sábado, 7 de outubro de 2017

Sem tempo

Conto o tempo...
Como conto o tempo!

Parece que não passa.

Há um ódio
que atravessa
épocas inteiras.

Soberano

Olho para os pequenos,
 Sempre existiram...

São muitos
 Nunca acabam.

Recebem este ódio
 gratuitamente.


Perco os cabelos;
os que sobram
ficam grisalhos.

A sabedoria
está repleta
de tristeza.

Silencio.




sexta-feira, 29 de setembro de 2017

Desemprego: 'É muito cedo para dizer que o pior já passou' - Portal Vermelho

Desemprego: 'É muito cedo para dizer que o pior já passou' - Portal Vermelho: A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, divulgada nesta sexta (29) pelo IBGE mostrou que a taxa de desemprego recuou no trimestre, mas ainda apresenta alta em relação a 2016 - o país soma 13,1 milhões de desempregados. Mais uma vez, o crescimento no número de vagas veio do emprego precário ou informal. Quase 70% das vagas geradas no período foi na informalidade. Para coordenador do IBGE, Cimar Azeredo, dizer que o pior já passou é 'muito otimismo'.

segunda-feira, 25 de setembro de 2017

Como, através de Santa Teresa D'Ávila, pude ajudar uma suicida.

Aos sábados, à tarde, costumo reunir-me com um grupo da Pastoral da Saúde da Igreja Católica, persistente no serviço da visita dos enfermos.
Nesta pequena caminhada, insuficiente para o tamanho do contingente dos doentes e de dores, fazemos o nosso mínimo, cientes de nossa inutilidade, do nadar permanente contra as demandas deste mundo injusto.
Antes de iniciarmos as visitas, normalmente, fazemos a leitura e reflexão de um texto do evangelho, conforme a liturgia do dia, da Igreja.
Depois, nos dirigimos aos quartos, não sem antes fazermos nossas orações pedindo ao Espírito Santo que nos encaminhe aos locais certos onde possamos ser úteis aos enfermos, e darmos verdadeiro testemunho do evangelho.
Curioso foi termos refletido sobre uma nova evangelização, conforme nos lembra o Papa Francisco nas Alegria do Evangelho, sua exortação apostólica. Vivemos novos tempos, novas linguagens e formas de expressão.
O primeiro quarto que entramos foi o de uma jovem, que tinha as duas pernas engessadas.
Estava, não apenas acamada, mas nitidamente largada, visivilmente entregue e imóvel.
Acompanhada por um jovem que mais parecia uma paisagem que companhia.
Quem sabe era desta forma que ela precisasse naquele instante, alguém distante e presente.
Aproximamo-nos, e perguntei-lhe, em voz baixa e serena, de como ela estava.
Disse-me:
- Deus me deixou!
Inicialmente ficamos sem ação, até nos recompormos desta frase, e buscarmos as razões para isto.
- Tentei o suicídio! Deus me deixou!
Respondi-lhe_
- Impossível Deus tê-la deixado, por uma razão muito simples.
Percebi, pela primeira vez que seus olhinhos acenderam-se um pouco, curiosa por saber.
Continuei:
_ Somos como um grande castelo, onde existem muitos aposentos. Nestes, está toda sorte de atividades e assuntos que tratamos com as pessoas e conosco mesmos. Alguns estão secos e distantes, sem vida. Mas conforme caminhamos, podemos ir nos nos aproximando de um aposento especial, onde Deus está, fazendo morada em nós. Nem sempre este aposento é atingido, e damos voltas, parecendo que estamos sós, mas basta ter curiosidade e buscar com vontade, e iremos encontrando este local onde Deus fica e deseja manter conosco um diálogo, uma intimade sem limites.
Logo, as Bete e a Roseli, irmãs de Pastoral, aproximaram-se e a encorajaram a fazer daquele sucído uma virada em sua situação, buscando a novidade e a alegria de viver. E Cristo Jesus é esta novidade, a grande notícia, a grande manchete diária que jornais deveriam ter.
Fizemos uma oração vocal, por ela repetida, conforme dizíamos, de renúncia do mal e de busca por este aposento real, onde Deus está.
Saímos daquele quartos agradecidos a Deus por nos levar ao lugar certo onde Ele precisava estar através de nós, seus fiéis discípulos.
O que Santa Teresa D'Ávila tem a ver com isso? Bem, é dela o Livro "O Castelo", de elevada espiritualidade, de onde tirei o roteiro que me orientou a acalentar a a jovem.
Casos como este, nós nos deparamos com frequência, em nossas visitas aos sábados.
Santa Teresa de Jesus, intercedei por nós!
Louvado seja o Nosso Senhor Jesus Cristo!
Para sempre seja louvado!

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Como definir Temer? Traidor? Corrupto? Mentiroso?

Denunciado, Temer agora fala em conspiração e regime de exceção - Portal Vermelho: Em vídeo divulgado nas redes sociais, o presidente Michel Temer, que conspirou contra a presidenta eleita Dilma Rousseff, afirma ser vítima de uma 'conspiração de múltiplos propósitos'. Na gravação, ele tenta se defender da denúncia pelos crimes de organização criminosa e obstrução de Justiça.

terça-feira, 19 de setembro de 2017

Povo sem país

18 de setembro de 2017 - 19h16





Economia é escancarada ao exterior sem estratégia de proteção ao país





Ilustração: Mariano
 
 


Sob o governo Temer, a entrega do
Brasil tornou-se contínua, e o ingresso de investimentos estrangeiros
volta-se fundamentalmente à compra de ativos nacionais, públicos e
privados. É a terceira vez que a economia nacional se abre ao exterior, e
mais uma vez sem nenhuma estratégia prévia de desenvolvimento, conforme
observado anteriormente.



A primeira onda de internacionalização da economia brasileira desde a
Revolução de 1930 transcorreu na segunda metade da década de 1950, em
conformidade com o Plano de Metas de JK (1956–1961). Com o grande fluxo
de ingresso do capital estrangeiro, o país avançou significativamente a
sua industrialização, através da instalação de grandes grupos econômicos
inicialmente europeus e, posteriormente, estadunidenses.



Diante da coordenação do Estado, os investimentos externos se combinaram
à soma dos recursos internos derivados do capital privado nacional e
estatal. Assim a industrial automobilística, por exemplo, se instalou
sem trazer a sua autopeça, uma vez que esta seria ocupada por empresas
de capital nacional, enquanto outros componentes industriais seriam
ofertados por empresas estatais (siderurgias).



A segunda onda de internacionalização foi uma marca dos anos de 1990,
com o ingresso do Brasil na globalização. Com as reformas neoliberais em
concomitância com a estabilização monetária do Plano Real, a economia
nacional registrou 2,3 mil operações de fusões e transações de empresas,
sendo 61% de responsabilidade do capital estrangeiro.



A aquisição de grande quantidade de empresas nacionais por estrangeiras
não significou expansão da capacidade de produção, uma vez que parte
considerável dos investimentos voltou-se fundamentalmente apenas para a
troca de ativos de um grupo econômico para outro. Ou seja, certo
ingresso passivo e subordinado do Brasil na globalização.



Nos anos 2000, o país experimentou experiência inédita, com importante
ação de empresas nacionais no desenvolvimento de suas atividades no
exterior para diversos setores (como bebidas, alimentação, construção
civil, vestuário, bancos, ferramentas entre outros). Na primeira década
deste século, a internacionalização de grandes empresas brasileiras
alcançou a 17 países, enquanto entre 2010 e 2015, o crescimento foi de
50%, passando para 27 países no mundo.



Com a recessão, a Operação Lava Jato e as operações desconstitutivas do
governo Temer, diversos grupos brasileiros passaram a colocar seus
ativos à venda. Somente o movimento de fusões e aquisições cresceu 73,6%
no primeiro semestre de 2017.



Neste contexto, se expande no Brasil a terceira onda de
internacionalização deslocada de qualquer estratégia de desenvolvimento.
O recente anúncio de privatização do setor produtivo estatal pelo
governo Temer demonstra muito mais o despreparo e desespero para atrair
recursos externos numa economia frágil pela força da recessão.



A queda na taxa de investimento agregado não é ainda maior devido ao
ingresso de recursos estrangeiros que se aproximam de um quinto da
Formação Bruta de Capital Fixo (FBKF). Com as possibilidades de
aquisição de terras, a internacionalização dos ativos nacionais ganha
ainda mais atratividade, tornando o Brasil o país dos grandes negócios
desatrelados do bem-estar de sua população.



*Marcio Pochmann é professor do Instituto de Economia e pesquisador do
Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho, ambos da
Universidade Estadual de Campinas.