quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

É preciso que tudo se renove para que permaneça como está.

Acostumei-me a celebrar a renovação anual das passagens de ano: é barquinho de iemanjá lançado nas praias, é gente usando roupas brancas(depois farão muitas coisas às escuras), é bebida e bebida para festejar, beijinhos de boa sorte, mesa farta, etc..

Quando passa a enxaqueca da noite de 31 de dezembro e adentra o 1 de janeiro, tudo continua igual.

Não acredito em mágicas para a vida. A realidade social é clara: ralar para sobreviver. E acrescento, lutar pela justiça e a verdade, sendo solidário com o povo em suas lutas e dificuldades. Isto sim, não depende de passagem de ano.

Mas querem-me vestir de branco, querem beijar-me artificialmente, e vá lá, deixo, para que não me achem muito chato. Depois todos voltam ao normal mesmo.

De qualquer forma quero desejar um 2011 de crescimento e profundamento no conhecimento da vida, e na presença no mundo, transformando-o, numa perpectiva igualitária, com pronta solidariedade a qualquer necessitado, antes, durante e após qualquer política para a erradicação da miséria.

Um 2011 dos pequenos, dos esquecidos, dos enfermos, dos abandonados, que continuarão no tempo que não passa, na miséria crônica.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

José Alencar recusa-se a morrer

O que é o amor à vida.

Quando Lula e Dilma  foram visitar o Vice José Alencar no Hospital Síro Libanês, onde os médicos sequer conseguiram interromper uma hemorragia, por não localizá-la em meio a órgãos que estavam colados, e ao encontrá-lo lúcido, ouviram dele o desejo de descer a rampa do palácio, como derradeiro gesto.

Compreendemos, neste gesto, porque ele continua vivo.

Conheço muitas pessoas que já estão mortas há muito tempo.

Respiram, fazem seus afazeres, mantém suas tarefas caseiras e profissionais, mas estão mortas.

Não foram fundo na vida.

Não descobriram os grandes segredos do viver, que a todos é oferecido, desde que busquem com toda a sua vontade. Não. Permanecem desconhecendo a vida, ao mesmo tempo que se acham conhecedores.

Outros tiveram papeis importantes, mas se aposentaram.

Outros ainda, se mudaram de casa, de partido, de objetivos e desandaram em morte crônica, que nunca termina de morrer

José Alencar não. Ele caminha no terreno da transformação, leal ao seu ideal. Deseja continuar a fazer. Por isso não morre.

Deus observa-o com inusitado interesse, e lhe concede dia após dia, mais um sonho, e outro e mais outro.

Quem sabe ele não desce mesmo a rampa do Palácio, como derradeiro desafio?

É o que todos desejamos.

Ubatuba que a tudo faz esperar

É preciso descansar da luta cotidiana, pelo menos uma vez por ano.

Em um lugar onde o clima e a cidade não estejam ainda contaminados com o virus da civilização pós-industrial, do super consumo, do comer, comer, comer...

Um local onde não possamos ser encontrados, estivermos desaparecido para os fornecedores, chefes,  sócios, parceiros, e dependendo, até familia(espero que não).

Onde o desespero não consiga entrar, e o tempo dê a impressão de estar parado.

Uma terra, onde ainda que participando da grande estrutura nacional, seja, momentaneamente, a exceção à regra, o deleite, o sorvete, o sol, a praia, a paz. Sabemos que o Xangrilá, ou a Civilização do Amor ainda está distante muitas batidas cardíacas de cada um de nós.

Sim, não é o paraíso, mas parece, pela sua beleza contagiante, pela paz que se irradia naturalmente. Também não haveria outro modo de se espalhar

Ubatuba encarna tudo isto, e declara unilateralmente a suspensão das lutas.

A revolução pode ser arquitetada, mas não aqui; as conversões podem ser proclamadas, mas não em Ubatuba; as grandes vendas podem ser engendradas, nas longe deste recanto litorâneo.

Aqui tem vez a vida, o íntimo, o silêncio, o escutar.

Aqui o som das crianças se mistura ao bramir das ondas e aos latidos dos cães nas manhãs alegres.

Terra abençoada por Deus, onde o leão e ovelha pastam juntos, e o seu povo sente sabor da vida.

Aqui restauro as energias perdidas, exauridas na profissão, na luta diária.

Até a poesia aqui perde inspiração, para não interromper o prazer...

Mais tristeza com saída de Lula do que alegria com entrada de Dilma

Após a rede nacional de rádio e televisão com o discurso de despedida de Lula, fiquei com a exata impressão de que terei mais tristeza com a saída do Peão Presidente, do que com a entrada da Mulher Presidenta.

Não é para menos. Lula encarnou os sonhos de toda a geração de 68 no Brasil. O sonho de um Brasil novo, democrático, e de forte presença popular, caminhando em direção a uma sociedade igualitária, sonho ainda mais ambicioso e desejado. 

Uma sociedade com liberdade de expressão, liberdade de imprensa, liberdade religiosa, enfim um país que  tenha o que dizer em termos de inovação na experiência socialista, e não se envergonhe de viver a diferença.

Deu-se um grande passo para o povo brasileiro nas duas gestões de Lula. Grande parte dos filhos do povo, que estariam à mingua hoje, se estivessem os tucanos no governo, alcançaram oportunidades "nunca dantes ocorrida".

São bens materiais, carros,  casa própria, são oportunidades de estudo em universidades, podemos dizer com alegria que o Brasil teve um boom populacional, ampliando o número de novos cidadãos de classe média.

A conjuntura internacional também foi muito favorável e o governo Lula, com inteligência soube aproveitar as chances de se relacionar com o mundo de uma forma nova, rompendo o seguidismo, a dependência anglo-saxã, porque somos latinos, povos bárbaros da contemporaneidade.

Isto tudo Dilma recebe de bandeja, de presente, ainda que tenha participado deste cenário. Mas é a figura de Lula que fica, não a dela.

Por isso Dilma terá um sobre-esforço por mostrar-se a todos, e não será uma tarefa fácil. Penso que é até um risco, porque suplantar a imagem deixada por Lula, como se diz no nordeste, vais ser da gôta.

Mas vamos ter esperança, porque tenho a impressão que a mulher é um trator, e têm opinião própria, o que é fundamental, para não ser guiada. Como paulista envio a ela o lema de São Paulo: "Non ducor, duco" - Não sou guiado, guio.

Sucesso Dilma, estamos alegres, sim, com sua entrada; embora com mais tristeza com a saída de Lula.

domingo, 26 de dezembro de 2010

Diferenças do desenvolvimento Chinês e do Brasil

Passando os olhos nas características de dois tipos de desenvolvimento tão díspares, e de certa forma complementares,  não posso deixar de pensar, à distância, no que eles se diferenciam, e até quando poderão caminhar juntos sem conflitos pois sabemos que setores produtivos brasileiros por vezes reclamam da forte presença de produtos chineses, em condições concorrenciais mais vantajosas.

Uma primeira observação se nota no tipo do empresariado brasileiro e chinês.

O empresariado brasileiro expande-se pelo mundo, mostrando musculatura multinacional, ora açambarcando empresas concorrentes européias e americanas, ora associando-se com competidores mais fortes. De qualquer forma, o que se observa é o crescimento do capital transnacional, que tende cada vez mais a se distanciar do chamado "projeto nacional". A presença do Estado brasileiro na economia, é estratégico e mal ocupa as chamadas áreas obrigatórias de sua presença, ainda que, por inércia veio ocupando aqui e ali, algum espaço. O mercado brasileiro tem sido cativo deste empresariado, que estabelece o preço dos produtos a bel prazer, aos trabalhadores.

Já o empresariado chinês é subsidiado pelo Estado, com quem divide os lucros e dividendos. Há um tipo mesclado de empresas. As multis ao se instalarem abrem sociedade com o estado que acaba sendo co-responsável pelo sucesso, porque o fracasso é impossível para o estado, e por consequência para o empresariado. Mesmo as multi que lá se instalam adequam-se a este modelo. É um modelo de socialismo de tipo nacional. O internacionalismo socialista e o socialismo de cunho nacional tem entre si algumas ranhuras, coexistindo politicamente e divergindo economicamente. Lá há uma certa preservação do mercado, da devora do lucro.

Qual é mais estável?

Aparentente o chinês, embora esta presença conjunta de estado e empresariado na China seja ainda uma incógnita diante de uma crise de grandes proporções. Isto significará mais uma força ou uma fraqueza?

A diferença tecnológica entre os dois, talvez seja o fator de maior preocupação. As conquistas teconológicas chinesas são cotidianas, e as brasileiras são pontuais. Uma intervenção do estado no desenvolvimento tecnológico é fator estratégico para o nosso desenvolvimento e ocupação de papel político no mundo.

A defesa militar é onde se localiza a maior distância. O Brasil não tem como impedir a ocupação do mar territorial do pré-sal, se isto ocorrer. Não ocorreu ainda por razões puramente políticas e de convergências econômicas com as potências ocidentais. Mas se por aqui tivéssemos um política econômica mais acelerada na linha chavista, é provável que o pré-sal fosse um ponto de conflito. Este fator nos faz permanecer numa dependência perigosa.

Em termos de produtividade, o PIB chinês é em torno de 3 vezes o nosso, o que se torna uma distância imensa. Considerando-se, entretanto, as diferenças populacionais, onde temos pelo menos 8 vezes menos população que a China, e considerando-se os recursos minerais existentes em todo nosso subsolo, esta visão fica diferente, e o horizonte menos nublado.

Devemos também levar em conta que estamos fazendo a lição de casa de elevar as condições de vida da população, o que para nós é, proporcionalmente, um esforço muito menor do que o chinês 

O Brasil precisa iniciar, portanto, uma política de maior presença do Estado na economia, pois vemos que o nosso empresariado tende cada vez mais a deixar de ser nacional, podendo, devido às circunstâncias adotar políticas que divirjam do chamado projeto nacional.

Veja os Bancos "brasileiros" interessados em juros altos, mais que em desenvolvimento, e na transferência de empresas para o exterior ou saindo de regiões, depois de sugarem até deixar a carcaça e o esqueleto.

A educação, nesta perspectiva, ocupa papel fundamental, pois o Estado, enfraquecido de apoio do empresariado, necessita de base popular não só política, mas principalmente tecnológica, que só advirá se o investimento em educação for substantivo, e em todos os níveis de formação.

Deixo apenas esta reflexão de fim de 2010 para meditarmos sobre os desafios que temos pela frente.

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

A paz é possível

Posso parecer meio piegas, mas eu quero dizer, hoje, que acredito num mundo melhor.

Apesar das guerras, das grandes opressões que se abatem sobre os povos, eu ainda assim, creio num mundo melhor.

Por quanto tempo o mundo tem experimentado a paz? Muito, muito pouco.

O que vemos e ouvimos é a respeito de guerras.

Não me lembro, durante os anos de minha vida, ter acontecido um dia de paz, um sequer.

Pois bem, esta é minha obsessão, a paz.

Não a coloco como um chavão, perdoem-me se parecer assim.

Eu a coloco como uma necessidade pessoal, física, mental, espiritual, filosófica, ela ocupa todas as minhas dimensões

Ela é que me falta, no meio deste mundo de violência.

Sonho com ela.

Somente ela será capaz de me pacificar, também, de meus próprios desenganos.

Ela pode se cristã, budista, islamita, ou atéia, não importa. Importa que ela venha.

Ela é possível. Só está um pouco esquecida, desacreditada, mas existe.

Ela é possível se nos prepararmos para ela, se a tornamos algo além de um apelo, algo prático

As condições para sua existência está em nos tornarmos mais humildes, e ao mesmo tempo confiantes.

Em perdoarmos as pessoas que nos prejudicam, mantendo a verdade (difícil, mas possível).

Protagonizarmos a libertação dos povos, mantendo uma ternura digna de um Che, e  amando-nos acima das diferenças, como Cristo nos amou.

Mas esta paz, sozinha, morre, não cria raízes.

Ela precisa de uma parentela, que juntas formam uma força inquebrantável.

Uma é a justiça.

A justiça é particular e é geral. É terrena, material, e superior, celestial. Seus tribunais estão em prédios construídos fora e dentro o coração humano.

Outra é a verdade.

Ela e responsável pela integridade do homem. Sem ela, o homem e a mulher perdem as razões do viver, e se entregam às mentiras, entrando em um emaranhado difícil de ser desfeito.

Juntas podem elevar o nosso mundo a um novo patamar de dignidade e valorização humana.

É o que espero que aconteça brevemente para todos, aproveitando esta noite de Natal.

Boa noite a todos, e bons sonhos de um mundo de paz.

Que tal "O peru de Natal" para a Ceia da Noite?

Pesquise em dezembro e leia o conto "O peru de Natal", ou melhor, leia para as crianças, no pé da árvore de Natal, antes da Ceia. Vale a pena.

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

A ofensa da Ceia de Natal

arvore-de-natal

Desde garoto o período de festas de fim de ano me traz recordações inesquecíveis.

Como é bom nos reunirmos com nossas famílias para celebrarmos a vida, a convivência.

Duas palavras fortes: reunir e conviver.

Reunir implica em separação de algo que era unido, separação que ocorreu pelos mais diversos motivos, desde os tradicionais, como buscar novas oportunidades e horizontes, até os mais fortes conflitos.

A união tem um sentido puro e ingênuo, mas a reunião pressupõe superação, abdicação, reeducação.

Conviver significa reconhecer a nossa incapacidade individual de exercermos a vida, e dependermos de todos para podermos nos realizar.

Lógico que muitos não gostam desta explicação, e irão dizer-me que a individualidade basta para explicar.

Refuto este conceito para afirmar o fim dos eremitas. Não existem mais montanhas onde se possa ficar solitário, e encontrar-se.

Não há solidão, ainda que eu a busque diuturnamente, que me possa satisfazer das grandes interrogações.

Por isso conviver adquire maior força do que o viver.

Seriam suficientes estes dois ingredientes para tornar nossas noites de Natal mais alegres?

Aparentemente sim, mas há outra variável fundamental

Basta um pequeno olhar ao redor, para nos sentirmos egoístas, e recusarmos todos os conceitos humanistas que recebemos: são milhares de abandonados à própria sorte, de famílias desagregadas, dormindo pelos cantos dos edifícios, ou nas praças públicas, quando deixam, sem se lavar, sem lugar para fazer suas necessidades fisiológicas, sem se vestir adequadamente, colocados do lado de fora de nossas janelas.

Muitos já não têm força nem de pedir. Nada esperam de nós. Nos vêem como  exteriores, insensíveis...

Outro tanto se encontra perdido numa longa noite da vida.

Expulsos dos lugares durante o dia, e livres para se ajeitarem em seus papelões pelo relento da escuridão.

Como cearemos neste contexto?

Ignorando o fato, e “convencendo-nos” de que isto não tem nada a ver conosco?

Concluir de que esta é uma realidade milenar, e portanto, sem solução, não devendo nos preocupar pelo sentimento de culpa de  nos alimentarmos faustosamente, enquanto outros sentem fome e estão à míngua?

Muito conveniente...

Ou então, tornarmo-nos semi-revolucionários. Trovejando nas platéias, mas não vinculando a vida pública com a vida particular.

Ou mesmo, sermos beneficentes com alguns, ou alguma instituição de caridade, sentindo-nos em seguida revigorados para festejar com os parentes, como se tivéssemos feito a nossa parte.

Ledo engano.

Somos seres sociais, por mais que evitemos reconhecer este aspecto, a nossa humanidade sente, ou se ressente, desta grande separação.

Esta humanidade anseia, em seu íntimo, por um dia de uma grande união, onde todos possam festejar o Natal nas grandes avenidas das cidades, com mesas compridas, e toalhas de mesa brancas, talheres de ouro, enfeites, reunindo toda sorte de gente, cada qual trazendo sua parte da refeição, para oferecer ao outro e perguntar se está bom.

Vejo pessoas chegando felizes e abraçando-se fraternalmente pelas ruas e pelas praças.

O dia da grande libertação.

Libertação de tudo.

Dia do Grande Encontro de todos com tudo.

Uma Terra sem proprietários.

Este dia encontra-se em meus sonhos, tornando-me um sonâmbulo incomodado, por estes anos a fora, em minhas noites de Natal.

Cearei, como tantos que pensam assim como eu, meio penalizados, meio absolvidos, reconhecendo-me limitado diante do gigantismo deste sonho, e abraçando em lágrimas a todos, num sinal de esperança de que este dia há de chegar.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Vice-Presidente José Alencar se recusa a morrer

Aprendi a reconhecer no Vice-Presidente José Alencar uma pessoa impar.

Escolhido entre o empresariado mineiro para seguir o Presidente Lula, desde o início da primeira gestão ele já divergia do seu Líder, mostrando como deveria ser a face do governo, uma face desenvolvimentista, mandando às favas o Sr. Henrique Meirelles, com os juros elevados para o "controle da inflação", na verdade, para benefício dos banqueiros.

O  desenvolvimento que vemos no governo hoje, ele já afirmava lá atrás, na primeira gestão, em afirmações públicas, nem sempre agradáveis a Lula, que tolerava esta dissonância.

De espírito positivo, tem enfrentado um câncer virulento e mortal.

No meio desta dificuldade José Alencar transmite ao povo brasileiro o desejo de viver, de fazer da vida uma oportunidade para transformar tudo o que está errado, de dizer a Deus que adie sua partida, e aodiabo que vá às favas.

Após mais de uma dezena de cirurgias e tratamentos quimioterápicos ele passou ao povo brasileiro uma sensação de que é preciso resistir a tudo e a todos que se colocam contra a vida, a vida digna, porque não é simplesmente viver, mas ter um porquê viver.

Viver para o seu país, seu ´povo.

Viver para ser livre, dizendo o que pensa, corrigindo, divergindo, mas também apoiando, e mantendo a esperança.

Recebo as notícias de mais uma cirurgia do bravo guerreiro.

Não conseguiram estancar uma hemorragia e fecharam o seu ventre.

Novamente mais um momento difícil, com a morte rondando seu quarto.

Vamos guardar a sua esperança em nossos corações e mantermos uma vigília de orações a Deus por este grande lutador do povo brasileiro, que se recusa a morrer, esperando o fim do seu mandato.

E o sofrimento dos atingidos pela enchente em SP?

É  o prefeito que vai resolver?

Os que perderam seus pertences, anos de economias...na enchente de ontem 21/12/2010?

Os que perderam vidas...

Quem vai reparar estes danos, a Prefeitura? O Governo Estadual?

Kassab onde está você?

A professora Michele Borges vai voltar a viver?

Porque os governantes não mostram a cara agora.

Aproveitadores do poder e insensíveis com a dor do povo paulista, fazem e desfazem.

Está tudo anotado, no caderno da justiça, no Livro da Vida.

Notas picantes

- O baixo crescimento da população dos EUA em 9,7% (atingindo 308 milhões de hab.), só foi maior que o da Grande Depressão de 1930 (7,3%). Na década de 90 o crescimento foi de 13,2 %. Nota-se tambem um envelhecimento da população, e redução da imigração (devido à repressão, é óbvio). A estagnação provoca desestímulo para o planejamento familiar.

- Antecipamos no "Decálogo para Dilma em 2011", opinião da população brasileira que acredita que Dilma será igual ou melhor que Lula, segundo pesquisa Data folha publicada hoje, 22 de dezembro. O que se passa na subjetividade do povo brasileiro para chegar a esta conclusão? Penso que uma parte acredita que Dilma era co-responsável pelos resultados do Governo Lula, confirmado pelo próprio Presidente durante a campanha eleitoral. Outra parte acredita que ela é mais capaz que Lula e tem mais determinação, tipo tanque de guerra, sendo que, com Lula sempre houve muito diálogo, mesmo em situações que estes não cabiam mais. É esperar para ver. O que se sabe, certamente, é que Dilma terá um desafio maior para se destacar, diante do elevado prestígio do Presidente Lula, o que será um problema de reconhecimento do futuro governo. 

- Como sempre o INSS continua sangrando com os golpes e fraudes, que encontramos a toda hora, com desvios de milhões e milhões. Agora, a última é que o próprio Presidente Lula ter sido usado para empréstimos, tendo sido descontado de sua pensão de anistiado. Até contigo Lula! 

- Ciro Gomes acabou ficando de fora do quadro de Ministros de Dilma Rousseff. Creio que menos por vontade dela, do que pela vaidade de Ciro, que sempre é muito mais do que os cargos que lhe oferecem. É um "sem-presidência".

- Segundo o TSE o custo das eleições de 2010 foi de R$ 3,23 Bilhões, incluídos os dois turnos. Cada vez se percebe que o poder econômico exerce uma influência maior na escolha do quadro de políticos, seja para o executivo, seja para o legislativo, sobrando menos espaços para os movimentos sociais e sindicatos de trabalhadores.

- Há um imbrólio entre o ex prefeito de BH, Fenando Pimentel, escolhido Ministro de Dilma e a Promotoria de Defesa do Patrimônio Público de Minas. Esta ofereceu denúncia de improbidade administrativa do convênio firmado pela prefeitura para o Projeto Olho Vivo, de implantação de câmaras de segurança na cidade (licitações irregulares, superfaturamento de preço de equipametos, notas fiscais falsas,), resultando em prejuíso de mais de R$ 5 milhões. Dilma precisa estar atenta, para não permitir que seu governo seja maculado por casos assim, acompanhando os desdobramentos de perto, e antecipando-se à mídia e à oposição nas suas decisões. A mídia está sequiosa para encontrar pulgas, quanto mais atos ilícitos.

- Parece ter agradado o setor cultural a escolha da atriz Ana de Hollanda para o Ministério da Cultura. Certamente o aspecto mais positivo da formação do quadro de Ministros de Dilma foi a sua ênfase na valorização das mulheres. Quanto aos demais, as escolhas por vezes deixaram a formação técnica para segundo plano, e o político foi principal. Tudo bem para o momento. Vamos ver quando o barco começar a andar.

- Foi revogada concessão de rádio para assessor de Hélio Costa.

- Os setores populares esperam que Cesare Battisti seja solto, e lhe seja concedido refúgio no país, pelo Presidente Lula, antes de sua saída. O Governo reacionário Italiano está usando este caso para promover uma política de fascistização da Itália. O julgamento de Cesare Battisti na Itália foi eivado de toda sorte de manipulações.

- Não sei como a mídia nacional não culpou os nossos aeroportos pela neve que cai na Europa e paralisa os aeroportos de lá?

- A camisinha nunca encontra um lugar certo para ficar, nas análises que fazem das palavras de Bento XVI. É a "imoralidade" que pode salvar vidas.

- As commodities são as responsáveis pelo aumento das ações da Bovespa, avançando 1,4 %. Como gostaríamos que fossem os manufaturados os responsáveis, mas enfim...

- A Positivo Informatica, líder da produção de computadores no país, informou que demitirá 600 funcionarios de sua fábrica no Paraná, representando 10% do quadro. As rescisões ocorrerão até a próxima sexta-feira desta semana. Que belo Natal o empresariado faz para a peãozada, heim?

- Inflação desacelera em dezembro. Índice do IPCA caiu para 0,69 %, ante um aumento de  0,86 % em novembro. Feijão, batata inglesa, tomate e hortaliças caíram. Carne de vaca em alta. Há tendência de leve queda dos preços dos alimentos nos próximos meses.

- No ano de 2011 o pau vai comer na hora de se decidir no Congresso a partilha dos royalties do pré-sal. Por cima das grandes alianças firmadas durante a campanha eleitoral, estão os interesse regionais e locais, que forçarão uma revisão desta politica, gostem ou não os estados produtores. Afinal, porque Lula não se esforçou por votar esta questão durante sua gestão?


terça-feira, 21 de dezembro de 2010

A compra da felicidade, pelo The Economist



Pesquisa sobre a felicidade apresentada pelo The Economist.

Os economistas, quando resolvem entrar em searas que não lhes são próprias, são realmente muito engraçados.

As ocasiões em que vi o Presidente do Banco Central Henrique Meireles sorrir de satisfação, geralmente, estiveram ligadas às explicações lógicas sobre a variação dos juros pelas estratosferas da vida brasileira, e não sinalizavam para um caminho de felicidade de muitos, mas para uma ação diversionista com a intenção de ocultar a verdadeira razão, que é a felicidade de poucos(se pensar a felicidade como subproduto da renda per capta).

Fico imaginando como um economista consegue inserir a felicidade em suas cifras e porcentagens.

"Estou 20% mais feliz que fulano de outro país que está 15% menos feliz".

Circunscrever a felicidade em porcentagens já mostra o quão distante se está desta.

Porque a felicidade é ou não é, e menos tem ou não tem.

Caso contrário, a miserabilidade estará sempre associada à tristeza profunda, e a riqueza material à felicidade infinda. Nem uma coisa nem outra.

A idéia da felicidade é muito mais complexa, e precisa de um aprofundamento teórico e doutrinal bem maior que a formação matemática e lógica de um economista, para se conhecer bem as suas características.

O estudo apresentado pela revista The Economist mostra um resumo histórico das pesquisas realizadas por teóricos do setor, na análise da felicidade.

 Associando-a, inicialmente, a uma relação direta com a renda, depois, considerando ser esta relação  muito simples, agregaram a variável nacional, comparando a felicidade entre as nações, e finalmente, observando ainda uma insuficiência teórica para uma melhor compreenção, agregaram a questão cultural (que acredito esteja mais próxima deste conhecimento), mais para explicar as situações anômalas não "enquadradas" pelas suas teses, do que para um uso mais aprofundado desta dimensão

A conclusão tem cunho óbvio e imperialista, isto é, os povos dos países mais desenvolvidos são mais felizes que os povos dos países mais pobres.

Nesta linha devo concluir que o Brasil tem uma "felicidade emergente".

Ora, façam-me o favor de me procurar na esquina mais próxima.

Fico imaginando como uma revista destas, como o The Economist, com projeção internacional, se deixa levar infelizmente, por estes "famosos" de economia.

Melhor se dissessem Bem Estar Material em vez de Felicidade

Eu, um réles sociólogo da USP, formado pelos professores perseguidos da década de 70, mais uma formação em teologia, tenho uma leitura diferente disto tudo. Quero fazer algumas reflexões a respeito do mal uso deste tema  pelo The Economist.

Primeiramente, uma visão mais teológica da felicidade:

Para o cristianismo a felicidade se localiza, principalmente,  nos textos das chamadas Bem Aventuranças, que afirmam que são "Felizes vós os pobres, porque vosso é o Reino dos Céus. Felizes vós, que agora tendes fome, porque sereis saciados. Felizes vós que chorais, porque haveis de rir.  Felizes sereis quando os homens vos odiarem, quando vos rejeitarem, insultarem, e proscreverem vosso nome como infame, por causa do Filho do Homem".

No cristianismo a felicidade está relacionada à pessoa que sofre, e não o contrário.

Ao dominador está a insensibilidade e o uso do poder. Os sentimentos deste estão longe da felicidade; há, aí sim, uma sensação do poder dominador, que está longe de ser um sentimento altruísta, quanto mais, de felicidade.

Ainda nesta perspectiva cristã, a felicidade só estará disponível ao que sofre, pois à partir do sofrimento é que se pode experimentar a possibilidade de sua superação e perceber aonde quer chegar, onde está a felicidade.

Logo após identificar a felicidade com os pobres, são citadas as maldições, onde se afirma que, "Ai de vós, ricos, porque já tendes a vossa consolação".

Com isto o pensamento cristão afirma que os ricos não conseguem atingir a felicidade, mas se mantém, substituindo a felicidade pelo usufruto de seus bens materiais.

Com isto, conclui-se que a felicidade é um dom superior que está disponível aos que sofrem, enquanto os poderosos jamais a alcançarão. 

Este tema polêmico, nem sempre é entendido de forma única, mas acompanhado de estudo de outras passagens bíblicas.

 Estas palavras, vistas por si mesmas, são muitas vezes refutadas pela sua forte afirmação, fazendo com que muita gente se sinta incapaz de ser feliz.   Principalmente os cristãos mais ricos, que se sentem constrangidos com sua riqueza, quando são verdadeiros devotos.

Assim, numa leitura mais teológica, vemos que uma pesquisa sobre a felicidade pode  ir até as origens, descobrindo-a como um dom superior, como algo possível a cada segmento social, e não apenas nos ricos.


Da mesma forma, pode-se estudar também o quanto os ricos estão envolvidos em seus bens, sem se sentirem felizes, o que é perfeitamente possível e real. 

"Abrindo-se à verdade e à beleza, com o senso do bem moral, com a sua liberdade e a voz de sua consciência, com a sua aspiração ao infinito e à felicidade, o homem se interroga sobre a existência de Deus", afirma o catecismo católico

"
Um outro conceito central na doutrina moral de Kant é o de felicidade.

A escrita de Kant nem sempre prima pela necessária clareza, sendo por vezes de difícil interpretação, graças ao abuso de parágrafos longos.

Daí que o conceito de felicidade, como outros conceitos, têm sido objecto de interpretações díspares. Kant define moral como a ciência que nos ensina como devemos, não tornar-nos felizes, mas dignos de felicidade.

Seguindo uma tradição que remonta a Platão e a Aristóteles, Kant considera também que o fim do Homem é a procura da felicidade.

Contudo, não subordina o dever à procura da felicidade, antes relaciona dever e felicidade, considerando que o cumprimento do dever é caminho para a felicidade.

Kant não exige a renuncia à felicidade em troca do cumprimento do dever, porque não coloca dever e felicidade em oposição, apesar de considerar o mandamento do dever em toda a sua autoridade, o qual exige uma obediência incondicional, que se basta a si própria e não precisa de nenhuma outra influência.

O dever é condição do soberano bem e este não é mais do que a felicidade geral, associada à mais pura moralidade e conforme a ela".

Olhando pelo aspecto cultural, no cancioneiro popular difundiu-se a noção de que "a tristeza não tem fim, mas a felicidade sim", e que ela é "uma gota de orvalho numa pétala de flor".

A felicidade, portanto, na visão de uma cultura popular,  é um valor difícil de se possuir,  e cultivar, que exige equilíbrio e sensatez para obter, uma vez que vivemos em um mundo de tristezas.

Meditando interiormente, penso a felicidade como um valor superior, encontrado somente quando o homem se debruça meditando sobre a sua própria vida, encontrando as razões do existir, e se pondo em ações consoantes com estas descobertas.

Nesta linha, a felicidade é um estado de ser desejado, estável quando descoberto, e instável quando se vive na superfície da existência, sem a consciência.

Está vinculada à liberdade, mas não exclui uma moral autêntica, no pensar do pensamento existencialista de Simone de Beauvoir, ou das leis mosaicas  ou através da justficação pela fé em Cristo, no dizer do apóstolo Paulo.

A felicidade. assim está numa transformação do coração do homem, que descobre o bem e tende a seguir nesta linha, seja racionalmente, seja através de leis religioosas, ou pela fé.

Poderíamos, a grosso modo, utilizar a idéia de uma "classe em si" e uma "classe para si". 

Uma existe sem a consciência de seu papel, e, portanto, não consegue enxergar sua luz no fim do túnel; a outra vîslumbra a luz e se satisfaz por caminhar.

Vou ficando por aqui.

Só não posso aceitar uma visão economicista da felicidade, totalmente destituída dos valores filosóficos e teológicos.

À partir desta ótica, que estes economistas busquem novos isntrumentos de pesquisa e refaçam seus estudos.

Segue  abaixo o resumo do esdrúxulo estudo do The Economist. 

"Comparando os países16 dezembro 2010 


.A noção de que o dinheiro não pode comprar a felicidade é popular, especialmente entre os europeus que acreditam que as economias orientadas para o crescimento do mercado livre tem uma idéia errada. Eles chamaram o conforto do trabalho de Richard Easterlin, professor de economia da Universidade da Califórnia do Sul, que através dos dados de arrastão na década de 1970 e observou apenas uma correlação solta entre dinheiro e felicidade. Embora a renda e o bem-estar estejam estreitamente correlacionada dentro dos países, parece haver pouca relação entre os dois, quando medido ao longo do tempo ou entre países. Isso ficou conhecido como o "paradoxo de Easterlin". Sr. Easterlin sugeriu que o bem-estar não tem abrangência absoluta, e quanto ao rendimento: as pessoas se sentem miseráveis, não porque sejam pobres, mas porque eles estão no fundo da pilha particular em que se encontram.

Mas o mais recente trabalho, especialmente por Betsey Stevenson e Justin Wolfers, da Universidade da Pensilvânia que, embora a evidência para uma correlação entre renda e felicidade ao longo do tempo permanece fraca, que, para uma correlação entre os países é forte. Segundo o Sr. Wolfers, a correlação foi claro no passado devido a uma escassez de dados. Há, diz ele, "uma tendência para confundir ausência de evidência para uma proposição como prova de sua ausência".

Há agora dados sobre o efeito da renda sobre o bem-estar em quase todo o mundo. Em alguns países (África do Sul e Rússia, por exemplo), a correlação é mais do que em outros (como a Grã-Bretanha e Japão), mas é visível em toda parte.

A variação na satisfação com a vida entre os países é enorme . Os países no topo da liga (todos eles desenvolvidos)tem  pontuação até oito de cada dez; países no ( principalmente Africano, mas também o Haiti e Iraque, colocando em um triste, mas não surpreendente) inferior pontuação tão baixas quanto três .

Embora os países mais ricos estão claramente mais feliz, a correlação não é perfeita, o que sugere que outros, provavelmente cultural, fatores estão no trabalho. Os europeus ocidentais e norte-americanos grupo muito juntos, apesar de existirem algumas anomalias, como o Português surpreendentemente sombrio. Os asiáticos tendem a ser menos feliz do que sua renda poderia sugerir, e escandinavos um pouco mais. Hong Kong e na Dinamarca, por exemplo, têm rendimento similar por pessoa, em paridade de poder de compra, mas a satisfação de Hong Kong de vida média é de 5,5 numa escala de 10 pontos, e na Dinamarca é 8. Os latino-americanos são alegres, a ex-União Soviética espetacularmente miserável, e o mais triste lugar no mundo, em relação à sua renda per capita, é a Bulgária.

"Comparando os países16 dezembro 2010

A noção de que o dinheiro não pode comprar a felicidade é popular, especialmente entre os europeus que acreditam que as economias orientadas para o crescimento do mercado livre tem uma idéia errada. Eles chamaram o conforto do trabalho de Richard Easterlin, professor de economia da Universidade da Califórnia do Sul, que através dos dados de arrastão na década de 1970 e observada apenas uma correlação solta entre dinheiro e felicidade. Embora a renda eo bem-estar estão estreitamente correlacionada dentro dos países, parece haver pouca relação entre os dois, quando medido ao longo do tempo ou entre países. Isso ficou conhecido como o "paradoxo de Easterlin". Sr. Easterlin sugeriu que o bem-estar não depende da absoluta, mas sobre o rendimento, em relação: as pessoas se sentem miseráveis, não porque são pobres, mas porque eles estão no fundo da pilha particular em que se encontram.

Mas o mais recente trabalho, especialmente por Betsey Stevenson e Justin Wolfers, da Universidade da Pensilvânia que, embora a evidência para uma correlação entre renda e felicidade ao longo do tempo permanece fraca, que, para uma correlação entre os países é forte. Segundo o Sr. Wolfers, a correlação foi claro no passado devido a uma escassez de dados. Há, diz ele, "uma tendência para confundir ausência de evidência para uma proposição como prova de sua ausência".

Há agora dados sobre o efeito da renda sobre o bem-estar em quase todo o mundo. Em alguns países (África do Sul e Rússia, por exemplo), a correlação é mais do que em outros (como a Grã-Bretanha e Japão), mas é visível em toda parte.

A variação na satisfação com a vida entre os países é enorme (ver gráfico). Os países no topo da liga (todos eles desenvolvidos) pontuação até oito de cada dez; países no (aparência principalmente Africano, mas com o Haiti e Iraque, colocando em um triste, mas não surpreendente) inferior pontuação tão baixas quanto três .

Embora os países mais ricos estão claramente mais feliz, a correlação não é perfeita, o que sugere que outros, provavelmente cultural, fatores estão no trabalho. Os europeus ocidentais e norte-americanos grupo muito juntos, apesar de existirem algumas anomalias, como o Português surpreendentemente sombrio. Os asiáticos tendem a ser menos feliz do que sua renda poderia sugerir, e escandinavos um pouco mais. Hong Kong e na Dinamarca, por exemplo, têm rendimento similar por pessoa, em paridade de poder de compra, mas a satisfação de Hong Kong de vida média é de 5,5 numa escala de 10 pontos, e na Dinamarca é 8. Os latino-americanos são alegres, a ex-União Soviética espetacularmente miserável, eo mais triste lugar no mundo, em relação à sua renda per capita, é a Bulgária".

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Um decálogo para Dilma em 2011

1) Em primeiro lugar, uma mulher trazendo seu componente feminino da naturalidade e da compreensão no tratamento das dificuldades, mas com determinação e foco para soluções e resultados.

2) Uma Presidenta que sinta a necessidade de superar a era Lula, ainda que dela tenha feito parte, alcançando metas ainda mais ambiciosas em todas as áreas ministeriais, e principalmente na erradicação da pobreza, com indicadores e responsabilidades para medir este processo, desde os poderes municipais, até federais.

3) Uma pessoa de visão de longo prazo, de planejamento, e controle direto e próximo de sua equipe, ao mesmo tempo acompanhando e compartilhando o processo de gestão dos Ministérios do Governo. Não alguém distante, que busque respostas de tempos em tempos, mas presente e atuante.

4) Alguém que não deixe macular a correção da máquina administrativa, tendo coragem de fazer as alterações quando se fizerem necessárias, doa a quem doer.

5) Que busque o povo constantemente, sem receio de se aproximar, para saber da temperatura de seu governo, seguindo o pensamento de que a "voz do povo é a voz de Deus". Principalmente, quando se sentir pressionada, tenha a coragem e a liberdade de chamar o povo ao seu lado, para ajudá-la.

6) Que não seja confidente de ninguém, por maior confiança que esta pessoa possa transmitir, mas ouvindo a todos saiba ponderar, e decidir por si mesma.

7) Que tenha consciência dos limites de seus subordinados, e os tolere, até o comprometimento dos resultados que ela estabeleceu para sua gestão. À partir daí, faça a substituição, porque o Brasil pede passagem, não pode esperar.

8) Acima de tudo esperamos, que ela não se dobre aos poderosos que sempre estão rodeando o palácio, com suas propostas e sugestões, mas siga na linha do desenvolvimento com distribuição de renda, sem ceder um milímetro, sabendo que a eliminação da pobreza depende deste firme propósito.

9) Que ela projete o país ainda mais no exterior, marcando a presença do Brasil em todos os campos, pelas diversas nações, sem depender de alguma matriz imperial, mas independentemente, numa presença segura nas relações internacionais.

10) Que generosa promova a trasformação da sociedade brasileira em uma nova sociedade justa e fraterna, onde o amor e o perdão sejam a regra, consoantes à verdade.

domingo, 19 de dezembro de 2010

O que farei em 2011 ?

Ora o que farei...

Serei muito mais
do que agora,
senão morrerei.

Que durma pouco
e aprecie o dia,
sem me fechar
em casa.

Porque dormir
não acrescenta nada
e me torna inútil.

Que rompa
a preguiça
e me ponha cedo
de pé.

E me recicle
das novidades,
descartando
as reliquias,
 as posturas.

Possa me ver
compreensivo
e direto,
mais silencioso
no meio
da gritaria.

O ano que vem
será derradeiro.

Quem sabe
 não faça
outra universidade,
 me redescubra
escritor,
jornalista,
advogado,
médico,
tudo que sempre
desejei ser,
mas perdi
na imensa
multiplicidade,
que levou
a nada.

Ah...
que eu me pego ligando
para o meu passado:
Alô!
Sim passou...
Estamos outros,
é verdade.
Sim...
Queria saber
se você
também percebeu!
Não?
O passado te segue?
...não ouvi o sorriso aberto
de quem descobriu a verdade
e está satisfeito.

Como  chegar
ao ano novo,
que exige o novo,
 se não me esforço
por renovar?

Manter
o que nunca pode
ser mantido...

Sim...
arvorar-me
por sobre o mundo,
desejar a vida
a todo instante,
saber que a temporalidade
leva a uma infinitude.

Senão,
por que seguir?

Se a nada se chega,
 nada se cobra.


Em 2011   
vou aprender
uma dança nova,
 um canto novo,
lançar mais um livro,
vestir roupas novas,
entrar na moda,
plantar a árvore
da ciência
do bem e do....
bem também,
porque o mal
é para ser expelido,
extraditado,
este sim, expulso
dos corações.

Vou buscar ser bom
fazer o bem
em tudo:
na política
e na família,
no geral
e no particular,
comigo mesmo,
perdoando-me,
eu que me acuso
em tudo.

Vou procurar
os pequenos,
em 2011,
 se vou...
e sentar-me
no papelão
das ruas,
para ouvir
alguém
falar comigo
cheio de
sinceridade,
eu carente
de gente.



Em 2011
conseguirei
perdoar
os inimigos,
que continuam
lutando
comigo
em minha
mente.

Vou eliminar
os cartéis
e os cartórios
no ano que entra:
nada de grupos,
nem de provas

Vale a assinatura
da vida,.

Vale ser
de uma vez
por todas.

.


Visita aos enfermos no final de ano

Esta é a equipe da Pastoral da Saúde na Ortopedia. Aqui todos são estrelas de primeira grandeza. Alegres, dispostos, cheios de fé no próximo. Da esquerda para a direita, "Seu" Zé, homem abnegado em servir o próximo; Margot uma irmã e uma doçura de pessoa, consegue ausentar-se de seus problemas para se deleitar com os enfermos; padre Gilmar, ou será simplesmente Gilmar? não sabemos tão grande é o apreço que por ele temos, que nos esquecemos de seu papel sacerdotal. Agora ele está aí, mas já temos o padre Alexandre, que está acompanhando todo o trabalho no HC; Silvionê, um ator de primeira linha, percorre o país com as peças que monta; o Papai Noel, é este Pó que vos escreve, aqui apalhaçado; finalmente está a Roseli, Coordenadora do grupo, advogada e enfermeira.

Estamos há 11 anos ajudando o trabalho da Pastoral da Saúde no Hospital das Clínicas.

Encontramos toda sorte de pessoas, quando visitamos. Estão, às vezes sem forças, outras vezes fortalecidas, em acreditar em sua recuperação.

É o caso de dona Célia Silvo Ornelas Canado, enfraquecida, e pedindo que nos somássemos à sua oração por voltar a andar. Fomos prontos em anotar seu nome, e nos comprometemos a incluir o seu pedido em nossas orações pessoais.




O final do ano é um período muito difícil para um enfermo que permanece no hospital. A distância da família traz um aumento da tristeza, e vem uma angústia junto à solidão.

Por isso fazemos esta visita de final de ano, com o intúito de animar os enfermos neste momento e encorajá-los a manterem-se esperançosos em suas recuperações.




Reunimos presentes e doações durante o segundo semestre, e visitamos os cinco andares da Ortopedia do HC, que é o nosso reduto, o lugar que nos foi entregue para acompanharmos.

A Pastoral da Saúde é coordenada pelos Camilianos, por vocação de seu representante maior, São Camilo de Lellis.



Enfim, nos reunimos em um dia especial, no caso deste ano, dia 18/12/2010, e saimos a visitar a todos, não só os enfermos, mas também médicos, enfermeiros e enfermeiras, pessoal da limpeza, todos.

É uma grande alegria que contagia a todos.




Ao final da visita estamos todos cansados, mas satisfeitos.

A visita para a Eliana e o Paulo, são especiais, pois são amigos de longa data no HC.

Por razões diversas, eles precisam ficar na UTI, onde chegaram criancinhas, e estão até hoje, adultos praticamente.

A eles nosso carinho e nosso beijo.

Quanto mais WikiLeaks divulga, mais os EUA se elameiam furiosos

Informações que no início pareciam fofoquinhas de diplomatas, vai se revelando, divulgação a divulgação, o quanto o governo americano se imiscui na vida de outras nações, ardoroso por assumir o papel de gendarme do "mundo livre".

Estes dias foi revelado a relação de multis do petróleo com José Serra, envolvendo o Pré-sal, com críticas fortes dele ao contrato estabelecido pelo governo neste caso. O candidato do PSDB foi logo desmentindo, afirmando que não usa desta linguagem apresentada ("esse pessoal do PT"). Mas nós, que o acompanhamos na campanha, vemos bastante semelhança. Fica o dito pelo não dito.

Fizeram looby no Congresso Nacional e conseguiram que não fosse votado por estes últimos 7 anos uma lei que quebra a patente dos remédios contra a AIDS, favorecendo as Multis da indúsria famacêutica, de forte presença norteamericana. É de conhecimento de todos que o Brasil quebrou este monopólio para poder tratar a custos mais baixos, dos portadores do vírus da AIDS, em luta acirrada contra as Multis do setor, que pouco se dão de alguma tarefa nobre. Querem mesmo é o dindin para si, beneficiando-se da doença que se espalha. 

Agora fazem uma análise do MST. O MST é analisado em sua relação com o Governo Lula. O que se pergunta é o por quê deste interesse em nossos conflitos particulares?

Há alguma estratégia geral do governo americano, que precisa ser preenchida com situações específicas das outras nações, para estabelecer sua linha de ação?

Surge ainda um acordo secreto de defesa da Colômbia com os EUA, contra a Venezuela.

Aqui, se esconde um interesse da era Bush de açambarcar a Amazônia, sendo um conflito na região a forma inicial para instaurar este domínio.

Até na vida do Vaticano os embaixadores americanos se envolveram, enxeridos.

Críticas à baixa qualidade tecnológica, à falta de criatividade, entre outros, veio à tona nesta espionagem.

Não é novidade para ninguém que contribui para o domínio de grandes nações, como no caso do Brasil, a desfiguração de suas identidades religiosas nacionais, com a introdução de uma multiplicidade de credos, propícia à fragmentação das organizações populares.

É por esse e outras que o México se manteve rígido contra a introdução da fragmentação religiosa americana.

Este exemplo vale para o próprio EUA, a despersonalização da identidade americana.

Sabem qual foi a resposta da diplomacia americana sobre esta espionagem? Vejam:
"Por sua vez, o embaixador dos EUA junto à Santa Sé, Miguel H. Diaz, numa nota publicada esta manhã, condena “da maneira mais forte possível” a publicação de documentos reservados do Departamento de Estado. A Embaixada norte-americana – lê-se na nota – “não fará nenhum comentário sobre o conteúdo ou autenticidade de tais informações”.

É assim mesmo, não dão satisfação das chafurdadas, neste mar de lama que criam por onde passam.

E pensar, uma nação desenvolvida, que deseja se colocar como padrão, exemplo para a humanidade, fazendo uma coisa destas, a descredencia na tentativa de querer retomar seu papel imperial, hoje decadente.

sábado, 18 de dezembro de 2010

O perú de Natal / O vírus do Natal na Internet / O Papai Noel que chorava

Sugiro aos amigos e leitores do blog que procurem ler estes três contos que fiz para este Natal. Bom proveito a todos. Els já foram postados e encontram-se em dezembro ou novembro.

Banidos e profanos

Banidos e profanos
é o que somos.

Os pensamentos
sentem medo,
os sentimentos,
fome.

Medo
que o sorriso
exagere
para além
do permitido.

Medo
da profundeza
dos olhos,
que a palavra
expresse
aquilo que é.

Fome de amor,
desde os insensivelmente fáceis,
aos ardorosamente impossíveis,
dos plácidos,
e dos incompreensíveis.

À parte isto,
uma ordem
sepulcral.

Por isto
sublimamos.

Por isto,
sussurramos.




sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

A ética e a vocação na política

Depois de todo um ano de campanha eleitoral em que nos esforçamos por eleger a nossa querida Presidenta Dilma Rousseff, e governadores, senadores e deputados, onde vários temas vieram à tona, uns mais de acordo com a temática de momento, outros enxertados, surge uma uma nova realidade, que é a inversão dos papéis.

Mal terminadas as eleições, vieram informações sobre o reajuste do salário do futuro governador de São Paulo, pela Assembléia Legislativa; depois notícias sobre o aumento dos ônibus, depois sobre o aumentos de todos os parlamentares, presidente, senadores, juízes, notícias sobre assessora que se beneficiou do cargo, mas a deputada não se afasta, futuros ministros sendo escolhidos sem experiência de gestão ou com algum passado já manchado, enfim agora parece que tudo pode. E a oposição se aproveitando disto

Agora é como se estivéssemos em uma janela, observando de longe a paisagem.

Se surge uma nuvem um pouco mais carregada e fecha uma parte do céu, pouco se me dá, pois só posso olhar.

Apreciava melhor o céu de antes, mas não tenho como impedir a tempestade.

Aí, fico pensando, eu que me esforço diariamente pela sobreviência, que dependo de inventiva e dedicação para trazer o sustento de meu lar, que tornei a campanha eleitoral gratúita com meu próprio empenho, ainda que ela seja muito cara, e com contribuições imorais de empreiteiras e bancos,  preciso repensar o papel do parlamentar, e da política, já que vivemos um tempo de, digamos assim, calmarias.

Sim porque são tempos novos, com novas realidades, que abrem a possibilidade de experiências inéditas de avanços, consolidação de posições, alianças, tendo por referência um conjunto de valores, para alguns abstratos, como verdade, justiça, paz, e para outros, históricos e dialéticos, que são os mesmos, porém submetidos ao crivo das conjunturas e dos processos.

Logo, um tema vem à baila: Qual é o papel da política, e como deve ser o papel do político?

É como se Max Weber, estivesse novamente lecionando nas Universidades de Freiburg ou de Heidelberg,  demarcando os limites da ciência e da política, como vocações distintas, para preservar a universidade da influência nazista de sua época, além de, é obvio, reafirmar aspectos importantes de sua teoria social, destacando a importância do agente investigador, com alguém de natureza distinta do político.

Se antes das eleições os políticos são nossos "escravos", por dependerem de nosso juízo, de nosso voto, é de se supor que passadas as eleições, sejam eles os nossos "escravos", realizando ações voltadas a atender os interesses e os direitos daqueles que os elegeram.

Porque a sociedade continua como era, embora o processo eleitoral tenha terminado.

A sociedade continua com suas concepções de antes, só não tem mais como defendê-las pelo voto à curto prazo.

Outros mecanismos, infelizmente, ainda são pouco exercidos em nossa democracia incipiente.

Qual deve ser a ética da política?

Manter como puder a coerência de suas concepções, com o imbrólio de processos que atravessam sua frente, nem sempre desejados e deflagrados de forma imoral, embora lícitas, e dentro da lei?.

Contrapor-se abertamente, marcando um divisor de águas, onde os maus ficam do lado de lá, com sua corrupção e seu jogo de interesses; e nós do lado de cá, castos e isolados, enquanto o rolo compressor dos grandes grupos nacionais e internacionais navegam com tranquilidade?

Uma reflexão um pouco mais pausada nos mostra que nem sempre ditamos os processos, que somos também na política e como políticos, envolvidos como todos os cidadãos, na impotência do Leviatã, no pensar de Hobbes.

Resta uma trilha tênue e perigosa. Ela exige argúcia e distinção de conseguir atravessar a passagem em segurança, com os apetrechos que permitirão encontrar a mina e extrair os minérios.

Ao largo, há uma floresta fechada com olhos anônimos observando.

Querem ver a coerência durante o caminho, querem ver se avanço em segurança, se há direção, ainda que em meio ao perigo.

Este político não se reveste da soberba da vitória, mas da simplicidade de sua dependência do povo.

Não se vê dono da verdade, ainda que muitas vezes a tenha, mas se debruça constantemente no coração daqueles que o elegeram, para saber o que fazer, como se de nada soubesse.

Este político está em formação, como dizia Heráclito, jamais será um, mas durante.

Ele busca apurar-se em erros e acertos, em crescente conhecimento e experiência.

O político não é Deus, embora a sociedade o deseje como um.

Ele pode errar. Tem o direito de errar, até para quebrar nossos próprios paradigmas, nossa idolatria

Não admitir isto é não ser dialético.

Aceitar esta premissa, admite que possamos errar e que devemos nos esforçar por acertar. Se não admitir isto, serei um idealista.

É como dizia Pessoa: "Nunca conheci ninguém que tivesse levado porrada. Todos são perfeitos"

Por outro lado, o político não pode abandonar suas concepções, em função de um processo que se lhe agiganta.

Senão, não durará muito e será um igual. Pior, os outros o verão igual.

Aí acontecerá o pior dos mundos

Como cantava Elis Regina.: "O pior é que ainda somos os mesmos e vivemos como os nossos pais".

Há que se ter rebeldia, se ter irreverência. Precisam acontecer conquistas no meio desta lama.

Há que se dar respostas plausíveis quando se tiver de dançar o samba de uma nota só, senão tudo se porá a perder.

É o que tinha para refletir.

O povo é o juiz, e está vendo!

A dor e surgimento do Homem Novo.

Desejamos uma vida plenamente sã, sem percalços, dificuldades,enfermidades.

Mas, não. Não é assim que acontece.

Estamos em todos os momentos, ainda que planejando as atividades, sujeitos ao inesperado, ao indesejado, à dor.

Ela tem muitas formas de se apresentar (mostrarei ao final), e não pede licença.

Simplesmente vem.

Nos invade em nossa privacidade, nos escancara de nossas racionalidades, ou nos reforça em nossas crenças, quebrando a sequência que estabelecemos para nossos afazeres.

Uma gastrite aguda em duas pessoas pode ter receptividade totalmente diferente para cada uma, dependendo do contexto em que se encontrem, revelando duas sensações de dor.

Me vem à mente Franz Fanon, negro da Martinica, que identificou doenças psicossomáticas (enxaquecas, asias, gastrites, úlceras, etc) e suas respectivas dores, como consequência do processo de colonização.

Partidário da teoria da libertação, escreveu Pele negra, véu branco, e outras obras, mostrando, e mais que isto, como psiquiatra, tratando dos enfermos não só com remédios, mas mostrado a inconsciência do estado de colonizado, para adentrar na consciência de liberto, caminho para o Homem Novo.



"Frantz Fanon (Fort-de-France, Martinica, 20 de julho de 1925 – Washington DC, 6 de dezembro de 1961) foi um psiquiatra, escritor e ensaísta antilhano de ascendência africana. Ele foi, talvez, o maior pensador do século XX relacionado aos temas da descolonização e a psicopatologia da colonização. Suas obras foram inspiradas nos movimentos de libertação anti-coloniais por mais de quatro décadas. Fanon esteve na Argélia, onde trabalhou como médico psiquiatra no hospital do exército francês e neste hospital testemunhou as atrocidades da guerra de libertação da então colônia francesa, comandada principalmente pelo partido socialista argelino da Frente de Libertação Nacional, da qual fez parte."(Wikipedia)

A enfermidade e suas dores estão ligadas às alterações, inibições, imposições, submissões a que o homem e a mulher, em todas as suas dimensões,  estão sujeitos no mundo colonizado. Mesmo nós, em uma democracia jovem, onde achamos que já adquirimos o status de libertos, ledo engano, ressentimos as mazelas de séculos de dominação, e nos sujeitamos como carneirinhos às permormances estabelecidas dentro dos padrões aceitáveis para a sociedade atual.

E sofremos a insconsciência do submeter-se que leva à enfermidade e à dor.

Lembro-me de um curso que realizei no Hospital Emílio Ribas, especializado em doenças de causas virais ou bacteriológicas, ode era constanteente lembrado, que as doenças com estas características significam menos de 10% do total de enfermidades que abatem o homem moderno. Assim, aproximadamente 90% das enfermidades têm fundo psicossomático. E mesmo as de causas citadas acima, só abatem definitivamente o indivíduo quando se reduzem suas defesas psicológicas.

Outra pessoa que me vem à mente é Albert Memmi, com sua obra "O retrato do colonizado, precedido pelo retrato do colonizador", onde, entre outras, nos aponta o fato de repetirmos as caracterísitcas do colonizador, quando do início do nosso processo de libertação. Copiamos porque não descobrimos ainda a forma que é o Homem Novo, que precisa ser construída no decorrer da luta
.
"Albert Memi, nascido em colonial Tunísia , fala árabe como sua língua nativa. Ele foi educado em francês escolas primárias, e seguiu para o high school Carnot em Tunis , a Universidade de Argel , onde estudou filosofia e, finalmente, a Sorbonne , em Paris . Albert Memmi encontrou-se no cruzamento de três culturas, e baseia seu trabalho sobre a dificuldade de encontrar um equilíbrio entre o Oriente eo Ocidente. [ 1 ]
Paralelo com a sua obra literária, perseguiu uma carreira como professor, primeiro como professor na escola secundária de Carnot, em Túnis (1953) e depois na França, onde permaneceu após a independência da Tunísia na Escola Prática de Altos Estudos, na HEC e em da Universidade de Nanterre (1970).
Apesar de ter apoiado o movimento de independência da Tunísia, ele não foi capaz de encontrar um lugar no novo estado muçulmano.Ele publicou seu primeiro romance, considerado bem "La estátua de sal" (traduzido como " A estátua de sal "), em 1953, com prefácio de Albert Camus . Seus romances incluem "Agar" (traduzido como "Strangers"), "Le Scorpion" ("O Escorpião"), e "Le Desert" ("O Deserto").
Seus conhecidos não-ficção trabalho é melhor " O colonizador e o colonizado ", sobre a relação de interdependência entre os dois grupos. Foi publicado em 1957, numa altura em que muitos movimentos de libertação nacional estavam ativos. Jean-Paul Sartre escreveu o prefácio. O trabalho é muitas vezes em conjugação com Frantz Fanon "s" Les damnés de la Terre "(" Os Condenados da Terra ") e" Peau noire, masques blancs "(" Pele negra, máscaras brancas ") e Aimé Césaire 's "Discurso sobre o colonialismo." Em outubro de 2006, Memmi de seguimento a este trabalho, intitulado " A descolonização ea descolonizado ", foi publicado. Neste livro, Memmi sugere que, na sequência da descolonização global, o sofrimento das ex-colónias não pode ser atribuída ao ex-colonizadores, mas os dirigentes corruptos e governos que controlam esses Estados. relacionados Memmi de trabalhos sociológicos incluem "Homem Dominado", "dependência" e "Racismo". Memmi também tem escrito extensivamente sobre o judaísmo , como "Retrato de um judeu", "Libertação dos judeus" e "judeus e árabes." Ele também é conhecido, "Antologia da literatura magrebina" (escrito em colaboração), publicado em 1965 (vol. 1) e 1969 (vol. 2). "(Wikipedia)

Tanto Franz Fanon quanto Albert Memmi fazem parte da literatura libertária da África em seu processo de libertação, onde a necessidade de busca de identidades nacionais os levaram a rediscutir o conceito de Homem Novo, que vem desde São Paulo em suas cartas e passa por toda a idade média, moderna, contemporânea e desemboca na revolução argelina.


O Homem Novo está pedindo licença para existir. Tem amplitude revolucionária, não aceita meias soluções, não aceita as dores que são colocadas sobre suas costas, mas assume as dores dos outros

O Homem Novo luta por superar a morte, através de sua ação revolucionária, na dimensão física da dor, na dmensão emocional, na dimensão intelectual,  na dimensão social, na dimensão dos valores, e na dimensão espiritual.

Além disso, o Homem Novo sofre muitas dores que não são dele próprio, pelos outros.

Ele está sendo descoberto a cada dia, nos questionando de nossas subserviências, de nossos orgulhos e vaidades. Nos convida a procurar o menor, o mais fraco e elevá-lo ao centro das questões.

Síndrome das sextas-feiras

Nas sextas-feiras
o espírito corre
em parafuso.

Assoberba-se confuso
por cima
dos corpos
formas
maneiras.

Traz um desdém louco.
Linguajar rouco
de fim
de tempos
semanais,
como aniversários rápidos
da imaginação racional
desnudada.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Como vai o diálogo entre católicos e luteranos após 494 anos de separação.

Segundo o Zenit, síte de Roma , o Papa convida luteranos a refletirem sobre conquistas do ecumenismo frente à próxima comemoração do 5º Centenário da Reforma Protestante. Em 2017 acontecerá o aniversário de 500 anos da publicação das  95 teses de Wittenberg de Lutero.(agradeço correção de leitor)

A Reforma protestante projetou a fé à nova expressão da ação realizadora do homem, suscitada pelo capitalismo nascente na Europa.

O cristianismo que estivera preservado durante séculos nos monastérios católicos, dentro de um sistema de vida feudal e monárquico, agora adquiria identidade de negócio individual, bem expresso por Max Weber em "A ética protestante e o espírito do capitalismo".

O protestantismo deflagrou uma crescente rede de igrejas com concepções as mais variadas, de forma que hoje, principalmente as pentecostais, ainda que tenham identidade com o velho luteranismo, quase não possuem mais vinculos doutrinais.

Houveram conflitos de toda sorte, até violentos, mas ao longo dos séculos um e outro voltaram a manter um diálogo sobre suas diferenças.

Atualmente, já se chegou a um consenço sobre a "doutrina da justificação" ente  luteranos e católicos. É um avanço.

"Esta Declaração Comum (DC) não contém tudo o que é ensinado sobre justificação em cada uma das Igrejas, mas abarca um consenso em verdades básicas da doutrina da justificação e mostra que os desdobramentos distintos ainda existentes não constituem mais motivo de condenações doutrinais"(declaração conjunta Católico-luterana).

Segundo a compreensão luterana, Deus justifica o pecador somente na fé (sola fide). Na fé o ser humano confia inteiramente em seu Criador e Redentor e está assim em comunhão com ele.

Segundo a compreensão católica a fé é fundamental para a justificação, pois sem fé não pode haver justificação. Como ouvinte da palavra e crente o ser humano é justificado por meio do batismo. A justificação do pecador é perdão dos pecados e ato que torna justo através da graça justificadora, que nos torna filhos e filhas de Deus.

E assim o diálogo vai em frente. Segue  abaixo reunião entre o papa e uma delegação da Federação Luterana Mundial, chefiada pelo Bispo Munib A. Younan.

O diálogo não significa necessariamente superação de diferenças, mas de conhecimento delas e disposição em se aprofundar uma reflexão.


Deixo o texto abaixo como referência para quem se interessar. Não é possível se estender sobre os pontos de separação entre as duas doutrinas, pois são muitos os pontos. Em outra ocasião poderemos discutir melhor .

Importante é o fato do mundo estar mais aberto ao diálogo ecumênico.

Chega de guerras religiosas.

Também se avançou bastante no diálogo com os ortodoxos.

É preciso melhorar o diálogo com o islamismo.

A paz é a finalidade. Acreditar na paz.

O Estado laico é fundamental para a manutenção desta paz. A existência de "bancada evangélica" é o prenúncio de uma tentativa de Estado Religiosos Fundamentalista a ser combatido. Cada um pode e deve ter suas crenças religiosas, mas daí a querer impor sua religião a todo o Estado é outra coisa.

Já imaginaram se todos tiverem suas bancadas? Vamos acabar ficando igual aos estados islâmicos que obrigam a todos a seguirem a religião do Estado, e rompendo com as liberdades democráticas de culto, próprias do estado laico.
Segue o documento da reunião realizada

"CIDADE DO VATICANO, quinta-feira, 16 de dezembro de 2010 (ZENIT.org) - Bento XVI expressou hoje sua esperança de que os anos que faltam para o 5º centenário do início da Reforma ajudem católicos e luteranos a refletir sobre o que conseguiram juntos no processo ecumênico e a continuar dando passos neste rumo. Isto foi afirmado ao receber em audiência uma delegação da Federação Luterana Mundial, chefiada pelo seu novo presidente, o bispo Munib A. Younan, que se encontra em Roma, em visita oficial. O Papa, em seu discurso, salientou a importância destes anos de preparação que restam até 2017, quando se cumprirá o quinto aniversário da publicação, por parte de Lutero, das 95 Teses de Wittenberg, um ato que marcou o início da ruptura com Roma.  Nesta ocasião, recordou que a Comissão Internacional mista católico-luterana está preparando um novo documento conjunto, semelhante à "Declaração Conjunta sobre a Doutrina da Justificação", no qual se apresentará "o que os luteranos e os católicos são capazes de dizer juntos, neste momento, com relação às nossas cada vez mais estreitas relações, depois de quase cinco séculos de separação". Além disso, recordou a questão que a Comissão está discutindo nestes anos - "o Batismo e a crescente comunhão eclesial" -, apontando para a questão da eclesiologia como a "chave" do diálogo ecumênico. Esta questão da compreensão da Igreja como o principal pólo do diálogo ecumênico tinha sido apontada pelo presidente do Conselho Pontifício para a Promoção da Unidade dos Cristãos, Dom Kurt Koch, em seu discurso na sessão plenária deste dicastério, no último dia 19 de novembro. O Pontífice afirmou que "os católicos e os luteranos estão chamados a refletir novamente sobre aonde nos levou nosso caminho rumo à unidade, e a implorar a guia e a ajuda do Senhor para o futuro". Também quis lembrar a visita anterior, de 10 de novembro de 2005, de uma delegação da Federação, chefiada pelo então presidente, Mark Hanson, antecessor do bispo Younan. Na ocasião, recordou o Papa, "tive a alegria de receber seus antecessores e de expressar a minha esperança de que o contato estreito e o diálogo intenso que haviam caracterizado as relações ecumênicas entre católicos e luteranos continuassem produzindo ricos frutos".  "Hoje podemos, com gratidão, fazer um balanço dos muitos frutos significativos produzidos nessas décadas de discussões bilaterais", disse ele. Finalmente, o Papa sublinhou a importância do "ecumenismo de vida" que consiste em, "lenta e tranquilamente, remover barreiras e promover laços visíveis de unidade através do diálogo teológico e de uma cooperação prática, especialmente no âmbito das comunidades locais". "A minha esperança é que essas atividades ecumênicas proporcionem novas oportunidades para que os católicos e os luteranos estejam cada vez mais próximos em suas vidas, em seu testemunho do Evangelho e em seus esforços para levar a luz de Cristo a todas as dimensões da sociedade", concluiu.

Novo dilúvio em São Paulo

Água para todo lado.

Quase 19 hs e a chuva continua.

Chove muito na zona norte.

Desaba uma chuva que prejudica a chegada a São Paulo de quem vem da Dutra.

Marginal Tietê em direção a Airton Senna pela marginal, está paralisada .

Os tucanos disseram que haviam resolvido o problema das enchentes nas marginais, porque pensavam que escavando o leito do rio, não haveria mais enchentes. Só que fizeram isto num período de sêca. Agora é a realidade.

Quem paga é o povo paulistano. O povo de rua é o que mais sofre, por não ter lugar para se proteger.

Ficam com as roupas molhadas e passam a noite no molhado.

São 11 pontos de alagamento.

Mais uma vez o povo vai voltar atrasado para casa, esperando dentro dos ônibus lotados nos congestionamentos, enquanto os bacanas do poder vão de helicóptero.

A chuva aliviou, mas os alagamentos permanecem e comprometem todo o trânsito.

A represa de Guarapiranga está ficando com a qualidade da água comprometida.

Mais da metade das vítimas de roubo não procurou a polícia, diz IBGE

As estatísticas criminais no país não são confiáveis, pois ou os dados não são registrados na polícia, ou os governos estaduais maqueiam os números, encontrando maneiras de torná-los mais "ajustados" aos seus interesses.

O IBGE estima que 3,1 milhões de pessoas, em 6 milhões não notificam a polícia da ocorrência de roubos. 

Um das causas (23,1% dos entrevistados que foram roubados) é desconfiança na polícia, provocada por casos de corrupção.

Isto mostra o grau de insatisfação da população em relação aos serviços prestados pela polícia.

E este sentimento de desconfiança é diferenciado entre os vários segmentos sociais. Podemos imaginar uma família de operários da periferia, e uma família dos jardins ou da Vila Madalena? É obvio que há diferenças de percepção entre os dois segmentos.

Em Belém do Pará, apenas 14,6% dos seus moradores dizem sentir-se seguros na cidade. Em segundo e terceiro lugares, vem respectivamente Rio de Janeiro e Brasília.

11,9 milhões de pessoas entrevistadas pelo IBGE afirmam terem sido vítimas de roubo, entre setembro de 2008 e setembro de 2009., representando 7,3% da população.

Antes desta, a última pesquisa realizada foi em 1988 e a taxa levantada foi de 5,4 % da população. Crescimento de...

76,9 milhões de brasileiros (47,2%)  declararam sentirem-se inseguros. Deste número, a maior inciência, como já se supunha, está concentrada nas cidades(50,3%).

Entretanto, surpreende mais a insegurança ter quase o mesmo índice nas regiões rurais. É o sinal dos tempos.