um mínimo de R$ 545,00, agregando R$ 5,00 para não fazer o reajuste ficar abaixo da inflação, e não conversar com os sindicatos.

- O MST ocupou 9 fazendas nestes últimos três dias, na região do Portal do Paranapanema. Perto de 5000 famílias de agricultores participaram.

- São 612 os mortos encontrados, das enchentes na região serrana do Rio. E há previsão de mais chuvas para a semana que entra.

- Boicotar às escondidas o Morumbi para abertura o Mundial de futebol, é uma coisa. Agora ser competente para construir um estádio em Itaquera é outra. Ah, aquele coquetel de vitória do Kassab para prefeito de SP,(derrotando Marta), no interior do Morumbi, custou caro.

sábado, 15 de janeiro de 2011

A ambigüidade em que não me explico.

(Prosa-poética filo-teosófica)

Todas as vezes em que me sinto íntegro,
com a situação resolvida,
tenho uma leve sensação de exterioridade,
desconhecimento.

Como se junto à conquista
viesse um prazer funesto, falso,
em que me iludo de mim, vencedor.

Uma verdade no indigente
me faz desejar ser indigente:
não ter mais do que cair.

Por isso se sorri, sorri,
se chora, chora.

As coisas no real, no seu devido lugar.

Logo me dou conta
de que não sou nada,
um pó da estrada,
e mergulho novamente
em questionamentos
que mostram a exata
medida de meu ser:
alguém por ser descoberto,
ainda que com identidade.

Percebo faltar o chão, embora de pé,
decisão, ainda que buscando,
falar, junto a tantas silenciosas reflexões.

Há algo indecifrável em mim
 que não se explica,
questionando-me,
a existência e a inexistência.

Algo ilocalizável, impalpável, inidentificável; há!

Algo ou alguém...
se alguém?
então seremos
nós desconhecidos,
não psicóticos,
mas inconscientes;
mais eu, dele.

Se há Ele?
então é provável
ser mais consciente de mim,
pois não invade,
apenas deixa acontecer,
tecendo misterosamente
virtudes inacabadas.

Sinto-me em eterna segunda-feira,
despreparado para a semana da vida,
enfastiado do domingo,
ausência de tarde eterna.

Acendo uma vela,
coloco-me em silêncio
em meu quarto.

Não me agrada naturalizar a Deus,
tratá-lo como flores, e montes, e sol e luar,
(como diria Pessoa).

Nem me esvaziar em oriental reflexão
para fazer enfim desaparecerem
todas as sensações,
como se a verdade
emergisse do nada.

Do nada
não se chega
a coisa alguma.

Se há, deve ter inteligência e ser dialogável.

Se não,
assopro a vela,
e abro os olhos ao mundo.

Certamente é mais real.

O imponderável:onde a ciência e a gestão não alcançam

Trata-se de um tema de difícil abordagem e de difícil aceitação, o fato de que, sim, temos limites no conhecimento científico, principalmente no que tange ao domínio sobre a natureza, mas também nos fenômenos sociais, ainda que tenhamos avançado nestas áreas.

Lógico que estes limites são constantemente expandidos por novas descobertas e domínios de fenômenos, conforme sejam colocadas interrogações ou problemas que desafiem a sobrevivência do homem.

E isto é bom, porque o progresso vai acontecendo.

Não há uma linearidade, mas conflitos e bruscas interrupções, ou crises, que levam a ciência adiante, na busca de respostas ou explicações ou soluções para tudo o que acontece.

Estabelecem-se paradigmas, e quebram-se paradigmas. Difícil a ciência avançar de outra forma.

Na ponta da linha está a gestão do homem sobre a natureza, utilizando-se daqueles conhecimentos alcançados, para lhe ajudar a resolver, aquelas dificuldades que se colocam diante de si.

Ocorre que a previsibilidade, o planejamento da gestão, desde a pública até a privada, estão sujeitas igualmente a estes limites, onde o horizonte do conhecimento ainda não vislumbra as ações da natureza, seja ela física, econômica ou social.

É o que chamamos de imponderabilidade.

Foram feitos estudos sobre os riscos de desastres na região serrana do Rio, pela geógrafa Luiza Coelho, a pedido do Governo do Rio, que identificou áreas vulneráveis, mas não detalhava os pontos exatos de risco. 

Um estudo que chega a uma conclusão óbvia do risco mas não aponta os locais prováveis, em nada ajuda numa política de prevenção de riscos para a região. Concordam?

Que ação pode o governo estadual do Rio de Janeiro implementar, diante de uma relatório que não especifica os eventuais lugares de risco?

Sobra para a gestão pública apenas a política de evacuação do local, aqui entendida toda uma cidade, porque se não há definição de áreas de risco, de onde tirar a população, e para onde levá-la?

Estamos assim, diante do imponderável.

A ciência poderá mapear melhor os ambientes de risco, analisar melhor as possibilidades, mas temos que admitir que o conhecimento possível foi oferecido ao governo do Rio, mas pouco adiantou em termos de ações preventivas.

A complexidade da situação é ainda maior.

Há uma irracionalidade na racionalidade, constantes  na vida pública.

Demarcam-se áreas onde estão os riscos, mas não impedem as ocupações irregulares, a ponto de Dilma afirmar em sua visita à região que as ocupações irregulares eram a regra e não a exceção.

Na vida privada igualmente.

Constroem um edifício, onde antes eram algumas residências, e não calculam o impacto desta edificação nas redes de água e esgotos, no fluxo de trânsito, etc, etc....

Caminha-se até onde o conhecimento chega, e deixa-se de fora o inesperado, que virá.

Em sã conscìência, é possível admitir que o governo do Rio conseguisse deslocar grandes contingentes populacionais destas cidades antes de alguma catástrofe, porque havia o risco de uma catástrofe, que ninguém imaginaria como seria e onde atingiria?

O governo provavelmente seria taxado de louco varrido, e o projeto engavetado.

Lembro-me de Pol Pot, líder do Kmer vermelho, que deslocou grande parte da população urbana do Camboja para o campo, quando esteve no poder. Acabou isolado e foi derrotado. Talvez sua análise estivesse correta, mas a aceitação.. e só conseguiu este feito devido ao poder que possuía.

A realidade do Rio de Janeiro com Sérgio Cabral é bem diferente.

Duvido que se fizesse, e ponho em dúvida hoje que se façam mudanças deste tipo na região.

Por diversas razões. O volume dos recursos  seria imenso, e envolveria toda uma ginástica de construções e deslocamentos programados.

Quem trabalha na área de segurança do trabalho, é voltado sempre para ações preventivas. Mas às vezes , os inspetores de segurança retiram uma frase da anti-administração, as famosas leis de Murphy: "Uma política de prevenção de acidentes só ocorre depois de um grande acidente". Porque reconhece-se que poucos são os que desejam, sinceramente, erradicar um problema, até que, infelizmente, ele ocorra.

São ações impopulares, para quem não vê a possibilidade da morte.

Agora, depois da catástrofe, buscam-se os culpados, porque existem.

Mas é preciso admitir que as soluções seriam um remédio que ninguém gostaria de tomar: deixar sua casa bela e bem localizada, na montanha, com boa vista da natureza, e ir para outro mais seguro, mas menos agradável, provalvelmente.

Isto explica, mas não justifica, porque não se justificam mortes por ineficiência. Apenas se explica.

Vamos caminhar agora para um lado mais político-ambiental da questão.

Há uma responsabilidade compartilhada nesta catástrofe?

Creio que sim, a começar por todos os níveis governamentais, onde os mais próximos do evento serão os mais responsáveis, isto é o poder municipal (depois o estadual e o federal). Responsabilidade compartilhada proporcional.

Há responsabilidade principalmente na má gestão pública do dia a dia, onde foram sendo concedidas ocupações em regiões de risco, e também dos ocupantes por aceitarem se estabelecer nestas condições de risco.

E o acidente, ele é apenas resultado da ação da natureza, ou é, acima de tudo resultado da ação predadora do homem na natureza, que vai se transformando cada vez mais em resposta a estas destruições?

Estudos mostram que as grandes tempestades que estão ocorrendo em São Paulo, nunca ocorreram até os anos de 1950. 

É`a partir desta data que estes fenômenos ocorrem cada vez com mais frequência.

É a natureza respondendo ao homem, a irracionalidade da destruição que ele provoca.

E vai aumentar, pois o homem não consegue controlar seu ímpeto de dominação da natureza a qualquer custo.

Há um lado espiritual na explicação disto tudo?

Posso afirmar com segurança, que os governantes saíram menos soberbos desta refrega, talvez um pouco mais humildes, certamente, não por vontade própria.

Talvez esta humildade abra alguma janela para repensar a vida em novas dimensões.

Fico por aqui.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Ódio de classe ao motoqueiro

Vivemos num mundo cheio de ódio.

Ódio de toda espécie.

Não haveria espaço para falar de todos os tipos de ódio que observo no dia a dia, e também dos que me deixo levar, de vez em quando, querendo ou sendo levado a isto, tendo ou não razão(embora acredite que nunca se tem razão no ódio).

Falarei, portanto de um ódio de cada vez.

Hoje vou refletir sobre o ódio que se tem ao MOTOQUEIRO.

Sim, este personagem que encontramos nas ruas, quando estamos de carro, ou de moto(sob o ponto de vista de um  motociclista), ou à pé, ao atravessarmos as ruas, ou mesmo quando somos surpreendidos por uma moto na própria calçada.

O motoqueiro nos enche de ódio porque:

- Ele avança a moto e pára na frente do nosso carro, no farol vermelho, ocupando o lugar da frente que estávamos, na maior tranquilidade, como se fosse um direito adquirido. O pano de fundo deste ódio, é a competitividade capitalista, e o sentimento de ser o primeiro deixando os outros para trás.

- Ele buzina, aquela buzininha fina (desprezível diante do "meu carrão"), de surpresa, no meio fio da rua, para que abramos espaços para ele passar. O pano de fundo é o desprezo: "Quem ele pensa que ele é? O rei? para passar assim por mim?"

- Eles passam livremente no meio fio da pista, enquanto estamos parados nos congestionamentos, irritados. Como ele pode ser livre, se nós estamos aprisionados?

- Eles se ajuntam em grupos, quando tem algum problema, e vêm em cima de nós, sem piedade. "É bando agora?"

- Eles nos xingam quando estão com pressa, e estamos ou no meio fio da pista ou mudando de uma pista para a outra. Eles não têm a educação que eu tenho (como se eu não perdesse o controle também no trânsito)

- Eles são neuróticos e apressados, nos tirando do sério, e da nossa racionalidade. Como se eu não fose neurótico também no trânsito.

- Eles não querem saber se estão apertados e se espremem todo, no pouco espaço que sobra entre um carro e outro. "Que negócio é este de raspar no meu carro?"

- Eles gostam de estourar o espelho retrovisor, só de bronca de não abrirmos espaço para eles passarem. "Ele destroem e ninguém pega eles"

- Eles chutam a lataria da lateral do carro, para que saiamos mais para o lado.

- Eles aparecem quando menos se espera, ao atravessarmos a rua, nos dando um baita susto, se não formos atropelados, ou motropelados(inventei esta palavra agora). "Eles transgridem as normas de Trânsito"(o motorista é sempre o certo)

- Fazem ruídos com o motor da moto, como se este fosse estourar, só para nos apressar, ou apressar o sinal de trânsito, que não irá mudar só por causa deles. " A moto não é deles"

- Elas se ajuntam do lado de qualquer motoqueiro atropelado, e fazem de tudo para ajudá-lo, nem que isto signifique parar o trânsito.

- Eles fazem lobby dos motoqueiros, para se defender em qualquer situação.


Quem é o motoqueiro?

É um trabalhador super-explorado, que geralmente ganha ou por corrida ou por tempo de serviço, devendo ser uma pessoa extremamente rápida no que faz.

Ele faz os serviços que nós pedimos, porque temos pressa, mas nós os odiamos por nos atrapalhar na pressa, que os obrigamos a ter. 

Dá para entender?

Fora o ódio de classe mesmo, ódio rançoso, de achá-los uns pé rapados, que estorvam nossa superioridade quatrocentona.

Em minha visitas ao Hospital da Clínicas, no setor de Ortopedia, vejo que grande parte dos quebrados que para lá são enviados, são motoqueiros.

Geralmente são jovens, casados, e com filhos novos.

Fico olhando como esta profissão é perigosa, e quanto exigem deles, coitados.

Não têm futuro. Vão ser o quê no futuro? Gerente de motoqueiros? Supervisor de frotas?

O mais fácil é sair para outra alternativa profissional.

Minha sugestão:

Vamos nos libertar deste preconceito de classe transformado em ódio, e começar a enxergar virtudes neste irmãos das ruas.

Muito ao contrário, que tal sermos solidários em suas lutas por uma profissão mais digna e menos perigosa?

Nuvens escuras sobre São Paulo

O sertão vai virar mar

O mar vai virar sertão.

É assim  que está São Paulo. O clima amazônico definitivamente chegou aqui na capital paulistana. E não quer sair.

Agora Sampa está coberta de nuvens bem escuras e a chuva começou aqui na Barra Funda, pelos lados da Lopes Chaves, berço de Mário de Andrade (onde ele deixou a cabeça, esqueçam).

Está assim todos os dias de Janeiro.

Está difícil para o paulistano se locomover, ir trabalhar, passear, seja o que for.

Não ninguém tem culpa de nada.

É a natureza que é uma ingrata.

Se não chove está ruim porque não chove.

Se chove está ruim porque chove.

Se faz calor está ruim por causa do calor.

Se faz frio está ruim por causa do frio.

Nada está bom.

Nada serve.

Então também não escrevo mais nada.

Dilma e Cabral visitam a catástrofe

Mais de 500 mortos. A maior tragédia natural já tida no Brasil.

A última foi em Caraguatatuba. Lembro-me como se fosse hoje. Na ocasião a serra desbarrancou e foi jogando barro e grandes pedras rio abaixo até atingir Caraguá que fica a uma distância bem razoável da serra.

Na época, a população ribeirinha foi a que mais sofreu.

Hoje não, as três cidades atingidas pela enchente ficam próximas das serras e há muitos moradores, muitos ricos que passam temporadas por lá,  que vivem nas encostas.

Dilma foi visitar e disse que a "regra é construção irregular, e não a exceção".

E aí? desloca-se esta população. Isto tem que ser feito. Não dá voto, mas salva vidas

Que início do governo de Dilma, heim? já enfrentando tal desastre ecológico desta proporção sobre a população?

E o Cabral, que esperou a presidenta para ir ver a catástrofe, e escondendo-se por trás da mulher, declarou que a responsabilidade maior era dos municípios.

Esta é a hora onde cada um sai de leve e diz que não foi com ele.

Cabral! esta tragédia comprometeu teu projeto político.

Pode esquecer e buscar vôos mais baixos, porque o povo não vai esquecer.

Pode ter Olimpíada, Copa do Mundo de Futebol, você será lembrado publicamente desta omissão e nem será apresentado nos estádios, para não se ouvir vaias.

Quem viver verá.

E Dilma, não custa nada pedir de volta o crucifixo da parede de sua sala, para o Lula (porque afinal, é dele...), e trazer a bíblia, que está na sala ao lado, para sua mesa (não para ornamento, mas consulta quando de alguma decisão).

Já que comecei a falar, aqui vai mais uma: muita atenção minha querida presidenta, com estas escolhas ministeriais e secretarias, onde se fez concessões aqui e ali.

Podem ter entrado ratos por debaixo do tapete. Quando ele for sacudido, vai aparecer coisa. Seja rígida e criteriosa neste aspecto, presidenta!

Lembrando, sou teu eleitor.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Os corpos das inundações e a apresentação de Ronaldinho

Como o ser humano é estranho...

No mesmo Estado onde mais de 470 pessoas morreram(cada hora aumenta mais) em um só dia de chuva nas três cidades da região serrana do Rio de Janeiro, a torcida do flamengo exultou de alegria pela contratação do Ronaldinho, uma vez que o Ronaldão debandou para o Corinthians.

Luto e alegria. Dor e gozo.

Os corpos cobertos e colocados em plena rua, ou o que sobrou de rua, um lamaçal.

Enquanto isto a torcida do flamengo lá, feliz...

A tromba d'água atingiu a todos, pobres e ricos. Poucas vezes ocorre esta união. Esta foi uma delas.

Me fez lembrar da afirmação do Papa Bento XVI quando visitou o campo de concentração de  Auschwitz em 2006: "Senhor porque silenciaste? Porque toleraste tudo isto?"

São imensos os mistérios da vida, e do ser humano.

Não consigo ver a abrangência deste mistério e recolho-me, estupefato diante das desgraças que se abatem sobre o querido povo do Rio de Janeiro.

Choro ao ver o choro de pais que perderam esposas e filhos, de filhos que perderam pais, de esposas que perderam ambos.

Aprendi a chorar muito facilmente.

Chorei com Dilma quando ela se engasgou em seu discurso no Congresso, Trêmula ao falar que agora ela era "Presidenta de todos os brasileiros".

Meu filho questionou:

- Pai, o Senhor está chorando por causa da presidenta?

Os jovens ainda não sofreram o suficiente para aprender a chorar.

Chorei ao ver as pessoas que choravam por perderem seus bens nas inundações de São Paulo.

Choro a todo instante, que fico sem graça.

Há uma força desconhecida, vinda com o tempo, que anda amolecendo meu coração, e continua me fazendo cada vez mais sensível com tudo que acontece e com todos, parentes ou não, amigos ou não.

Observo o ódio à distância, já não me abate nem se aloja em meu coração. Às vezes, uma pequena recaída, logo rejeitada.

Tenho mais consciência quando escuto as pessoas falando, e falo menos, aproveitando as palavras.

A comunicação tem uma obviedade de concordância, que cansa.

Guardo mais silêncio, e comedidamente me ponho a serviço da inteligência, em se chegar a resultados.

Tenho uma consideração da importância de estar aqui, e de não desperdiçar a presença em ações inúteis.

Acabo, por conta disto , me tornando um pouco isolado.

Não faz mal.

A busca que nunca termina

Caso fôssemos pessoas realizadas, a vida não teria mais razão de ser.

Vivemos um Brasil de 2011, cheio de movimentos bruscos, grande densidade populacional, alterações climáticas, catástrofes, acirramento de conflitos, experiências novas na vida pessoal, social e institucional, mais leituras novas das artes, cultura, política.

É a globalização ou a descaracterização, a desnacionalização?

Faltam espaços, enquanto procuramos nos movimentar.

A ganância se atiça, junto a apadrinhamentos, ocupações de espaços, dominações. E nós assistimos atônitos, tantas jogadas desleais, sob nossa vista, pensando que somos cegos.

A um certo tempo, têm-se a impressão de que as coisas erradas estão se generalizando e se assenhoreando de tudo.

É como se, o mundo estivesse de cabeça para baixo, numa total inversão de valores, repaginados para um novo contexto, que não se interessa se o que é feito é certo ou errado.

Lembremo-nos, entretanto, que mesmo quando tudo parece ceder, e a esperança estiver esquecida, aí brota a vida, e com a vida, a possibildade de retomarmos a justiça e a verdade para o nosso povo brasileiro, tantas vezes explorado, por séculos.

O povo brasileiro aguarda, com paciência e obstinação, a sua remissão, a abertura de um horizonte novo para seus filhos, e cobra ação de todos nós.

Deplorável a catástrofe do Rio, Sr. Cabral

É preciso muito mais do que ser aliado. É preciso ser competente. Esta é uma tragédia anunciada que todos sabem, mas não agem preventivamente porque envolve tirar gente de suas casas e isto não dá voto. Agora depois que acontece , vêm as desculpas. Mas o Sr. Sérgio Cabral tem sua parcela de responsabilidade sim. Estamos todos enlutados com esta catástrofe. O povo em primeiro lugar sempre.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Eliminação da pobreza, só com revolução no costumes

Notícia que acaba de sair, quentinha, dá conta que a pobreza cresceu nos EUA.

Pode-se explicar pela estagnação da economia americana, mas não se justifica. Trata-se de um mal endêmico ao sistema capitalista, que joga para fora de sua empresas os seus assalariados quando a crise vem.

Portanto, o cerne deste sistema é o "cada um para si, Deus para todos", exemplificando que a solidariedade é só com Deus mesmo, porque, se depender das pessoas, tchau belo.

Se Dilma fez proposta de erradicar a pobreza, minha querida presidenta a quem prezo com zêlo, é preciso incutir uma nova mentalidade solidária, via governo, mudança radical de hábitos, incorporando o sentimento de solidariedade, e envolvendo todos em tudo.

Lógico que continuar crescendo e gerando empregos, é importante. Lógico que o Bolsa família também é importante, mas superar a pobreza no Brasil, passa OBRIGATORIAMENTE, por uma mudança de hábitos, em cada brasileiro.

Já escrevi outro artigo estes dias dizendo que Dilma está iludida quanto à erradicação da pobreza no Brasil, malgrado sua vontade tenaz.

É até engraçado verificar o conceito de pobreza que eles (os americanos)tem, comparado com o nosso.
.
Segue abaixo o texto do Censo americano que nos dá um retrato duro do crescimento da pobreza nos EUA

.Estados Unidos


EUA têm maior número de pobres em mais de 50 anos
Alessandra Corrêa
Da BBC Brasil em Washington
EUA ainda se recuperam da crise financeira global
A quantidade de pessoas pobres nos Estados Unidos cresceu pelo terceiro ano consecutivo, passando de 39,8 milhões em 2008 para 43,6 milhões em 2009, segundo dados divulgados nesta quinta-feira pelo órgão responsável pelo censo do país.
O número, o maior nos 51 anos em que a pesquisa é feita, reflete o impacto da crise financeira mundial sobre a economia americana.
A taxa de pobreza no país passou de 13,2% em 2008 para 14,3% em 2009, a maior desde 1994. Isso significa que, no ano passado, um em cada sete americanos vive na pobreza.
O escritório do censo considera pobre uma pessoa sozinha que ganhe até US$ 11,2 mil (cerca de R$ 19,2 mil) por ano.
No caso de famílias com dois adultos e duas crianças, são consideradas pobres as que têm renda anual de até US$ 21,8 mil (cerca de R$ 37,5 mil).
Crise
Os dados divulgados nesta quinta-feira são referentes ao primeiro ano de governo do presidente Barack Obama, durante a fase mais aguda da crise econômica global.
A lenta recuperação da economia americana após a crise é um dos principais problemas enfrentados pelo presidente.
A taxa de desemprego no país chegou a 10% e atualmente está em 9,6%, sem perspectivas de baixa no curto prazo.
O presidente disse que os dados divulgados pelo Censo ilustram “o quanto 2009 foi um ano difícil”.
“Mesmo antes da recessão, a renda da classe média estava estagnada e o número de pessoas vivendo na pobreza nos Estados Unidos era inaceitavelmente alto. Os números de hoje deixam claro que nosso trabalho está apenas começando”, disse Obama.
Jovens
Entre a população jovem (abaixo de 18 anos) a taxa de pobreza é ainda maior, passando de 19% em 2009 para 20,7% no ano passado.
“O aumento na pobreza infantil que observamos em 2009 é um duro golpe para o nosso país e para a nossa economia”, disse o economista Harry Holzer, da Universidade de Georgetown.
“Os custos da pobreza infantil permanecerão por muitos anos na forma de baixo desempenho escolar, trabalhadores menos produtivos e maiores gastos com saúde.”
Segundo o escritório do censo, o número de pessoas sem plano de saúde aumentou de 46,3 milhões em 2008 para 50,7 milhões em 2009.
Esse aumento, de acordo com os analistas do órgão, ocorreu principalmente por causa da perda de planos de saúde pagos pelos empregadores durante a recessão.