sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

O "Medo à liberdade" de Erich Fromm mantém atualidade



Nos anos de 1966, eu com meus 17 anos, era um jovem ansioso por conhecimento.

Entre outros, dois livros marcaram esta fase em minha juventude.

Um deles chama-se "Medo à liberdade", o outro, "A arte de amar".

"Influenciado por Freud e Marx, Erich Pinchas Fromm é considerado um dos principais expoentes do movimento psicanalista do século 20. Dono de uma carreira controversa e polêmica, Fromm estudou principalmente a influência da sociedade e da cultura no indivíduo. Entre os seus muitos livros, destacam-se "O Medo e a Liberdade" e "A Arte de Amar". Para o psicanalista, a personalidade de uma pessoa era resultado de fatores culturais e biológicos, o que contrastava com a teoria de Freud, que privilegiava, principalmente, os aspectos inconscientes do psiquismo."(obti do Uol)


Em suma Fromm era a psicologia à partir do ponto de vista social, político, e todo o seu estudo se escorava no aspecto social e não individual.

Não há uma liberdade em abstrato, mas uma forma de liberdade determinada pelo feudalismo e outra forma de liberdade ditada pelo capitalismo, que se impõe ao indivíduo que se adapta a elas, acreditando tratar-se de formas naturais de convívio social.

A liberdade no socialismo é questão em discussão e criação até os dias de hoje, e vai continuar...

Uma pitada para vocês, do livro : "O efeito psicológico da vastidão de superioridade de força da grande empresa também produziu efeitos no operário. Nas organizações menores dos tempos antigos, o operário conhecia pessoalmente o seu patrão e estava familiarizado com toda a organização. ...O homem em uma usina que emprega milhares de  operários acha-se em situação diferente. O patrão tornou-se uma figura abstrata - ele nunca o vê;  a "gerência" é um poder anônimo com que ele lida indiretamente e para quem é, como indivíduo, inexpressivo" Assim, os sindicatos tiveram o papel de proporcionar uma sensação de força e significado ante os gigantes.

Erich Fromm relaciona a liberdade à espontaneidade, e ao desenvolvimento do senso crítico, que foi destruído pelo sistema capitalista.

Disto, decorrem dois tipos de liberdade: uma, que é negativa, a de se fechar em si, em sua casa, reproduzindo o processo de isolamento produzido pelo sistema. Lembrando que somos livres para a escolha que quisermos segundo Fromm. E outra, positiva, a liberdade para sair, e exercer o seu senso crítico, experimentando através da espontaneidade.

Vocês imaginam o ano de 1966, início da ditadura, eu mergulhado neste livro?

Crescia em mim um sentimento libertário que nunca mais se apagou.

Vejo ainda hoje, com tantas mudanças conjunturais, este livro em toda sua atualidade.

Viver um período democrático, apoiando um governo, não nos retira o senso crítico nem a busca pela liberdade, rompendo com nossos medos, impostos pelo sistema produtivo, e experimentando novas formas de fazer surgir uma nova humanidade mais unida e solidária, mais voltada para a eliminação da escravidão no homem, que se manifesta a cada momento e nos enreda subrepticiamente.

É preciso alçar o vôo da liberdade. Esta condição não está dada. Está por se conquistar. Mas primeiro é preciso a consciência da existência de muitas submissões a que nos entregamos, é preciso que desenvolvamos o senso crítico, e a espontaneidade para descobrir formas novas de viver solidariamente.

Sugiro esta leitura em dezembro, mês de reflexões sobre a vida, em alguma varanda, ou debaixo da copa da árvore de alguma praça, não como obrigação, mas como deleite, para formação.

Refletir para libertar