quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

O Pato Loco, restaurante com mais de 80 tipos de cervejas em Ubatuba

Sem contar os mais de 100 tipos de cachaças das várias regiões do país.

O Pato Loco fica na tradicional rua das peixarias, em Ubatuba, onde fica o porto de pescadores.

Restaurante rústico, em lugar rústico, porém muito frequentado. A másica ambiente é de samba de orquestra, com trombone de vara, trompete e tudo. As conversas nas mesas são alegres e o vozeirio é alto

Lá você pode pedir um prato só de camarões empanados, muito bom, ou uma porção de pastéis de camarões, ou, se não gosta de peixes, um "escondidinho de carne de sol". O cardápio é variado

O lugar é aberto e você pode chegar ao voltar da praia. O preço não é caro, como se possa pensar, mas acessível para quem vem em grupo.

Estou tendo surpresas agradáveis em Ubatuba este final de ano.

A cidade está cheia, e as ruas estão com congestionamento de automóveis, dá para acreditar.

Vejo a Folha de São Paulo, em manchete que diz que houve mais movimento de automóveis para o interior do que para o litoral.

Tudo conversa furada de uma imprensa que não sabe criar matéria, quando elas não acontecem por si.

Imprensa incompetente, boa para instigar e derrubar Ministros de Estado, mas péssima para ser criativa.

Pesquisem com o seu ombudsman e descobrirão fatos interessantes. Isto, entretanto entra na ideologia e fica proibido.

O tempo está nublado, naquele chove não chove.

Enquanto isto o povo vai para a rua. Povo saudável e bonito, bem vestido e arrumado.

Existem promoções de roupas e muitas lojas de 1,99.

Está muito agradável este fim de ano no litoral de Ubatuba(Ubachuva).

Parece que fora de Sampa é possível reencontrar a nossa natureza perdida pela confusão urbana, onde ninguém tem tempo para si, para jogar conversa fora.

É bom ser trivial de vez em quando, ser simples e fazer coisas simples.





























quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Ubatuba entre o Natal e o final de 2011

Terminado o Natal, desci de Sampa para Ubatuba com minha esposa Meg.

Fomos pela  Dutra e entramos na Tamoios, na altura de São José dos Campos,  porque Meg não gosta dos 6 km de serra da Oswaldo Cruz (entre Taubaté e Ubatuba).

Além disso tem o Fazendão, um restaurante de estrada com comida saborosa que sempre nos convida a parar(compro sempre o espetinho de franfo e um delicioso croquete de carne).

Como carrego comigo meu pit bull sou obrigado a dar mais paradas durante o trajeto.

Ocorre que o malfadado governador Geraldo Alckmin armou de fazer uma obra na serra da Tamoios, antes de Caraguá, e está obrigando a todos fazer fila única, retardando muito a viagem .

Resultado, estava tudo parado.

Imaginei-me umas três horas andando e parando. Por isso voltei até a Dutra novamente e de lá,  fomos para Taubaté e  pegamos a Oswaldo Cruz. Viajamos das 16h às 22, uma viagem que deveria ser de 4 horas.  Preferi viajar do que ficar parando e andando.

Provavelmente Geraldo Alckmin quer mostrar que está fazendo obras numa estrada em que ele nunca fez nada. E nós temos que passar por este atraso, e por esta propaganda besta, por todos irão odiar.

Bem vamos esquecer estes pormenores: Ubatuba está com sol pela manhã até umas 10h e depois o tempo vai fechando. À tarde começa a chover. Primeiro vem uma garoinha e depois cai o pé d'água. Está bom para ficar em casa e descansar. Lógico, ir jogando conversa fora, ler um livro, mexer no notebook.

Deu para pegar uma praia cedo.

Costumo ir no Perequê Açú, porque dá para ir à pé.

Almoçamos num restaurante em frente ao pequeno aeroporto da cidade, chamado Peixe na Banana, se não me engano.

Comemos uma deliciosa moqueca de robalo com camarão. Voltei rolando para casa.

A cidade não me pareceu cheia de gente, mas as pessoas dizem, que por aqui o povo fica todo espalhado e não dá a impressão da quantidade.

Vou permanecer até o dia 9 de janeiro em UBACHUVA, que deveria ser o seu nome real. Até lá o Pó das Estradas estará mostrando características da cidade. Abraço a todos.

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Comércio de Natal em Sampa reflete situação frente a crise

Fui lojista por 8 longos anos. Gostava da loja. Por vender presentes e brinquedos, às vezes meus negócios andavam na contramão de outros segmentos, como roupas, por exemplo. São percepções que vamos percebendo ao longo do tempo.

As pessoas viajam. Quando voltam, primeiro pagam as contas, depois vão às compras de alimentos para a casa, pois a geladeira está vazia, depois saem para seu lazer, cinema, teatro. É o consumo imediato, que também envolve a conservação do carro, da casa, das despesas com refeição. Por fim, vão para roupas. Como sempre, continuam pagando seus impostos, o que é difícil, uma vez que o retorno de uma viagem traz consigo pouco dinheiro na conta.

Só excepcionalmente compram presentes, uma vez que exista um aniversário, mas são lembrancinhas.

Vendas de presente mesmo são nas grandes datas, como Dia das Mães, dos Pais, Natal, Páscoa, que envolvem semanas e meses de volume de vendas.

Importante compensar este maior volume de vendas com as baixas vendas de outros períodos, como janeiro e fevereiro, quando muita gente está fora. Não fazer isto é cometer um suicídio de gestão.

Como podem ver, os lojistas necessitam de tempo para que o consumidor se regularize em sua vida, para começarem também a regularizar suas vendas.

Asim para o consumo aumentar, existe um grande contexto do movimento de mercado, que muitas vezes passa além de nossa compreensão, ou melhor, de uma análise mais balizada.

Dizem as pesquisas que os supermercados tiveram um aumento de 6% em relação ao ano anterior, e a Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas apurou  2,33% de aumento, em relação aos 15,5% que ocorrera no ano anterior.

A primeira vista todos devem ter sobrevivido, e a quebra das lojas deve ser pequena, pois a crise no mundo já vem sendo divulgada a, pelo menos 5 meses, dando chance aos lojistas em equacionar suas compras equilibradamente para o ano, e não se descapitalizarem.

Vejo, no entanto, nos jornais, que em 2012 ocorrerão 8 feriados que coincidirão em segundas ou sextas-feiras, que significa maior número de viagens dos consumidores, gerando todo o processo que descrevi acima.

Feriado é bom somente para o consumidor, não para o vendedor que tem o hábito de conquistar um cliente, que ,de repente, viaja.

Este ano exigirá criatividade na política de promoções e compras. Os grandes grupos se beneficiarão, pois são estes que conseguem reduzir melhor os preços, por conta dos altos volumes de mercadorias que trabalham.

Vamos ter de crescer neste contexto adverso.

Não é impossível, porque os brasileiros são otimistas, embora às vezes reclamem bastante, enquanto trabalham e consomem

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Pequenas interrogações

Porque os trens do metrô são iguais?
Tenho sempre que esperar o mesmo trem?

Os ônibus não podem ser mais coloridos?
Preciso das cores para me nortear ou para me divertir?

Quem aborta não deseja doar o filho?
Pior do que matar é abandonar?

Tudo tem que repetir-se?
E acho normal?

O que a monotonia esconde de tão forte?
Aonde a preguiça tem a sua força?

Eu sou sempre o mesmo?
Não percebo as novidades em mim?

Gosto da vida?
Desperto alegre, e cumprimento os vizinhos?
Reclamo fácil?

Deixo as roupas novas guardadas?
E uso as velhas por um instinto de conservação?

As pessoas acordam das rotinas?
Percebem que fazem o mesmo sempre?

Os ladrões dormem à noite?
Não se lembram de suas vítimas?

E os patrões?
Lembram-se de seus empregados?

É possível esquecer o erro?
Com a mesma facilidade com que se alegra com o acerto?





domingo, 25 de dezembro de 2011

Hoje, 25 de dezembro de 2011, o mundo faz um silêncio de festas

Manhã de 25 de dezembro de 2011.

Poucos carros nas ruas.

O povo esteve em festa na noite de 24 para 25 entre seus parentes e amigos.

Dormem o sono dos simples e dos que tem fé.

Dorme o patrão e o ladrão, o pobre e o drogado.

Dorme a mulher junto do homem, dormem as crianças refesteladas de comidas e presentes.

Há um silêncio de festa.

Os fogos de artifício pipocavam pelo céu de São Paulo, crescendo conforme aproximava-se da meia-noite, onde se imagina o nascimento do Cristo, Jesus.

Este é um mistério que sempre me acompanhou:

Como Deus pode ter se tornado humano?

E uma vez humano, como conseguiu inverter todo o processo(?) e ficar dependente do homem, precisando dos cuidados das pessoas, necessitado de nosso afeto e esperança.

Para mim estes sempre foram atributos de Deus.

Vê-los nas mãos dos homens enquanto Deus os solicita, me deixa intrigado.

Afinal, quem somos nós para oferecermos isto: a humildade, o amor, a paz, a justiça, a equidade...

Por onde olho, existem tragédias, revoluções, guerras.

O homem devorando o homem, o planeta agonizando, com plantas, rios, animais de todos os tipos desaparecendo.

Não pode ser neste ambiente que Jesus Cristo queira vir.

Mas é exatamente aqui, neste contexto, que Ele aparece.

Nu; em uma manjedoura; sem lugar, sem um lar.

Seu primeiro choro deve ter sido o de toda humanidade desesperançada.

Choro de rompimento com o mundo de até então.

Novo começo de uma humanidade.

Simples e completo.

Como convém a Deus.

Vejo a despedida do Pai com o Filho.

- Filho será uma experiência incrível, você adentrar num corpo humano, e ver restringir-se tua divindade. Você sabe que será semelhante a nós, mas sem o ilimitado. Isto é necessário pois este povo não desperta de suas dores, e segue surdo à voz dos profetas que suscitamos.

E Jesus mansamente segue este trajeto trilhado pelo Espírito Santo até o ventre de Maria.

Apaga-se a onisciência, a onipotência, a onipresença, e mergulha na escuridão humana, num ventre escolhido desde o princípio, para acolhê-lo em sua pureza. Divina encarnação.

Agora, em tudo depende de nós.

Este silêncio está sendo rasgado por choro esperado desde  criação.

Vamos conservá-lo, enquanto cresce e novamente inverta o ciclo pedagógico de Deus, para poder nos ensinar o caminho, porque o mundo precisa romper esta fase de pré humanidade, e adentrar num novo patamar, onde o amor e a fraternidade vencerão a injustiça e a ganância.







sábado, 24 de dezembro de 2011

Católico é morto em Orissa, Índia

Retirei este material do Zenit.

Caminhamos por um mundo com intolerância crescente, seja da parte da parte de segmento crentes e descrentes.

Não devemos deixar de defender o princípio democrático da liberdade de culto.

Não é concebível no século XXI existam ainda incompreensões

Três pessoas foram detidas por matar catequista católico
Número de mortos em Kandhamal, na Índia, sobe para três em 2011
Kandhamal,Índia, sexta-feira, 23 de dezembro de 2011(ZENIT.org) -Três pessoas foram presas por ligação com a morte de um catequista católico e ativista dos direitos humanos, morto no estado de Orissa, na Índia, no início desta semana.
***
O arcebispo John Barwa de Cuttack-Bhubaneswar, na Índia, disse à Ajuda à Igreja que Sofre, que a prisão foi feita pela ligação com a morte de Rabindra Parichha, cujo corpo foi encontrado em Parichha Bhanjanagar em no distrito de Kandhamal no domingo, 18 de Dezembro.
Rabindra Parichha, 47, foi o terceiro catequista morto este ano em Kandhamal, no estado de Orissa - que foi cenário de ataques contra cristãos em 2008, onde 54 mil fiéis ficaram desabrigadas após o incêndio de 4.640 casas.O arcebispo Barwa disse: “A polícia prendeu três pessoas ligadas com o caso e radicais Hindus poderiam estar por trás do assassinato.”
O Arcebispo, que ensinou o Sr. Parichha quando estudante, prestou homenagem ao catequista assassinado.
Ele disse a AIS: “Pariccha era um excelente trabalhador no campo social, em favor dos direitos dos Dalit”; referindo-se ao trabalho de Parichha com o grupo social mais desfavorecido no país - que era conhecido como “Os intocáveis”. O Sr. Parichha trabalhou no Centro de Apoio Legal Orissa.
De acordo com a agência de notícias Fides, fontes locais informaram que o catequista deixou a casa da família depois de receber o telefonema de um vizinho.
Após uma busca infrutífera pelo mesmo, a família do Sr. Parichha avisou a polícia, que encontrou o corpo na manhã seguinte, pelas vias de Kabi Samrat Upendra Bhanja College.
A garganta do Sr. Parichha tinha sido cortada e havia ferimentos de faca nas mãos e no estômago.Por John Newton e Javier Fariñas
(Tradução:MEM)

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Hoje é dia de preparação da ceia

O dia de hoje está reservado para a preparação antecipada da ceia.

Hora de tirar as carnes congeladas e deixá-las embebidas em molhos específicos.

Eu e Meg fomos ao supermercados e fizemos compras para a nossa parte da ceia.

Estamos fazendo uma ambrosia daquelas mineiras, que minha mãe fazia, que era de Barretos, seguindo o mesmo receituário. Acrescentamos uns pedaços de pau de canela porque meu irmão reclamou, no Natal passado, que a ambrosia não estava como mamãe gostava de fazer.

Não passarei a receita aqui porque não é oportuno nem momento.

Tiramos um lombo, duas bolinhas de peito de peru, e dois tender pequenos do congelador para descongelá-los.

Esquecemos de fazer isto antes. Agora só amanhã pel manhã conseguiremos nosso intento.

Compramos frutas que farão parte de um prato todo recheado das mais diversas variedades de frutas. Normalmente elas não são comidas no almoço, mas depois, aos poucos, vão sendo experimentadas. É assim mesmo.

Ah, estamos preparando também a rabanada. Já compramos três pães de rabanada e os cortamos. Será bastante

Como se vê, no Natal fazemos questão de apresentar o que temos de melhor.

Também pudera, é o dia em que comemoramos o nascimento de Jesus.

Quinta-feira estive no ministério de música, tocando na missa do Hospital de Clínicas, às 12 h, na capela que fica bem no último andar. O Padre Anísio Baldessin celebrou. Lá conheci também o pastor presbiteriano que representa os evangélicos no H.C. Tivemos uma boa conversa. Contei-lhe que já participei de alguns cultos da Igreja Presbiteriana de Ubatuba e que de vez em quando convido o pastor de lá para um café comigo em casa.

Ele respondeu-me, e eu já sabia, que aquela igreja é centenária, e que eles tem um objetivo missionário.

Depois lembrei-me das conversas com o pastor de lá. Como sofrem os pastores presbiterianos, pois são escolhidos e rejeitados pelo voto dos fiéis. Bem diferente da Igreja Católica onde a autoridade do sacerdote está acima da comunidade. Direito natural, diremos.

O comércio vai fechando as portas, os bares vão sendo lavados aqui na Barra Funda, e alguns só abrirão em 2012.

Estou vigiando a panela da ambrosia. São 6 h na boca do fogão, com fogo muito baixo, para não queimar, enquanto a ambrosia pega  o gosto e a cor.

Espero que quem esteja lendo esteja  no mesmo espírito de Natal que eu.

Como é bom esquecer os problemas, as dificuldades, e renovarmos as nossas esperanças e alegrias. 

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Cuba se prepara para receber Bento XVI

Retirei do Zenit. Acho importante mostrar este artigo, porque demonstra uma nova relação dom as igrejas, e que professar uma fé não está em oposição à construção do socialismo na ilha de Cuba.

O presidente Raúl Castro recebe visita de uma Delegação da Santa Sé
CIDADE DO VATICANO, terça-feira, 20 de dezembro de 2011(ZENIT.org) - De acordo com o Serviço de Informações do Vaticano, o presidente de Cuba, Raúl Castro, recebeu "com satisfação" o anúncio oficial da próxima vista do Santo Padre Bento XVI, prevista para março.
***
O presidente Raúl Castro recebeu a visita de uma Delegação da Santa Sé, dia 18 de dezembro, em ocasião da viagem do Santo Padre a Cuba. Durante a visita, foi salientado “o excelente relacionamento entre Cuba e a Santa Sé e estabelecidos alguns pontos relacionados aos preparativos da visita Papal”.
O texto oficial da Assessoria de Imprensa lido em um telejornal nacional, dizia que Cuba se prepara para receber Bento XVI, “com afeto e respeito”.
A visita de Bento XVI coincide com a celebração organizada pelos Bispos Cubanos em comemoração dos 400 anos da descoberta da imagem de Nossa Senhora da caridade do Cobre, Padroeira de Cuba.  Nossa Senhora da Caridade foi proclamada padroeira de Cuba no início do século XX, 10 de maio de 1916, pelo papa Bento XV, e solenemente coroada em 20 de janeiro de 1936, em Santiago de Cuba.
A celebração inclui uma peregrinação nacional da imagem e será concluída com uma Missa ao ar livre, dia 30 de dezembro, na avenida del Puerto em La Habana, enquanto os Bispos proclamarão o Ano Jubilar Mariano, de 7 de janeiro de2012 a5 de janeiro de 2013.
Maria Emília Marega

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Estas sinistras festas de Natal

Vale a pena refletir sobre este texto de Gabriel García Márquez que eu deixo para você leitor do Pó das Estradas. Somos pó. Estamos temporariamente transformados em carne, mas logo voltaremos a ser pó. Aproveite.


Ninguém mais se lembra de Deus no Natal. Há tanto barulho de cornetas e de fogos de artifício, tantas grinaldas de fogos coloridos, tantos inocentes perus degolados e tantas angústias de dinheiro para se ficar bem acima dos recursos reais de que dispomos que a gente se pergunta se sobra algum tempo para alguém se dar conta de que uma bagunça dessas é para celebrar o aniversário de um menino que nasceu há 2 mil anos em uma manjedoura miserável, a pouca distância de onde havia nascido, uns mil anos antes, o rei Davi.
Cerca de 954 milhões de cristãos — quase 1 bilhão deles, portanto — acreditam que esse menino era Deus encarnado, mas muitos o celebram como se na verdade não acreditassem nisso. Celebram, além disso, muitos milhões que nunca acreditaram, mas que gostam de festas e muitos outros que estariam dispostos a virar o mundo de ponta cabeça para que ninguém continuasse acreditando. Seria interessante averiguar quantos deles acreditam também no fundo de sua alma que o Natal de agora é uma festa abominável e não se atrevem a dizê-lo por um preconceito que já não é religioso, mas social…
O mais grave de tudo é o desastre cultural que estas festas de Natal pervertidas estão causando na América Latina. Antes, quando tínhamos apenas costumes herdados da Espanha, os presépios domésticos eram prodígios de imaginação familiar. O menino Jesus era maior que o boi, as casinhas nas colinas eram maiores que a Virgem e ninguém se fixava em anacronismos: a paisagem de Belém era complementada com um trenzinho de arame, com um pato de pelúcia maior que um leão que nadava no espelho da sala ou com um guarda de trânsito que dirigia um rebanho de cordeiros em uma esquina de Jerusalém.
Por cima de tudo, se colocava uma estrela de papel dourado com uma lâmpada no centro e um raio de seda amarela que deveria indicar aos Reis Magos o caminho da salvação. O resultado era na realidade feio, mas se parecia conosco e claro que era melhor que tantos quadros primitivos mal copiados do alfandegário Rousseau.
”Desilusão”
A mistificação começou com o costume de que os brinquedos não fossem trazidos pelos Reis Magos — como acontece na Espanha, com toda razão —, mas pelo menino Jesus. As crianças dormíamos mais cedo para que os brinquedos nos chegassem logo e éramos felizes ouvindo as mentiras poéticas dos adultos.
No entanto, eu não tinha mais do que cinco anos quando alguém na minha casa decidiu que já era hora de me revelar a verdade. Foi uma desilusão não apenas porque eu acreditava de verdade que era o menino Jesus que trazia os brinquedos, mas também porque teria gostado de continuar acreditando. Além disso, por uma pura lógica de adulto, eu pensei então que os outros mistérios católicos eram inventados pelos pais para entreter aos filhos e fiquei no limbo.
Naquele dia — como diziam os professores jesuítas na escola primária —, eu perdi a inocência, pois descobri que as crianças tampouco eram trazidas pelas cegonhas desde Paris, que é algo que eu ainda gostaria de continuar acreditando para pensar mais no amor e menos na pílula.
Tudo isso mudou nos últimos 30 anos, mediante uma operação comercial de proporções mundiais que é, ao mesmo tempo, uma devastadora agressão cultural. O menino Jesus foi destronado pela Santa Claus dos gringos e dos ingleses, que é o mesmo Papai Noel dos franceses e aos que conhecemos de mais. Chegou-nos com o trenó levado por um alce e o saco carregado de brinquedos sob uma fantástica tempestade de neve.
A má influência americana
Na verdade, este usurpador com nariz de cervejeiro é simplesmente o bom São Nicolau, um santo de quem eu gosto muito e porque é do meu avô o coronel, mas que não tem nada a ver com o Natal e menos ainda com a véspera de Natal tropical da América Latina.
Segundo a lenda nórdica, São Nicolau reconstruiu e reviveu a vários estudantes que haviam sido esquartejados por um urso na neve e por isso era proclamado o patrono das crianças. Mas sua festa é celebrada em 6 de dezembro, e não no dia 25. A lenda se tornou institucional nas províncias germânicas do Norte no final do século 18, junto à árvore dos brinquedos e a pouco mais de cem anos chegou à Grã-Bretanha e à França.
Em seguida, chegou aos Estados Unidos, e estes mandaram a lenda para a América Latina, com toda uma cultura de contrabando: a neve artificial, as velas coloridas, o peru recheado e estes 15 dias de consumismo frenético a que muito poucos nos atrevemos a escapar.
No entanto, talvez o mais sinistro destes Natais de consumo seja a estética miserável que trouxeram com elas: esses cartões postais indigentes, essas cordinhas de luzes coloridas, esses sinos de vidro, essas coroas de flores penduradas nas portas, essas músicas de idiotas que são traduções malfeitas do inglês e tantas outras gloriosas asneiras para as quais nem sequer valia a pena ter sido inventada a eletricidade.
Tiros no Natal
Tudo isso em torno da festa mais espantosa do ano. Uma noite infernal em que as crianças não podem dormir com a casa cheia de bêbados que erram de porta buscando onde desaguar ou perseguindo a esposa de outro que acidentalmente teve a sorte de ficar dormido na sala.
Mentira: não é uma noite de paz e amor, mas o contrário. É a ocasião solene das pessoas de quem não gostamos. A oportunidade providencial de sair finalmente dos compromissos adiados porque indesejáveis: o convite ao pobre cego que ninguém convida, à prima Isabel que ficou viúva há 15 anos, à avó paralítica que ninguém se atreve a exibir.
É a alegria por decreto, o carinho por piedade, o momento de dar presente porque nos dão presentes e de chorar em público sem dar explicações. É a hora feliz de que os convidados bebam tudo o que sobrou do Natal anterior: o creme de menta, o licor de chocolate, o vinho passado.
Não é raro, como aconteceu frequentemente, que a festa acabe a tiros. Nem tampouco é raro que as crianças — vendo tantas coisas atrozes — terminem acreditando de verdade que o menino Jesus não nasceu em Belém, mas nos Estados Unidos.

Gabriel García Márquez (Aracataca, Magdalena, 6 de março de 1927) é um importante escritor colombiano, jornalista, editor e ativista político de esquerda, que em 1982 recebeu o Nobel de literatura por sua obra, que entre outros livros inclui o aclamado Cem Anos de Solidão. Foi responsável por criar o realismo mágico na literatura latino-americana.

Calor em Sampa está insuportável, e o povo está nas ruas

O verão está dando mostras de como virá: muito quente e com chuvas torrenciais.

Não existem mais explicações dos ambientalistas, tão acostumados a nos acusarem de toda esta transformação na natureza.

Ora, eles são igualmente responsáveis por toda esta desordem.

São mesmo bucólicos e trovadorescos, pois não os vejo nem perto do modernismo, quanto mais desta pos-contemporaneidade em que vivemos.

O povo está nos bares, restaurantes, refrescando-se e trocando amabilidades neste fim de ano.

Tudo vai sendo "perdoado", protelado: os inimigos suspensos temporariamente de seus confrontos, os endividados em trégua para cobranças posteriores, os projetos reafirmados como fé, os encontros como se fossem de irmandades religiosas, enfim há um lambe lambe que eu desejaria que fosse mais verdadeiro e frequente.

É como se estivesse acontecendo um Jubileu, daqueles proposto por Deus no Antigo Testamento e que não ocorreu, tipo de perdão amplo que permeia a toda a sociedade.

As pessoas parecem ser mais fraternas, posto que é data comemorativa do nascimento de Jesus Cristo.

Lógico que o assaltante continua assaltando, o adúltero adulterando, o mentiroso trapaceando, enfim os ilícitos todos continuam normais; porém, parece que prevalece o bem.

Têm-se a impressão que uma névoa de paz e entendimento se sobrepõe ao mal, que se encolhe envergonhado.

Os pobres são lembrados, eles que são colocados de lado durante o ano inteiro.

É mesmo incrível este espírito que toma conta de todos e tudo.

Gostaria de viver de Natal, num eterno nascer de Jesus, numa confraternização interminável, de refeições comuns e esquecimento dos males.

Ah, Jesus!  Nasça todo dia neste teu povo.

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Império quer hambúrgueres e facebook para o povo da Coréia do Norte

A construção do socialismo no mundo passa pelo combate constante do capitalismo, a bem da verdade, do imperialismo, sua etapa superior. Sem considerar o contexto em que vive, a construção do socialismo pode malograr e desaparecer.

O movimento de Cuba em direção a uma abertura do mercado econômico, vem, para alguns, um pouco tardiamente, uma vez que a experiência de socialismo de mercado já é uma realidade desde a queda da União Soviética. Antes, o Vietnã, o Laos, a própria China, vêm implementando a construção do socialismo, reconhecendo a necessidade de uma convivência com o capitalismo por um tempo que não é curto.

O isolamento econômico de Cuba levou a liderança da ilha a buscar em Fidel, o respaldo político ideológico que precisavam. A situação da Coréia do Norte, país de cultura e geografia muito diferentes de Cuba, não é muito diferente. Sofrendo bloqueio econômico, e por décadas suportada pela União soviética, como foi Cuba, enfrenta dificuldades econômicas decorrentes hoje, e busca de alguma forma sobreviver ao bloqueio. Conta com o apoio da China e da Rússia. Igualmente a Cuba, recorrem às suas maiores lideranças o esteio para a sua sobrevivência.

Imagino o socialismo construindo o comunismo: o poder político sendo progressivamente descentralizado a passando para as mãos da população, que por seu turno vai se organizando mais e mais. Isto, entretanto, imagino, deve fazer parte de uma fase ainda posterior, quando a influência do capital estiver, de fato, bastante reduzida.

Não é o que se passa hoje, onde o capital está bastante entremeado à construção socialista, que por sua vez, abdica de uma luta ideológica, pois não há uma separação clara dos sistemas que convivem no novo contexto.

O cerco capitalista, e a convivência do socialismo de mercado não tem permitido, portanto, a distribuição do poder para o povo, ao contrário, tem enfatizado o papel  de timoneiro de suas lideranças.

Os estudos de liderança tendem a fazer uma separação entre concentração de poder e pouca autonomia social de um lado, e e diminuição do poder do líder com maior autonomia social. Até a desaparição do Estado.

O problema se coloca quando, em meio a um bloqueio do império, a solução que se busca vai de encontro a um sistema híbrido de uma fé na figura do estado e do líder, como resposta ao bloqueio. Esta´fé deveria estar na base da pirâmide.

Por isso não me surpreendeu a quantidade de lágrimas derramadas pelo povo norte coreano. O império logo divulgou tratar-se uma propaganda organizada pelo próprio governo. Não creio. São lágrimas sinceras, de um povo que depositou todas as suas esperanças naquela liderança.

Ocorre que ela morreu. Já não existe mais nesta terra.

Acaso Lenin soubesse que para ele seria erguido um mausoléu, e seu corpo seria embalsamado,concordaria com isto? Creio que não concordaria. Mas também não é difícil entender porque isto aconteceu. Tratou-se de um contexto igualmente de bloqueio econômico e de graves disputas internas.

Choro assim compulsivo reflete alta dependência da liderança. Encarar a morte e a perda com esta contundência também denota pouca auto gestão da sua vida social. Se o poder estivesse mais distribuído, provavelmente a dor não seria tanta.

Pode haver uma idolatria de estado? Creio que sim

A idolatria não é um fenômeno exclusivamente religioso, mas atinge todas as esferas da vida,  significando uma dependência das pessoas ao dinheiro, ao sexo, ao poder, ao corpo, ao estado. A rigor, eu posso idolatrar tudo o que quiser.

Na Grécia antiga, Narciso amou a sua imagem e morreu. Era um fenômeno já conhecido desde a antiguidade.

O inverso da idolatria é o reconhecimento de nossa limitação, e a consciência de nossa dependência das outras pessoas, fato que nos leva a nos organizarmos para resolver os problemas. O socialismo será construído por uma humilde consciência de que somente a organização social será melhor. O papel do líder  será colocado como lixo da história, quando a humanidade superar esta sua pré-história capitalista.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Contagem regressiva

O tempo passa.

De tudo 
sobram lembranças
nos fatos 
que permanecem.

Estamos num Brasil
semi-resolvido
mas cheio de auto-estima.

Pedem-me para usar branco.

De ano em ano
exaltamos a paz
enquanto diariamente
sofremos violência
e morte.

Conquistei isto
perdi aquilo.

O mundo
reduz-se
a um prolongado
emprego.

Como incomoda
 esta constatação

O mundo
contorna
a vida
com estranha
sutileza,
maléfica,
e a mantém
superficial.


Nada mais
satisfaz,
tamanha a força
das transformações

São precisos
novos esportes
novas relações
mais radicais
em crescente
desafio
tensão.

Quero um desenvolvimento
voltado para o bem
do homem,
sem esta pressa toda
enlouquecida
em desejar
ser o primeiro.

Não quero trocar de roupas
com tanta frequência
nem conhecer tantos lugares
de uma só vez
só para dizer que fui.

Quero um tempo para mim
para minha amada,
esbaforida
nos apertos diários.

O ano que vem...
sim, o ano que vem.

Um verdadeiro
enigma.
ainda mais 
inesperado
para 
resistir
neste frenesi
capitalista.

É preciso
resgatar o tempo
para o ser humano,
naquilo que é essencial.

Passearmos juntos
encontrando pessoas
e tomando limonadas 
 nas tardes quentes
de verão.

Sem pressa,
proseando.


O NASCIMENTO DE JESUS, UM CORDEL SOBRE O NATAL



Uma forma popular de contar o nascimento de Jesus. Parabéns à Igreja Batista Central de Fortaleza por esta iniciativa. Os batistas têm se mostrado criativos na evangelização. 

domingo, 18 de dezembro de 2011

O Santos e a proibição das palmadas

Confesso que hoje arrependi-me de apoiar o projeto de lei que proíbe as palmadas em crianças.

Isto porque a derrota do Santos me devolveu a vontade de dar uns cascudos nessa garotada metida a ser a melhor do mundo, mas que se borra toda, na hora H.

Existe um ditado nordestino, cheio de sabedoria, que diz que "pau que nasce torto, não tem jeito, morre torto".  Este ditado se aplica hoje ao Santos.

O time desistiu do campeonato nacional para se preparar para a goleada que levou hoje do Barcelona.

Merece ou não umas palmadas? Deixa a torcida decidir, e vocês verão que palmadas só é aperitivo

O time ficou na defensiva e tremeu diante do Barça.

Merece ou não palmadas?

O Ganso só quis falar de contrato e nada mais, e o Neymar só quis passear e dar autógrafos. Nenhum dos dois quis jogar quando foi preciso.

Merecem ou não palmadas?

O time não fez sequer uma contratação para melhorar a defesa que todos sabiam que é uma porcaria, desde o goleiro.

Merecem ou não palmadas?

Dito isto, dou  braço a torcer no poio à lei das palmadas, e digo que o Brasil ainda não encerrou a cota de palmadas que precisam ser dadas.

Muitas palmadas, que esquentem a auto-estima, e acabem com a cara de pau de aceitar a derrota.




sábado, 17 de dezembro de 2011

Após seis meses, Plano Brasil Sem Miséria localiza 407 mil famílias em extrema pobreza

por Secom em 16/12/2011 20:50hs
 
Meta da busca ativa até 2013 é encontrar 800 mil
Ao completar seis meses, o Plano Brasil Sem Miséria (BSM) já localizou 407 mil famílias em situação de miséria. Assim, a busca ativa atinge mais de metade da meta de localizar 800 mil famílias extremamente pobres até 2013 e incluí-las no Cadastro Único de Programas Sociais. Dessas, 325 mil já recebem o Bolsa Família. Os resultados foram apresentados no evento de assinatura de compromisso com os governadores do Centro-Oeste, na sexta-feira (16), pela ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Tereza Campello. 
O Plano tem apoio dos 26 estados e o Distrito Federal (DF). Oito estados - Amapá, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Rondônia e São Paulo - e o DF estão integrando seus programas de transferência de renda ao Bolsa Família, o que complementa o benefício para 3,5 milhões de pessoas.
Bolsa Família
O Bolsa Família incluiu 1,3 milhão de crianças e adolescentes, por causa da ampliação de três para cinco benefícios por família para filhos de até 15 anos.
Outra novidade é a criação dos benefícios à gestante e nutriz. Hoje, 92 mil nutrizes e 25 mil gestantes recebem benefício de R$ 32 do Bolsa Família. As medidas fizeram com que o valor médio do benefício passasse de R$ 96 para R$ 119,83. A localização e inclusão no Cadastro Único das famílias extremamente pobres são feitas por meio da busca ativa, o que possibilita que elas passem a ser beneficiárias das diversas ações do BSM, como programas de transferência de renda, de inclusão produtiva e acesso a serviços públicos.
Serviços públicos
O acesso aos serviços de saúde, educação e assistência foi ampliado. O programa Mais Educação priorizou ações para 5,3 mil escolas com maior número de beneficiários do Bolsa Família. Com isso, um milhão de alunos serão beneficiados.
Na saúde, o governo priorizou a instalação de 2.122 novas unidades básicas em áreas com maior concentração de extremamente pobres. O plano contabiliza ainda a formação de 563 novas equipes do Brasil Sorridente, cem novas unidades móveis de atendimento odontológico e a entrega de 239,5 mil próteses dentárias. Também foram criadas mais 427 equipes do Saúde da Família.
Foram criadas 1.132 equipes volantes nos Centros de Referência da Assistência Social (Cras) e inaugurados 197 Cras. Trinta e quatro municípios foram selecionados para construção de novos Cras e 27 novos Centros Especializados da Assistência Social (Creas).
Centro-Oeste adere ao Brasil Sem Miséria
Governadores do Distrito Federal, de Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul assinaram na sexta-feira (16) o Pacto Centro-Oeste do Plano Brasil Sem Miséria. O termo de compromisso, com ações voltadas a 557.449 pessoas que vivem com renda mensal de até R$ 70, conclui a agenda de pactos regionais de superação da extrema pobreza.
Os governos de Goiás e Mato Grosso vão integrar seus programas de transferência de renda ao Bolsa Família. Os dois estados concentram 70% da população em extrema pobreza da região, com um total de 390.358 pessoas.
Em Goiás, a complementação de renda será feita a todas as famílias que permaneçam com renda per capita inferior a R$ 70, mesmo com o recebimento do Bolsa Família. Em Mato Grosso, o programa Panela Cheia será voltado para mais de 130 mil pessoas em situação de extrema pobreza. Em 2012, o governo estadual deverá investir R$ 10 milhões para complementar a renda dos beneficiários do Bolsa Família que continuarem abaixo dos R$ 70 per capita mensais. Até 2014, o total investido deverá chegar a R$ 30 milhões.
O governo do Distrito Federal (GDF), que já faz a complementação de renda das famílias extremamente pobres, assinou uma reestruturação do programa Vida Melhor. Pelas novas regras, a complementação do benefício será feita às famílias beneficiárias do Bolsa Família que, mesmo após o recebimento do repasse federal, continuem com renda per capita mensal inferior a R$ 100.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Adolescente confessa estupro de menina de 13 anos pela internet


Blogueiro que denunciou estupro de filho de diretor da RBS (Globo) é encontrado morto em Santa Catarina
14/12/2011
Familiares de Hamilton Alexandre exigem rigorosa apuração do caso
Escrito por: Altamiro Borges, no Blog do Miro
O blogueiro Hamilton Alexandre, o Mosquito, foi encontrado morto em seu apartamento, em Palhoça, Santa Catarina, na tarde de ontem (13). Segundo a polícia, tratou-se de "suicídio por enforcamento". A rápida conclusão, porém, não convenceu seus amigos e familiares, que exigem rigorosa apuração do caso.Com suas "tijoladas" na internet, Mosquito fez inúmeros inimigos. Nos últimos tempos, ele alertou que estava sendo ameaçado. Na semana retrasada, ele anunciou o fim da sua página: "O blog Tijoladas acabou para eu continuar vivo. Não é uma capitulação. Não mudei meu modo de pensar. Não mudei minhas convicções".Mosquito ganhou fama nacional ao denunciar um caso de estupro em Florianópolis, envolvendo o filho de um diretor da poderosa RBS, afiliada da TV Globo. A mídia corporativa abafou o escândalo, só noticiado pela TV Record.Eu conheci o inquieto e irreverente Mosquito no I Encontro dos Blogueiros Progressistas, em agosto de 2010, no auditório do Sindicato dos Engenheiros de São Paulo. A sua morte não pode ser abafada. O que se exige é que o caso, bastante estranho, seja apurado com rigor!

O PERU DO NATAL

Deixo para os leitores do Pó das estradas este conto de Natal

Num apartamento localizado na Barra Funda, São Paulo, aproximadamente às 21h30min da noite de Natal de 2011, estando reunida a família em volta da mesa, com as crianças impacientes por abrir os presentes depois da ceia, ouve do avô que aguardem um pouco mais, pois deseja contar-lhes uma pequena história, que passo a vocês também, meus leitores: a história do PERÚ DO NATAL.
- Esta é uma história que há muito tempo guardo no fundo do meu coração. - diz o avô - Dela tirei muitas lições de vida, por isso peço que se acalmem um pouquinho, e fiquem perto de mim, para me ouvirem bem. É a história de um peru de estimação. Mas, primeiro comecemos pelo nascimento do personagem principal, o Pereirinha.
Quando Luiz Pereira nasceu, o Pereirinha, como lhe chamavam em sua terra, os dias eram longos e tudo durava muito, diferente de hoje, em que não se tem mais tempo para nada .  
Foi num vilarejo chamado Artêmis, um bairro rural de Piracicaba, em São Paulo, onde a vida era tranqüila e monótona: jogar no campinho de futebol, nadar e pescar no córrego, trepar nas árvores para comer goiaba ou jabuticaba, e chupar laranjas pelas tardes afora.
- Vovô, que diferença as coisas que se fazia antigamente, com o que fazemos hoje. – disse um dos netos
- É verdade Carlinhos, não existiam vídeo games, internet, ou coisa do gênero. Cada tempo com sua verdade. Eram os idos de 1970, e o Brasil passava por um período de trevas, com perseguições e mortes. Nada disto, porém, afetava a tranqüila vida de Artêmis.
Nascera numa casa, com ajuda da parteira, com um grande jardim de frente, dois quartos, sala, cozinha e banheiro, quintal comprido terminando num muro, com o mato do outro lado. Este foi local onde Pereirinha nasceu e passou sua infância. No fundo da casa, seu pai plantava algumas verduras para o consumo diário, e mantinha uma pequena criação de galinhas.
Em Artêmis as paisagens repousavam como pinturas nos quadros. Havia o perigo, mas de outro tipo: picadas de cobras, aranhas, medo de fantasmas, almas penadas, morcegos, nada como nos dias atuais, com o mal barbarizado, que nem merece ser citado.
O lugarejo era praticamente uma rua onde todos se conheciam: a vendinha do Seu Luiz, com o caderneta de conta, o açougue da Antônia, moça de braço forte no uso da machadinha, a barbearia do Pedro, a Escola Municipal, da Dona Mariazinha, a diretora.
Os demais trabalhavam na sua roça, ou por empreitada. Dona Sebastiana, a Tiana, sua mãe, mulher prendada, cuidava da casa, lavando e passando roupas, fazendo a comida para o Seu João, seu marido, que tinha um pedaço de terra arrendado.
Quando ficou grávida do Pereirinha, o primeiro filho, foi uma festa.
Ali, como de costume, o festejo era compartilhado por todos. Um trazia o salgado, outro um bolo de fubá, ou de milho, assim juntavam tudo, punham sobre a mesa, e sentavam-se para prosear enquanto comiam.
Ficavam de conversa ao relento da tarde, terminando cedo, porque dormiam todos com as galinhas, não havia muito que se fazer à noite. Foi assim quando Tiana engravidou, parou o lugarejo, festão.
Depois, João correu na cidade, e comprou um filhote de peru, um peruzinho, “prá se alembrá”, como diz o caipira, daquela data, ou para assar, quando nascesse o bebê. Sabia que o povo ia se reunir de novo, homem precavido.
Barriga crescendo, João arando, assim passou o tempo. Nas vésperas do nascimento, João voltava mais cedo da lavoura, preocupado, deixando sempre a Bércia, a parteira, de sobreaviso. 
Ah, o peruzinho também ia crescendo. Estava perdendo as suas penugens, já com algumas pequenas penas. Ainda não crescera o esperado, sendo criado meio solto, longe das galinhas.
Passeava pelo quintal, entrava de vez em quando na casa, pela cozinha, filando com a Tiana algo para comer, que ela jogava. João não tirava o olho dele, vendo-o ganhar peso. Pensava no dia em que iria matá-lo para a festa.
Mas, coisa estranha, bastava o peruzinho ver João, e corria em sua direção enroscando-se entre as suas pernas, de alegria. Tanto, ao longo do tempo, ele foi tomando tal apreço pelo bichinho, que logo se afeiçoou de vez. 
Já não pensava mais em sacrificar, para comemorar o nascimento. Assim, quando Pereirinha nasceu, em fevereiro de 1971, existia um peruzinho de estimação que o acompanharia durante boa parte de sua infância.
Pereirinha nasceu de parto normal, chorando forte. Bércia fizera um belo parto; lógico, contando com o esforço de Tiana. Ao nascer, Mariazinha, diretora da escola, amiga que acompanhara tudo de perto, fez um café forte, e o deu a Tiana para beber. Esta, repleta de alegria, após uns goles, entornou devagarzinho o café na boca de Pereirinha, para que bebesse aos golinhos.
Foi assim, que Pereirinha tomou sua primeira refeição, em vez de mamar do leite materno, café. As visitas da semana para o menino, fizeram parte do noticiário de Artêmis, onde parecia que a vida não passava.
É difícil calcular, com os olhos voltados nos tempos de hoje, o que significava a paz e a harmonia daquele lugarejo afastado. Silêncio para pensar na vida após o jantar, tempo para conversar sobre assuntos corriqueiros, naturalidade em oferecer produtos entre uns e outros.
Aos domingos, a maioria ia à missa. Vinha um padre da cidade, com hora marcada, para a capelinha de Nossa Senhora de Aparecida, devoção local.
Depois, os homens jogavam Bocha, gritando e fazendo troças entre si, enquanto as mulheres proseavam preparando a refeição. Ao final da tarde, jogavam futebol de campo, com camisa de time, torcida e tudo, até o sol se por.
Da primeira vez que João e Tiana saíram à rua com o menino, todos acharam graça. Atrás, seguindo-os, como se fosse da família, ia o peruzinho acompanhando os três.
Não comentavam na frente, para não desagradar, mas era motivo de riso geral, ver o animalzinho seguindo seus passos, com a maior tranqüilidade.
Era um peru de estimação.
O tempo transcorreu, Pereirinha foi crescendo, tendo como companheiro aquele bichinho. Aos cinco anos, Pereirinha permanecia boa parte do dia em casa. Como o peru conquistara o direito de ir até a cozinha e vivia solto no quintal, ambos passavam grande parte do dia juntos, Pereirinha e o peru. 
Quando ficavam distantes, o menino assoviava para ouvir o glugluglu, e localizar seu amigo. De outro lado, era só o peru ver o Pereirinha, e pronto, se enchia todo com as penas e ficava a rodar e rodar, de contente.
Foi tanta amizade, que começaram os ciúmes. Chegava visita, e ninguém podia aproximar-se do menino, que o peru ficava bravo, e bicava. Só os pais conseguiam colocar o menino no colo, mais ninguém. Tornou-se mesmo um incômodo esta ciumeira toda, com o peru botando banca, todo estufado e bicando os intrusos.
Aproximava-se o Natal de 1976. O Brasil ainda vivia tempos sombrios de repressão política e falta de liberdades, embora o movimento social pelo retorno da democracia já mostrasse sinais de vida.
Menos em Artêmis, onde esta realidade parecia não existir. Lá continuava aquela vida pacata, voltada para si mesma. Ouvia-se uma conversa que na cidade, em Piracicaba, a vida estava mais difícil, e que ocorreram conflitos entre estudantes e policiais, uma confusão mesmo. Estranharam até em Artêmis quando alguns jovens, filhos das famílias locais, mudaram-se para São Paulo. Disseram buscar oportunidade de trabalho, que um pedaço de terra para tanta gente era insuficiente. Também, queriam conhecer novidades, coisas novas, que não encontravam naquele lugar distante.
Nada que alterasse substancialmente a vida local, mas preocupava, esse esvaziamento.
João e Tiana não ligavam para isto, e mantinham suas rotinas, de modo que preocupações à parte, seguiam em frente. Pereirinha, não largava da saia de sua mãe por onde ela fosse, e o peru atrás.
Era dezembro, e como de hábito nestas épocas, Tiana saía para fazer algumas compras na cidade, preparando os presentes e separando alimentos para a grande ocasião do Natal.
A Missa do Galo em Artêmis, seguia um ritual da época, realizada mais à noite, com tempo apenas para voltar e fazer a ceia em casa com os familiares e amigos, diferente de hoje, que se celebra mais cedo, ou não se vai.
Por duas vezes ela foi a Piracicaba comprar tecidos para presentear parentes que viriam de fora, e pegar alguns ingredientes que não tinham na vendinha do Seu Luiz, para não faltar na hora.
Ademais, faria um leitão assado, uma carne de panela, com um arroz e farofa de castanha. Tiana não assava galinha, porque acreditava que ciscavam para trás, e era de mau agouro. Peru, nem pensar, em respeito ao amigo de Pereirinha.
Todos os preparativos estavam bem encaminhados, pelo dia 23 de dezembro, com a proximidade do Natal. João reduzira seu trabalho na lavoura, e Tiana ajeitava o presépio junto da árvore de Natal, tudo muito simples.
Quando chegou a noite do dia 24 para 25, arrumaram-se para a Missa do Galo, que àquele ano seria celebrada às 21h00min. Ao entrarem no quarto de Pereirinha para aprontá-lo, eis que dormia profundamente sobre sua cama.
Com pena de acordá-lo, arrumaram-no jeitosamente, sabendo que estariam apenas 01h30min longe de casa. Ao voltarem, seria acordado e celebrariam a festa juntos. Fizeram tudo sem barulho, saindo silenciosamente de casa, até a capela de Nossa Senhora de Aparecida.
Esqueceram-se, entretanto, de fechar a porta da cozinha, que dava para o quintal. Enquanto estavam fora, entrou por uma brecha do quintal, uma cobra jararaca, venenosa, que foi se arrastando até a cozinha, e em direção ao quarto onde estava Pereirinha dormindo. Não sabia ela, que do lado de dentro, velando ao lado do menino que dormia, estava o peru, seu fiel companheiro.
Ao pressentir o perigo, o peru se encheu de coragem, e pôs-se entre a serpente e a criança. Ocorreu um luta feroz; de um lado a serpente lançava botes sobre o peru, que por seu lado, rodeava a serpente, procurando bicar sua cabeça.
Num destes ataques, a jararaca picou-lhe a coxa, ferindo-o mortalmente. Com o veneno já fazendo efeito, o peru reuniu a sua última energia, avançou decididamente sobre a cobra, e golpeando-a por duas vezes na cabeça acabou por matá-la. Em seguida, desfaleceu.
Quando João e Tiana voltaram da missa, assistiram horrorizados a triste cena do peru morto, junto à cabeça estraçalhada da jararaca, aos pés da cama de Pereirinha, que continuava dormindo, como se nada tivesse acontecido. Concluíram que o peru protegera seu filho da morte.
Naquela noite não o acordaram. Jogaram fora a cobra morta, envolveram o peru num pano e o enterraram.
Lembraram-se do livro de Gênesis, onde Deus diz que a serpente picaria o calcanhar da mulher, mas que teria a cabeça esmagada por ela, e agradeceram a intercessão da Virgem Maria, Nossa Senhora de Aparecida, pela proteção da vida do Pereirinha.
Decidiram, ali mesmo, em oração, organizar uma excursão, no ano seguinte, à cidade de Aparecida, para agradecer a Deus.
Pela manhã, ao acordar, o menino assoviou, sem resposta, chamando o peru. Levantou-se e foi até o quintal. Lá encontrou um triciclo que pedira ao Papai Noel, mas não lhe interessou. Queria saber por que o peru não respondia. Sua mãe aproximou-se, com os olhos cheios de lágrimas e disse.
- Filho, ontem quando fomos à Missa do Galo, te deixamos em casa, porque você dormia. Pensamos que um pouco de tempo longe não seria problema. Mas uma cobra venenosa entrou em casa, e podia te picar. O peru veio em sua defesa e matou a cobra. Mas como foi também picado, acabou morrendo.
- Onde ele está papai? – murmurou soluçando.
- Papai e mamãe prepararam um jeitinho dele ficar sempre conosco – disse-lhe seu pai - por isso, o enterramos no fundo do quintal, onde gostava de ficar.
Choraram muito, naquele dia 25 de dezembro de 1976, por causa do peru, que morrera na véspera. Mas também ficaram felizes por ter ele salvado seu filho.
Pereirinha nunca mais comeu carne de aves, em respeito ao peru de estimação, que o acompanhou na infância, e entregara sua vida pela do seu amiguinho.
Meus netinhos, eu sei que vocês devem estar um pouco tristes com esta história. O importante é saber que amizade não tem preço, e se um bichinho faz isto por nós, o que não dizer de Jesus, que entregou sua própria vida por todos nós, para que possamos encontrar alegria e salvação para nossas vidas.
Hoje comemoramos seu nascimento. ele não é maior que qualquer presente?
Contei esta história para vocês, para que fiquem sabendo que Jesus também foi perseguido por uma serpente, e que Ele, assim como o peru, é tão importante, que deve ser lembrado como membro da nossa família.
Jesus, como o peru de criação de Pereirinha, está sempre conosco, sente quando estamos bem ou quando passamos por perigo, e procura nos proteger.
Não sou contador de histórias, faço apenas o relato do que vi e ouvi.  Esta é a minha historinha, meus netos, a história do seu avô Pereira.
Sim, eu, o Luiz Pereira, o Pereirinha da história.
Nunca mais em minha vida comi carne de ave, de qualquer espécie, devido à lembrança do peru de estimação que papai comprou para festejar meu nascimento, e que guardo comigo, em meu coração até hoje.
Para terminar, sei que é difícil entenderem agora, mas saibam que Jesus ainda hoje se oferece por mim, e por vocês todos, meus filhos e netos, através de sua carne e de seu sangue, na hóstia e no vinho, consagrados.
Bem isto é mais difícil de ser entendido, e vale uma história muito maior a ser contada por vocês no futuro, a seus filhos.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Visita aos enfermos na Ortopedia do HC de SP




O Hospital das Clínicas tem todo tipo de enfermos.

Nesta época do ano nem a presença de parentes ajuda a tirar a saudade de casa, para um enfermo que não pode sair da cama.

Uma visita, por menos que seja é de grande ajuda.

Nós que aparecemos aí, pedimos desculpas por aparecer, e lembramos que também aparecer é "vaidade das vaidades", como dizia o Eclesiastes.

O Governo de Cuba satisfeito pela visita de Bento XVI

Declarações do embaixador de Cuba junto à Santa Sé
CIDADE DO VATICANO, quarta-feira, 14 dezembro, 2011 (ZENIT.org) - Em um pedido de entrevista do ZENIT, o embaixador de Cuba junto à Santa Sé, Eduardo Delgado, declarou que o governo cubano expressou satisfação pela visita que o Papa Bento XVI fará à ilha caribenha.
"A declaração feita segunda-feira, 12 dezembro, por Sua Santidade Bento XVI na sua homilia durante a Missa do bicentenário da independência dos países latino-americanos, confirmando a sua intenção de fazer uma viagem apostólica ao México e à Cuba antes da Páscoa de 2012, foi recebida com grande satisfação pelo governo e pelo povo do nosso País", afirmou o embaixador.
O diplomata acrescentou que "a Conferência dos Bispos, por sua vez, reiterou a sua grande alegria por esta visita, pela qual trabalhou com grande empenho."
"Todos os latino-americanos, especialmente o povo cubano, acolherão o Papa com grandes expressões de afeto e respeito, oferecerão hospitalidade e testemunharão os valores da sua cultura e da sua ética", sublinhou Delgado.
O embaixador ressaltou que esta é a segunda visita de um Papa a Cuba e também a segunda visita de Bento XVI em um país latino-americano.
Em relação à Cuba, a visita coincide com o 400 º aniversário da descoberta da imagem da Virgen de la Caridad del Cobre, que goza de uma devoção muito profunda na ilha. Proclamada Padroeira de Cuba em 1916 pelo Papa Bento XV, foi coroada pelo Papa João Paulo II durante a sua histórica visita à ilha, em 1998.
O embaixador de Cuba junto à Santa Sé também lembrou que a imagem de Nossa Senhora começou por toda a ilha em agosto de 2010, uma peregrinação que vai acabar em breve na capital de Cuba. No próximo mês de março também se terminará no El Cobre o Ano Jubilar de Cuba.
"A unidade entre a doutrina e o pensamento revolucionário para a fé e os crentes encontra a sua raíz nos próprios fundamentos da nação cubana e a sua base principal é o senso de justiça, de amor ao próximo, de igualdade e ajuda aos necessitados, seja do nosso povo que de uma nação irmã ", continuou o diplomata cubano.
O embaixador concluiu sua declaração ao Zenit, dizendo que "o governo cubano, através do embaixador junto à Santa Sé reafirma a sua especial satisfação pela visita apostólica de Sua Santidade e declara que ele será recebido com todo o respeito e o amor que merece e que vai fazer tudo o que for da sua competência para dar-lhe uma feliz estadia para que leve consigo uma grata memória do nosso povo e da sua estadia, como foi o caso com o Beato João Paulo II quando ele fez sua viagem em janeiro 1998 ".

Penas prescritas


Como se o tempo absolvesse
os crimes, os males,
como se um filho abortado
... retornasse ao ventre materno
e seios revigorados de leite
aguardasse ansiosos
o nascimento.

Mas não!
Ali estão eles.
Póstumos!
a inquirir
a justiça
e a paciência dos povos.

Porque não se foram
todos sabemos
não desapareceram.

Apenas vão sendo
transferidos
de uma vara a outra,
como batatas quentes
que ninguém deseja
segurar.

O roubo na previdência
a compra dos votos
o assassinato do lavrador
o desvio de verbas de obras
a indicação de parentes (perdão este não é)
a comissãozinha tradicional
a compra do juíz e dos jurados
o dinheiro nas cuecas
as licitações pré definidas
os mortos nas portas de hospitais
o governador ladrão
o político corrupto
o empresário corruptor
as famílias que abandonam os filhos
os partidos de aluguel
os que votam seus próprios aumentos
os que comprimem o salário mínimo
os políciais que roubam e matam inocentes
os padres pedófilos
e pastores adúlteros
os ladrões de alto nível
os que compram drogas
e mantém os traficantes
os que vivem de especulação
e não do trabalho
ahf....a lista é grande

Todos vão desaparecendo
pela erosão do tempo
e do esquecimento humano.

Todos vão se redimindo
tornando-se alvos
novamente.

Limite da justiça dos homens
purgatório terreno
sem arrependimento.

Roubar bem
hoje dá status
de inteligência
e de articulação.

Reforça a capacidade
de explicação
historicização
criação.

Estão sendo
absolvidos
impunes

Meus olhos
estão misturados
entre uma estupefação
e uma tristeza
sem esperança.

Só mesmo
a volta de Jesus,
concluo
fundamentalisticamente.

O VÍRUS DO NATAL NA INTERNET

Eu tenho vários amigos na Internet. Interessante que o termo amizade esteja hoje tão vinculado à Internet. Antigamente nos visitávamos mais, havia tempo para isto.  Conhecíamos as suas famílias, pai e mãe. Quantas vezes “filei” um almoço ou um lanche da tarde em suas casas, e de última hora.
As visitas eram naturais e freqüentes. Não era necessário avisar que estávamos chegando. Apenas chegávamos. Freqüentar nossas casas, sair juntos para ir às festas ou aos cinemas do bairro era comum, rotineiro até.
Hoje não. Hoje não nos vemos mais. Todos foram ficando longe e, encontrá-los, bem, somente em grandes ocasiões, combinadas antecipadamente. Mantemos nossas alegrias e cultivamos a saudade, mas não é mais igual. Ficou difícil cultivar uma amizade.
 Assim, a Internet goste você ou não, veio substituir esta relação mais pessoal, por outra, não tão próxima, fisicamente falando, mas até com uma pessoalidade diferente.  É impressionante como apesar de juntos, evitamos abordar ou discutir tantas coisas, e, no entanto, quando distantes, exatamente resguardados por estar distantes, nos aventuramos a entrar em temas mais profundos, e porque não dizer, mais íntimos.
Por isto posso dizer que tenho muitos amigos na Internet. Alguns raramente se comunicam comigo, ou seja, quando precisam de informação ou ajuda, ou convidando para algum evento. O fato de contatar menos, não quer dizer que tenham menos estima por mim, e vice-versa. São, ao contrário, objetivos e diretos como por vezes gostaríamos que outros fossem.  
Outros, que gostam de bombardear com informações expressando suas opiniões, enquanto anexam arquivos os mais mirabolantes, de assuntos muito carregados de temas controversos, que me deixam mudo sem responder.
Porque qualquer resposta diferente de suas convicções é o início de um exílio auto-imposto, rompimento mesmo, por divergências de concepções de todos os tipos, difícil de endireitar.
Amigos de todos os tipos. Após um contato pessoal, passo os dias recebendo e-mails dele ou dela. Amigos de ocasião. E não param.
Como abro a minha caixa de entrada sempre ao final do dia, assim vou me alimentando e também enviando minhas mensagens. Afinal, eu também estou nesta tipologia internética, vamos dizer assim.
Sou daqueles de reservar assuntos que versam sobre acontecimentos diversos nem sempre presentes na mídia, que pertencem àquele lugarejo afastado ou a algum país distante, geralmente precedido de uma breve apresentação, porque não gosto de substituir o que está no arquivo. Também não me apraz fazer isto a todo instante, vou de tempos em tempos, comedido. Sei como é o povo.
Bem, foi neste contexto, que bem me lembro, aconteceu o vírus do natal. Num final de tarde, depois de chegar a casa, tomar meu banho e lanchar, ao abrir os e-mails do dia, veio misturado entre eles, um bem estranho, com os dizeres NATAL NA INTERNET.
Não sou de abrir e-mail desconhecido, porque já perdi muitos arquivos com este problema, mas aquele me chamou a atenção. Como poderia acontecer um Natal na Internet, uma vez que, estamos todos muito virtuais em nossas relações?
Arrisquei, e qual foi minha surpresa ao ler o seguinte recado:
- Você foi escolhido para participar do Natal de Belém. Está tudo preparado, não é necessário levar nada. Antes, porém, faça um bom exame de consciência, e procure arrepender-se sinceramente das coisas erradas que você fez até hoje. Assinado – João Batista.
Ao lê-lo, minha primeira reação foi querer deletar, pois pensei tratar-se de um vírus que poderia destruir todo o meu notebook.  Mas não, minha curiosidade era maior.  Respondi que não via em mim uma pessoa pecadora para poder se arrepender de algo. Procurei saber também como se daria esta participação no Natal de Belém.
Fui dormir. A noite estava avançando e o cansaço me pesava os olhos. Aquela foi uma noite em cine 35 mm, tridimensional: Veio em seqüência ordenada, toda a minha vida, desde a infância. Foram aparecendo, um a um, os acontecimentos, desvendando meus erros aqui e ali, junto a muitas realizações.
Pela manhã, ao acordar, pude peneirar as coisas boas de um lado, e a más, de outro. Não me dei conta da relação entre a mensagem recebida e o sonho, ou o que fosse.  Fui trabalhar como consultor num cliente, e durante o dia pude ir fazendo a associação entre um fato e outro, aumentando minha expectativa.
À noite, a curiosidade crescera, e revendo criticamente os meus erros, pensei em responder àquele tal de João Batista – que podia ser a brincadeira de alguém.  Tomei a iniciativa de relacionar os erros, mas pensei no ridículo daquilo, caso alguém tivesse acesso, ou fosse mesmo um trote de alguém disposto a me prejudicar.
A verdade é que aquela revisão geral fizera me sentir melhor. Percebi que alguns eu tinha superado, outros ainda me assombravam, e com eles mantinha uma batalha. Havia, entretanto, uma leveza de alma, da qual não me lembrava ter senão em minha juventude, quando das missas de domingo.
Qual não foi minha surpresa, quando percebi, novamente outra mensagem colocada – NATAL NA INTERNET.
- Agora, que conseguiu vencer seu interior, você pode caminhar por novos provedores superiores. Antes, porém, vá até a cozinha, encha um copo com água e a despeje sobre sua cabeça, como sinal de remissão dos seus pecados. Assinado – João Batista.
Beirava ao ridículo. Como uma pessoa só, em sua casa, faria aquilo, derramar água sobre sua própria cabeça. Estava ficando louco, imaginei. Lembrei-me de tanta gente que assiste TV, em atitudes semelhantes, que sempre critiquei, por achar medíocre. Agora, lá estava eu fazendo a mesma coisa.
Bem, não custava nada. Fui até a pia, enchi um copo com água e a derramei sobre a minha cabeça. Tive a noite dos justos. Uma paz indescritível tomou conta de mim.  Como tomasse um banho interior, senti-me lavado. Estava quite com o passado.
Ao amanhecer, compreendera que muito de meus erros não conseguiria corrigir, encontrando as pessoas afetadas, porque já não estavam mais entre os convivas. Percebi, entretanto, uma vontade de fazer algo que pudesse compensar estas falhas, e que este era um sentimento justo. Àqueles outros, que tinham a oportunidade de ser corrigidos, tomei a firme iniciativa de fazê-lo.
Desta forma meu dia foi diferente dos demais. Surgira uma alegria leve por trás de meu comportamento, que me surpreendia também, como se fosse meio exterior, mas era minha, vai entender...
Estava também mais em paz comigo mesmo, eu tantas vezes sujeito às circunstâncias, com uma suavidade nova em mim, ao tratar dos meus afazeres. Tudo meio surpreendendo, meio aceitando.
Era eu e não era eu. Lembrei-me de Shakespeare – Ser ou não ser. Em minhas meditações considerei estas mudanças como um interagir de minha vida com uma dimensão espiritual.
Já não pensava mais em João Batista como um intruso, mas a um amigo novo, que veio numa hora propícia ao meu entendimento. Por isso, a espera da noite, em abrir minhas correspondências nas internet tornou-se uma ansiedade agradável.
Desta vez a mensagem veio diferente:
- Qual é o seu ouro para ser oferecido? O seu incenso está aceso? Quanto de entrega de sua vida está para ser perfumado pela mirra? Assinado-Belchior
A brincadeira assumia novas proporções, pensei, mas vamos lá. Respondi que não tinha grandes riquezas. Na verdade minha vida era até modesta, portanto não tinha muitas posses a oferecer. Quanto ao incenso, disse não ser uma pessoa dada a orações, sendo pouco metódico em buscar a Deus. Em relação à mirra, não me via entregando algo de essencial de mim, por isso não via sentido em ser ungido por mirra.
Recebi uma resposta em seguida. Neste, Belchior foi lacônico.
- Você resolveu o seu passado. Cabe fazer o seu futuro. Desperta! Urge que faças a tua parte.
Este vírus tem me acompanhado em tudo que faço. Coloca-me constantemente novos desafios, mostra meus limites, questiona. Lembrou-me de minha humanidade tão linda, perdida em egoísmos.
Descobri mais, que não estou só, que tenho um papel importante em casa,  meu bairro, cidade, em tudo. Não devo mais estar fechado.
Agora sei que caminho para o Natal de Belém. Tudo está preparado, esperando por um nascimento em mim, pela minha parte, mais nada.
O mais intrigante é saber que fui descoberto ou escolhido, como quiserem, no meio da Internet. Ninguém acreditará em mim. Não faz mal. Um vírus bom, para o bem.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

O PAPAI NOEL QUE CHORAVA

Num grande país, localizado numa região escarpada por montanhas elevadas e vales profundos, vivia um povo organizado e próspero. Conquistara uma pujança econômica, após séculos de subdesenvolvimento e submissão a nações mais ricas.
Seus habitantes haviam lutado durante séculos contra o atraso, que contaminara com a corrupção e a discórdia, toda a nação.
Houve confrontos e morte, e ao final, o mal foi sendo paulatinamente erradicado.
Para os viajantes chegarem lá era difícil, devido ao relevo, mas os governantes não colocavam obstáculos para quem desejasse instalar-se ou mesmo visitá-los; até incentivavam.
Embora considerassem suas conquistas preciosas, abriam o país para a vinda de gente de fora, acreditando que isto não alteraria o equilíbrio alcançado. Tinham abertura.
O crescimento econômico obtivera êxito, abrindo novos postos de trabalho, e ampliando o mercado interno.  A fome diminuíra, e novos segmentos sociais ascenderam na escala social, ocupando espaços importantes de cidadania.
As manchetes dos jornais, não apresentavam mais apenas a prisão de peixes pequenos, mas estampavam também nas primeiras páginas, os grandes fraudadores do fisco indo para a cadeia.
A polícia invertera sua ação, sendo progressivamente respeitada pela população, que antes a via com desconfiança.
 A educação, que fora um grave problema, devido ao sistema de bolsas, formava agora um bom número de técnicos, engenheiros, médicos e cientistas. Assim, o país foi formando uma mão de obra que começava a suprir suas necessidades.
A expansão da infra-estrutura e a preservação do meio ambiente também foram sendo equacionadas, ainda que a população precisasse desenvolver novos hábitos ambientais e de higiene.
Os novos rumos de crescimento, e a abertura para o mundo, entretanto, abriram uma fissura que poderia comprometer o todo o projeto nacional: tratava-se da dominação cultural, vinda do exterior. Os pensamentos vindos de fora, eram aceitos por muitos, e vistos com reservas por outros.
A religiosidade tornara-se multifacetada, descaracterizando símbolos antes tidos como naturais, confundindo a linguagem mística do povo.
O sistema democrático, tão desejado por décadas, mostrava falhas que favoreciam o retorno dos pensamentos retrógrados, pois o uso da máquina pública para beneficiar pequenos grupos, e a própria corrupção, voltava como doença crônica.
A mitologia nacional estava sendo proscrita, devido a esta invasão. O Saci-Pererê estava desmoralizado por ser perneta, não amedrontando mais as criancinhas nas histórias contadas antes de dormir, com seu cachimbinho de entortar a boca.
A Sucupira praticamente fora esquecida. Sua última aparição fora em Macunaíma. A Mula sem Cabeça se transformara em história de bêbado, e o Boi-tatá, bem, este ninguém mais sabia quem era.
A aculturação provocou uma amnésia nacional, com transferência progressiva dos festejos para outros tipos de hábitos, como a halloween, enaltecendo símbolos de morte, principalmente junto às crianças, que se fantasiavam de mortos-vivos, para pedir balas. Outras festas, consideradas tradicionais estavam perdendo seu significado, sendo tratadas de maneira superficial.
Poucos se incomodavam com estas mudanças. A maioria achava natural que valores, antes respeitados por todos, fossem sendo destruídos aos poucos, por considerá-los inofensivos.
Foi neste quadro que aconteceu um fenômeno inexplicável, que gerou uma discussão nacional.
Um país próspero, que não temia mudanças, começou a se defrontar com uma inusitada situação, com a qual nunca tinha passado. Afinal, haviam se enriquecido, tinham de tudo, não precisando prestar contas para ninguém do que faziam.
Algo começou a incomodar, ao final do ano, na preparação da festas de Natal.
Era tradição realizar um concurso para a escolha do Papai-Noel, e muitos pretendentes acorriam para disputar esta vaga, pela notoriedade que ela representava, e a remuneração que proporcionava.
O processo de escolha era sempre bem conduzido: profissionais obesos, barbudos, alegres e receptivos, disputando uma vaga diante de um comitê.
Os candidatos deviam apresentar-se paramentados com toda a vestimenta, fazer um pequeno desfile, assentar-se no trono e acolher algumas crianças chamadas, para simular um teste.
Assim aconteciam todos os anos, as escolhas. Por isso que, à princípio, ninguém deu atenção para o fenômeno.
 Na preparação da festa Natal, depois de demorada escolha do candidato, quando tudo estava praticamente pronto, e as crianças já faziam fila para pedir os seus presentes, ocorreu um algo inexplicável.
Uma força invisível e silenciosa envolvia o Papai Noel, sem que ele percebesse. Toque inicialmente imperceptível, dando a impressão de ser um simples lacrimejar, conseqüência de uma vista cansada.
 Entretanto, com o passar das horas, transformara-se num rio de lágrimas incontidas, comprometendo sua atividade, impedindo-o de ouvir as crianças, de falar e sorrir. Ao final, seus olhos permaneciam inchados.
Ficava ali, o Papai Noel, prostrado em sua cadeira real, com a cabeça pendida para o lado, escondendo das crianças o seu rosto inchado.
A fila parada e o tempo passando, logo provocaram reclamações.
Os pais estranhando este comportamento retiraram os filhos de perto, não entendendo o que acontecia. Apenas criticavam a falta de critério na escolha do candidato.
 Como as reclamações aumentaram, encerraram de maneira antecipada o evento. Todos foram embora reclamando dos organizadores, e por extensão do governo.
Quando deixaram o local, e restaram apenas os organizadores à sós com o velhinho, perguntaram-lhe porque chorava.
- Não sei – respondeu - Não tenho vontade de chorar, mas as lágrimas não param...
Repetiram o evento no dia seguinte, e como era de se esperar, aglomerou-se um número ainda maior de pais e filhos para a visita. Novamente, aconteceu o mesmo problema das lágrimas, com a conseqüente interrupção da festa.
Como o problema persistia os organizadores não tiveram outra saída senão afastar o Papai Noel. Interessante que, fora do atendimento ele não chorava, permanecendo apenas com os olhos avermelhados, mas bastava assentar-se no trono e colocar-se para receber as pessoas, e começavam as lágrimas.
Escolheu-se outro candidato para o cargo temporário de Papai Noel, e, surpresos, viram repetir-se a mesma situação.
Não havia explicação para o choro. E só acontecia quando estavam no trono.
Este fato gerou um questionamento em todos:
-Como é possível, -diziam- que o mesmo problema permaneça, mesmo trocando de Papai Noel?
Outros ainda investigavam - Por que choram somente quando ocupam a cadeira de Papai Noel?  
Para não constranger pais e filhos, ambos foram afastados do convívio social, longe dos holofotes da imprensa, ávida de informações, e levados a uma das muitas grutas que existem nas montanhas da região. Quando o terceiro Papai Noel também verteu lágrimas, o processo foi interrompido,
Lá os três passavam seus dias juntos, tentando entender as lágrimas e os olhos inchados, e o que isto significava.
Os governantes com isso resolviam o problema ao seu modo, tirando de cena os velhinhos chorões. Ocorre que tanta coincidência acabou gerando um burburinho estranho no país.
Uns achavam que era uma mensagem divina que não fora devidamente interpretada. Outros pensavam tratar-se de um golpe para desestabilizar a nação. Outros ainda imaginavam ser a propaganda de um novo produto a ser lançado.
O quadro era de impasse: o Natal se aproximando, o trono do Papai Noel vazio, as crianças cada vez mais irrequietas, os pais questionando como fazer as crianças acreditarem em Papai Noel. Estes, por seu lado, não encontravam respostas, aguardando na gruta alguma solução, vinda não se sabe donde.
A vida em solidão tornou-se uma experiência incomum. De personagens públicos, rodeados de toda espécie de pessoas, agora, discriminados e em exílio. Fato inicialmente difícil de aceitar foi, paradoxalmente, fornecendo-lhes consciência, e embora não eliminando o problema, tiveram a oportunidade de se examinarem melhor.
Foi quando aconteceram os primeiros sinais.
Uma manhã ao acordar, um dos velhinhos, disse aos demais ter ouvido, entre o sonho e o despertar, uma voz dizendo-lhe:
- Vai, vai, vai! Vai nascer! E o trono é meu!
Seus olhos naquele dia pareceram sãos, mas como ele não conseguiu explicar aquela voz, no dia seguinte, voltaram a ficar inchados.
A mesma voz soou nos ouvidos do outro Papai Noel no outro dia, pouco antes do amanhecer, com a conseqüente sensação de cura. Como, novamente, não se entendeu a voz, tudo retornava.
Informados, os dirigentes da nação, ofereceram uma recompensa para quem explicasse o sonho. Nada.
Aproximava-se o dia 25 de dezembro e a aflição aumentava cada vez mais.
Na véspera do dia 25, um eremita, que passava o dia isolado em orações, e habitava nas grutas próximas, em uma de suas raras aparições, a passar pelo local, ficou sensibilizado com a tristeza dos bons velhinhos.
- Por que vocês estão tristes e vivem nesta gruta? – perguntou.
- Nós fomos escolhidos para representarmos o Papai Noel na cidade, mas sempre que sentávamos no trono, para receber as crianças, começava em cada um de nós, um choro que não parava. Só quando deixávamos o local é que as lágrimas sumiam.
- Eu não sabia a razão - disse um deles - pois não tinha vontade de chorar. Apenas chorava. Agora, eu sei que deve existir uma causa para estas lágrimas. Só que eu não consigo resolver esta charada. Estou seco de tanto que chorei, sem ter sentido.
- Você sabe por que não sentiu o seu choro? – questionou o eremita.
- Se eu soubesse, já teria ido embora deste exílio que me foi imposto.
- Seu choro parece o de uma grande perda na vida. Se a gente aceita tudo o que não é importante, e faz todos aceitarem também, algo chora dentro de você. Algo autêntico, que ficou tão distante que não pode mais ser identificado.
- Você, por acaso, sabe o que está tão distante de você?- completou.
- Se eu soubesse, já teria saído deste exílio – respondeu o terceiro velhinho.
O eremita entristeceu-se com esta resposta. Pensara que uma luz já tivesse acendido no coração daqueles homens.
Aproximando-se, olhou para cada um como se estivesse criticando a ignorância, e completou.
- São vocês mesmos, que estão distantes de si próprios, e do verdadeiro sentido do Natal. Papai Noel precisa também nascer de novo!
Vejam! Contra a vossa vontade, o espírito de cada um de vocês chorava a ausência do Criador, por todas as vezes em que dele estiveram distantes. E é tão fácil ficar distante, não é?
Tudo convida a agir sozinho. Porém, como o nosso espírito mantém o desejo de unir-se a Deus, ele provoca as lágrimas que estranhamos, pela ausência que sente.
 - Ah... – retrucaram uníssonos – Existe alguém dentro de nós que sente o que nós não sentimos?
Nossos sonhos diziam que alguém iria nascer...Será este o nascimento que o sonhos se referem tem a ver com nossas lágrimas?
- Sim, mas é um nascimento diferente, um nascimento interior, em vocês mesmos - acrescentou o eremita. Uma mudança que não lhes desfigurará, mas permitirá que percebam como ela está ocorrendo.
Fizeram um silêncio consentido.
Considerando ter falado o suficiente para um bom entendimento, o eremita esquivou-se deles, e voltou a refugiar-se em sua pequena caverna.
Aquela reflexão foi tornando claras as razões daquela situação.  Descobriram, que na gruta não teriam chance de se libertar do problema. Assim, decidiram sair juntos em direção à cidade.
- A verdade está chegando! – gritavam juntos
Quem os via passar, seguia-lhes os passos, curiosos – O que descobriram afinal?
Dirigiram-se para onde estava o trono do Papai Noel, localizado ao final da avenida principal da cidade. Lá, existe uma escadaria e um caminho com tapetes vermelhos, no alto do qual fica um grande trono, que pode ser visto por toda a multidão
Enquanto descia, gritavam,
- O trono não é nosso! O trono é dele! – É como se uma consciência fosse tomando conta dos três conforme caminhavam. Uma alegria os embalava no trajeto.
Atônito, o povo foi se aglomerando, acompanhando-os em direção ao trono.
Aproveitando, pegavam seus filhos, pois ali encontravam a oportunidade de resolver a questão da escolha dos presentes de Natal.
Ao chegarem junto do trono, diante de uma multidão, todos notaram que seus olhos estavam curados, pois não choravam mais.
Curiosamente, nenhum dos três se sentou no trono, mas pediram que se buscasse uma imagem do Menino Jesus deitado, de aproximadamente uns 60 centímetros, enquanto aguardavam.
Ao trazerem a imagem, dando um grande suspiro de alegria, depositaram-na sobre o assento do trono. Fez-se, na multidão, um instante de silêncio de surpresa e de expectativa.
Em seguida, sentaram-se os três, ao lado daquela criança que estava para nascer, e admiraram-na.
Todos aguardavam o que aconteceria.
- Agora – disseram juntos – estamos diante do presente verdadeiro. O presente dos presentes. O que dá e o que tira, o que estava esquecido, mas que agora é lembrado.
- Crianças – completaram – venham todas aqui!
As crianças vieram em algazarra, gritando, rindo e lotando a escadaria.
- Peçam o que quiserem!
Todas gritavam ao mesmo tempo, de forma que não se entendia nada.
- Nós temos uma boa notícia para vocês – completaram – A partir de hoje vocês poderão pedir vossos presentes aos seus próprios pais, sem ter que procurar o Papai Noel, não é bom? Não é mais fácil?
 - Entretanto, aprendam que vocês também podem dar presentes aos seus pais! Não é só pedir.
– Crianças! Vocês são os presentes para seus pais!
- Pais! Vocês são presentes vivos a seus filhos!
- Assim nunca mais ninguém precisará chorar!
Foi o primeiro Natal verdadeiro daquele país.
Todos perceberam que de fato, presentes, riqueza, educação, ou até mesmo melhores condições de vida, nada significavam para suas vidas, se elas estiverem fechadas em si mesmas.
Importa a união, a solidariedade, o amor mutuo.
Que adianta um país rico e progressista, se estiver desfigurado? – diziam os velhinhos.
- E a figura, a imagem visível de Deus, que é o melhor presente para a humanidade, está presente na pequenina imagem do Menino Jesus – completaram.
Naquele dia, todos compreenderam porque eles choravam.
Reverenciaram, portanto, o nascimento de Jesus, que enxuga as lágrimas e enche de alegria a todos que o recebem como um presente.
 Ele, o verdadeiro presente.